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Descubra as Ruínas Romanas de Tróia

Das 1500 ânforas recuperadas às dezenas de tanques de salga de peixe encontrados. Para saber um pouco mais deste ex-libris da passagem romana por Portugal, descubra algumas curiosidades evidenciadas pelas escavações das suas ruínas pela equipa de arqueologia do Troia Resort.

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Ao longo destes anos, a equipa escavou várias áreas e identificou 29 oficinas de salga de peixe. Os estudos científicos, reflectidos em mais de duas dezenas de artigos publicados, e, nomeadamente, a comparação com outros sítios designados para a mesma função no mundo romano, permitiram perceber que a Tróia romana era o maior centro de produção de salgas de peixe do mundo romano.

 

Os trabalhos arqueológicos previstos na Declaração de Impacte Ambiental da UNOP 4 são assim a nova oportunidade para se prosseguir a investigação neste sítio de reconhecida relevância histórica e arqueológico.

 

Os trabalhos já se iniciaram e incidem nas áreas de ocupação contemporânea do sítio, nomeadamente na envolvente do chamado Palácio Sottomayor, construído nos anos 20 do século XX, nos seus pátios e nos edifícios circundantes, e também entre a basílica tardo-romana e a capela de Nossa Senhora de Tróia.

 

Um dos trabalhos previstos será a escavação de parte do acesso pedonal à capela, que assenta sobre um cemitério do século IV-V com sepulturas que imitam mesas, nas quais se efectuavam refeições em comunhão com os defuntos ou se depositavam oferendas.

 

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As Ruínas Romanas de Troia, classificadas como Monumento Nacional desde 1910, estão situadas na margem do rio Sado, na face nordeste da península de Troia. A poucos minutos da zona central de Troia, na outrora presumível Ilha de Ácala e que hoje se insere na Rede Natura 2000, os visitantes são convidados a viajar no tempo.

 

Envolto num ambiente de beleza natural ímpar, as visitas pelas ruínas da “Pompeia de Setúbal”, conforme foi referida por Hans Christian Andersen, dão a conhecer um monumento nacional que sobreviveu mais de 2000 anos, com casas, fábricas, termas, mausoléu e necrópole, que identificam a cidadania romana.

 

Na época romana este terá sido um dos maiores e mais interessantes complexos fabris de conservas de peixe do Império Romano e do Mediterrâneo Ocidental, com uma extensão de quase dois quilómetros. Da instalação industrial faziam parte oficinas e tanques de salga (cetárias) de peixe e marisco que se destinavam à produção do garum, um condimento muito apreciado pelo povo romano.

 

Todos os anos são descobertos vestígios, que podem vistos nas exposições arqueológicas, visitas guiadas e eventos temáticos que periodicamente são promovidos. Descubra agora algumas curiosidades relativas a estas ruínas.

 

Vista aérea de Tróia

Descubra algumas curiosidades

Nas escavações arqueológicas realizadas em Tróia desde 2007 já foram recuperadas mais de 1500 ânforas

Cerca de 70% das ânforas eram feitas na região, nas olarias da margem norte do Sado, de Setúbal à Barrosinha. As outras foram importadas de outras províncias do Império. No Alto Império (século I e II), 84% das ânforas importadas vinham da Bética, atual Andaluzia, essencialmente com azeite e produtos de peixe.

 

No Baixo Império (século III-V) 51% vinham do Norte de África, essencialmente da Tunísia, com os mesmos produtos, e só 44% da Bética. Em pequeno número, vinham também ânforas de Itália, da Gália, do Mediterrâneo Central e do Mediterrâneo Oriental.

 

Tróia tem 29 oficinas de salga identificadas

Destas, sete foram postas a descoberto por escavações. As outras 22 foram postas a descoberto pela erosão costeira. Desde 2007 que se começou a analisar e numerar as oficinas de salga de peixe de Tróia. Em 2011, publicou-se um artigo com as 25 oficinas então visíveis. Em 2016, identificaram-se mais duas oficinas, e em 2017 outras duas, num total de 29.

 

Em Tróia há 180 tanques de salga visíveis

79 tanques estão completos ou suficientemente bem conservados para se calcular a sua capacidade. Somando essa capacidade, ficamos a saber que Tróia tinha uma capacidade de produção instalada mínima de 1430 m3, o que equivale a 1 430 000 litros.Para encher estes tanques com 80% de peixe e 20% de sal, eram necessárias 760 toneladas de sardinha e 350 toneladas de sal.

 

Durante os primeiros cinco séculos do primeiro milénio, Tróia era, sem dúvida, o motor económico do baixo vale do Sado. Terá sido o maior centro de produção de salgas de peixe do Império Romano e hoje é conhecida pela “Pompeia de Setúbal”.

 

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A sardinha era o peixe mais utilizado em Tróia para fazer molhos de peixe e peixe salgado

Quando se escavam tanques de salga, é comum encontrar, no fundo, um sedimento amarelado e leve que é uma camada de restos de peixe composta por milhares de pequenas vértebras. Estudos ictiológicos demonstraram que se trata de restos de sardinha, o peixe preferencial dos produtos de peixe romanos da Lusitânia.

 

Nas escavações de 2019 apareceram muitos fragmentos de mosaico preto e branco

Ao escavar o enchimento de grandes tanques de uma oficina de salga, percebeu-se que tinham sido entulhados com muita pedra, tijolo e argamassa, aparentemente de casas construídas no século II ou III. Nesses entulhos, recolheram-se também muitos fragmentos de mosaico e de estuque pintado, provenientes dos pavimentos e paredes de salas de casas de pessoas abastadas.

 

Desde 2010, já se fizeram trabalhos de conservação em 10 edifícios das Ruínas Romanas de Tróia

Desde 2010 que se têm feito regularmente trabalhos de conservação em 10 edifícios das Ruínas Romanas de Tróia. A empresa Mural da História fez a conservação e restauro de quatro paredes e um pilar da Basílica, enquanto que a empresa Nova Conservação tem feito inúmeras intervenções de consolidação e restauro em nove outros edifícios do sítio arqueológico (Oficina de salga 1, 2, 4 e 21, Mausoléu, Basílica, duas casas da Rua da Princesa, Termas e Edifício a Nordeste da Oficina 2).

 

A área das Ruínas de Tróia conhecida como Rua da Princesa foi escavada, no século XVIII, pela rainha D. Maria I, antes de subir ao trono

A escavação prosseguiu no século XIX com a Sociedade Arqueológica Lusitana. A grande casa que aí existia foi-se desmoronando durante a escavação, feita à época sem cuidado, e houve paredes que ficaram descalças de um lado e a sofrer a pressão das dunas. Recentemente foi necessário refazer o perfil de uma duma para sustentar paredes em risco de colapso. Utilizaram-se cerca de 1000 m3 de areia resultante de escavações recentes.

 

 

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