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Desperdício, plásticos e alimentação: uma revolução a várias frentes

São cada vez mais as pessoas que tomam consciência de que o modus vivendi da sociedade atual nos está a colocar um muro à frente, logo é preciso fazer diferente, é preciso cada um fazer a sua parte e deixar de agir como se todos os recursos fossem eternos e intermináveis. Não são.

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A partilha da informação faz isto: é o passa palavra, é o despertar de consciências, é o ver novas perspetivas. No fundo, é o ter dados na mão e pensar sobre eles. E é isto que está a acontecer atualmente na sociedade a várias frentes. E são boas frentes, boas conquistas.

 

São cada vez mais as pessoas que tomam consciência de que o modus vivendi da sociedade atual  nos está a colocar um muro à frente, logo é preciso fazer diferente, é preciso cada um fazer a sua parte e deixar de agir como se todos os recursos fossem eternos e intermináveis. Não são.

 

Felizmente o debate é cada vez maior e alargado às massas, deixando apenas os grupos preocupados com a natureza, muitas vezes conotadas como estranhos, para se alastrar à comunidade. A Internet e as redes sociais têm aqui um papel central de difusão, seja de conteúdos jornalisticos sobre o tema, seja pela partilha de informação entre internautas.

 

Cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo para consumo humano são desperdiçados. Ou seja, cerca de 1,3 mil milhões de toneladas de alimentos vão para o lixo todos os anos, segundo a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Por outro lado, mais de 800 milhões de pessoas no mundo sofrem devido à carência alimentar. Volte atrás e releia estes números. São avassaladores. É a completa falência organizacional da nossa sociedade. Temos seres humanos a passar fome de um lado e deitamos comida fora do outro lado do mundo.

 

Se bem que as grandes entidades são também as causadoras dos grandes desperdícios, genericamente falando, cabe a todos nós fazer o nosso papel. Juntos somos muitos, como se costuma dizer. E não é assim tão difícil. E evitar desperdicio não faz só bem ao planeta, faz também bem à carteira. Se preferir, veja esta perspetiva.

 

Com os plásticos é a mesma coisa. A sociedade consumista que construimos tem como corolário recursos e crescimentos infinitos. Não é assim. Claro que não é assim. Se o planeta tem o seu limite, como podemos ter comportamentos que não o consideram desta forma?  Felizmente, a guerra ao plástico já se está a instalar na nossa sociedade. Mas e como é do outro lado do mundo? Nos países de terceiro mundo? Onde a informação é escassa e o que menos lhes importa é fazer reciclagem, quando a sua preocupação é sobreviver?

 

Felizmente, inúmeros países, empresas e instituições, assim como particulares, estão a tomar medidas para reduzirem a quantidade de plásticos que usamos e que acabam, de uma forma ou de outra, no mar. Aqui, danificam a vida marinha e criam inúmeros problemas ao planeta. Segundo a ONU, 10% da poluição gerada pelos humanos é de produtos de plástico, sendo que metade dos plásticos são utilizados uma única vez. E a disseminação de plástico é de tal ordem que 83% da água potável no mundo contém vestígios de partículas de plástico. Ao mar chegam todos os anos 13 toneladas destes detritos. As costas estão cheias de lixo, o fundo do mar está cheio destes resíduos e muitos animais comem-nos e acabam por morrer. E, se não revertermos este nosso modus operandi, a situação vai agravar-se cada vez mais.

 

Por fim, falamos de uma outra revolução, a da alimentação. Isto porque está a crescer a consciência de que somos o que comemos e uma boa parte da população começa a estar informada e a querer mudar a forma como se alimenta. Tem consciência de que é pela sua saúde e pela do planeta. Já deixa de ser indiferente para muitas e cada vez mais pessoas como o produto é produzido. A ética na forma de tratar os animais, a dispensa de produtos quimicos preferindo produtos biologicos, a preferência por produtos locais que reduzam a pegada ecológica, a opção crescente por fazer mais refeições vegetarianas em detrimento de terem sempre proteina animal, a introdução de mais fruta, vegetais e alguns superalimentos estão a expandir-se pela sociedade.

 

São três grandes dinâmicas que estão a gerar novos comportamentos. E ainda bem. Há que tomar consciência e mudar. Mas mudar mesmo.

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