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Dia Mundial da Luta Contra a SIDA: O panorama da infeção VIH/SIDA em Portugal

É necessário alargar as campanhas de alerta, criar mais sessões formativas nas escolas do ensino básico, secundário e superior. É necessário sermos mais agressivos nesta luta!

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Confesso que é frequente chegar ao final de uma semana de trabalho e ficar frustrado com o panorama a que assisto. Apesar do esforço que tem sido feito nas últimas duas décadas no combate ao VIH, causador da SIDA (a fase mais avançada da doença), e apesar do avanço tecnológico e farmacológico ser absolutamente fantástico (com um grande número de doentes a fazer apenas um comprimido diário para controlo da doença), a estatística nacional podia ser bem mais animadora.

 

É verdade que, segundo os dados da DGS, temos mais de 90% das pessoas com VIH diagnosticadas e, destas, a esmagadora maioria (mais de 90%) está sob tratamento eficaz, o que significa que a transmissão do vírus para outras pessoas é muito baixa.

 

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Mas os dados mostram-nos que, em 2017, houve mais de 1000 novos casos de infetados, predominantemente por risco sexual, e quase 1 terço até aos 30 anos de idade. Significa que os nossos adolescentes e jovens adultos, embora tenham acesso a um universo de informação à distância de um clique, não o fazem, assumem o relacionamento sexual desprotegido como natural e não equacionam a possibilidade de adquirir VIH ou outra infeção sexualmente transmissível, como a sífilis ou a gonorreia, por exemplo, cujos números têm estado a aumentar de forma alarmante.

 

É triste que as ações de sensibilização para esta doença se foquem quase exclusivamente nesta altura do ano. É necessário mudar este panorama, alargar as campanhas de alerta, criar mais sessões formativas nas escolas do ensino básico, secundário e superior. É necessário sermos mais agressivos nesta luta!

 

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No início deste meu desabafo, mencionei a minha frustração perante este panorama. Mas tenho que confessar que a maioria dos meus dias de trabalho está longe de ser frustrante. Os utentes que acompanho com infeção por VIH são iguais a mim, que estou a escrever este texto, e a si, que o está a ler. Partilham comigo as histórias do seu dia a dia, contam-me as suas preocupações, rimos e choramos juntos quando tem que ser.

 

O VIH não pode ser motivo de preconceito como consequência da falta de conhecimento da população. Isso é hoje inaceitável, a informação deve estar mais próxima e mais presente. Exemplo de uma nova iniciativa é o Portal VIHDA, onde profissionais de saúde, utentes, familiares ou amigos podem encontrar informação detalhada, de fácil leitura, sobre sintomas, diagnóstico e tratamento desta doença.

 

Esta é uma luta global que merece o esforço de todos os intervenientes da sociedade, com especial atenção para os profissionais da educação, da saúde e das entidades governadoras. Esta é uma luta de todos, para todos.

 

Por Frederico C. Duarte

Médico do Serviço de Doenças Infeciosas da Unidade Local de Saúde de Matosinhos

 

 

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