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Dia 25 de novembro, o dia que devia ser apagado

Segundo a Organização das Nações Unidas, 70% de todas as mulheres do planeta já sofreram ou sofrerão algum tipo de violência em, pelo menos, um momento das suas vidas, independentemente da sua nacionalidade, cultura, religião ou condição social. Hoje é Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

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Acho que este dia devia ser apagado do calendário…passávamos do dia 24 para o 26, para que o 25 não existisse. Como se ao apagar o dia fosse metaforicamente possível eliminar para sempre o número de vítimas de violência. Como se magicamente conseguisse, de vez, erradicar este fenómeno.

 

Mas, infelizmente não é possível e a realidade, essa, continua a ser muito dura. 70% de todas as mulheres do planeta já sofreram ou sofrerão algum tipo de violência em, pelo menos, um momento das suas vidas — independentemente da sua nacionalidade, cultura, religião ou condição social (ONU).

 

Violência doméstica, tráfico de seres humanos, violação e outras agressões sexuais, casamento forçado, mutilação genital feminina ou assédio sexual são alguns dos crimes praticados contra as mulheres.

 

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85% das vítimas de violência doméstica em Portugal são mulheres.  Em Portugal, em média, uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica. Uma realidade que nos assusta e perturba, uma realidade com tendência a aumentar e que nos leva a questionar o porquê da sua persistência. No meu entender duas grandes razões.

 

A primeira é que a maioria das pessoas continua a ser tolerante com este tipo de crime, considera-o um crime menor, um crime que tem a desculpa das relações de intimidade entre homens e mulheres. Fazendo jus ao ditado popular que “entre marido e mulher não se mete a colher”, a maioria das pessoas, ainda que desconfie de algo estranho, permanece em silêncio e nada diz ou faz.

 

Mas olhar para o lado e seguir em frente é ser cúmplice de tais atos.  A violência doméstica é um crime público. É responsabilidade de todos fazer a diferença. Hoje, dia 25, mais do que nomear a causa, é hora de a colocar em prática, de despertar a consciência e não aceitar que um murro, um pontapé, um controle constante seja considerado amor.

 

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É dia de perguntar com honestidade: “Será que contribuo de alguma forma para manter este fenómeno?”, “O que posso fazer para combatê-lo?” Não é preciso muito para lutar por um mundo melhor. Basta ter um cérebro ativo, um coração pulsante e sangue correndo nas veias.

 

A segunda razão, a ausência de consequência. A consequência não é ainda proporcional à gravidade dos atos cometidos, o que origina que quem os comete não altere o comportamento. É necessária uma manifesta afirmação de poder contra os crimes de violência doméstica, materializada na sanção a atribuir, bem como um repúdio explícito a quem comete os crimes. Urge que o Estado, através de todos os seus agentes, afirme que não se revê nesta realidade, não é o país que acredita e mostre, na prática, a força efetiva da sanção contra a prática abusiva.

 

Mudando tudo isto, o resto virá por acréscimo. Surgirão respostas mais céleres e aperfeiçoadas para as vítimas, novos programas de formação para forças de segurança e magistrados, uma nova atitude face a este enorme flagelo. O resultado esse sentir-se-á nas gerações futuras, que provavelmente poderão apagar o dia do calendário.

Conto consigo!

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