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Desaparecer é o pior remédio, mas o mais vulgar

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Chamam-lhe “ghosting” e é, na atualidade, a forma mais comum de terminar relacionamentos. Podem ser superficiais ou não, mas a sensação que deixam é desagradável, pois as expectativas, quais dados de jogo lançados no tabuleiro, saem totalmente goradas, pois, de repente, o sujeito mais empenhado em ganhar vê o outro eclipsar-se, qual alma pena enviada para outro mundo.

 

As relações, ou potenciais relacionamentos, podem ser mais ou menos longos, e na maior parte das vezes estão a ser alimentadas virtualmente (internet ou sms)- muitas vezes durante meses. O entusiasmo aparece potenciado pela curiosidade e o desconhecido. Ponto comum, nada prevê o silêncio fantasmagórico que assombra o futuro, e a dor deste relacionamento platónico existe, e os apaixonados esperançados sofrem, e muito, quando, sem preverem, veem o outro desaparece sem deixar rasto ou justificação.

 

Um dia estão pedra e cal, em conversas intermináveis, promessas de amor shakespearianas e noites de sono perdidas, no outro uma das partes desaparece, sem deixar rasto, e esta situação pode acontecer ao fim de um primeiro encontro, podendo ou não existir envolvimento físico.

 

Parece mentira mas é verdade, e nesta sociedade cada vez mais virtual, em que todos os minutos contam, é muito mais fácil representar papeis quando existe um monitor que esconde a cara, a quilómetros de distância, do que manter um diálogo por mais simples que seja “face-to-face”, e dar uma resposta ou desculpa, mesmo que esfarrapada.

 

Conheço alguns, se não mesmo muitos casos, e apesar do denominador fantasma ser igual, existem algumas diferenças, no que diz respeito ao sexo do fantasma. No caso dos homens, no pré-“ghosting”, existe um interesse e entusiasmo quase que desmedidos, digamos que daquele que, digo eu que sou desconfiada, é suficiente para o sexo feminino estar de pé atrás, mas quando a carência existe, tudo é possível. O tempo passa e quando finalmente se dá o primeiro encontro, que pode ser um café, um almoço, ou até mesmo algo mais envolvente, o dia seguinte é friamente silencioso, sem telefonemas, sms e perfis bloqueados nas redes sociais.

 

O sexo feminino, apesar de todos os defeitos que também possa ter, consegue ser ligeiramente decente; desaparece antes do primeiro encontro, ou então, simplesmente deixa de atender o telefone, responder a mensagens e eventualmente bloqueia todas as hipóteses de contacto.

 

Quanto a mim, têm em comum um nome, “ghosting”. Mas eu, que respeito muito as almas penadas, dou-lhe um mais português: cobardia e falta de respeito para com o próximo!

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