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De bicicleta por Lisboa

São cada vez mais aqueles que trocam o carro ou os transportes públicos pela bicicleta como forma de deslocação diária. Ouvimos o testemunho de uma lisboeta a quem a bicicleta faz sorrir. «Pedalar limpa-nos a cabeça e devolve-nos o sorriso», diz Miriam Bettencourt.

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Míriam Bettencourt tem 31 anos e é alfacinha. Até há dois anos, dependia do metro ou do autocarro para se deslocar pela cidade de Lisboa, quer fosse para ir trabalhar ou nos dias de descanso. Nessa altura, experimentou a bicicleta e, como explica, «assim que percebi que era mais rápido e mais divertido, não quis outra coisa.»

Desde 2014, pedalar num veículo de duas rodas passou a estar consagrado no Código da Estrada, e os ciclistas passaram a fazer oficialmente parte da paisagem rodoviária em Portugal. A mudança na lei atenuou as diferenças e aumentou os direitos dos ciclistas mas, explica quem anda todos os dias sobre duas rodas, «ainda há um longo caminho a percorrer». «Quem quer pedalar para todo o lado, não pode, nem consegue depender das ciclovias que não cobrem toda a cidade. Para além disso, muitas estão mal construídas e não se percebe por onde é para seguir quando chegamos ao final de um troço na ciclovia, entre outros detalhes que não facilitam ou ajudam a promover a utilização da bicicleta.»

Ainda assim, Míriam ressalta que a mudança maior ainda falta acontecer na mentalidade de todos. Afinal, Portugal tem um atraso de décadas no que diz respeito à convivência entre condutores, pedestres e ciclistas, comparativamente a alguns países do norte da Europa, nomeadamente a Holanda, onde o uso da bicicleta tem sido incentivado desde os anos 70 e onde a maior parte da população conduz carro e bicicleta, aumentando a sensibilidade no que diz respeito à interação.

«Gostava que me respeitassem quando ando a pé, de bicicleta ou de automóvel. Quem quer utilizar o automóvel, tem de saber respeitar os peões nas passadeiras, não inventar estacionamentos em cima dos passeios e não pode perder a paciência com os ciclistas, buzinando ou fazendo razias. Há claramente benefícios em pedalar e somos cada vez mais pessoas a perceber isso. Há muito mais bicicletas na estrada e é preciso ajudar quem quer começar a pedalar e respeitar quem toma essa opção para fazer determinado percurso», desabafa.

Conselhos para iniciantes

Para os que gostavam de começar a ver a cidade sobre rodas mas ainda não ganharam coragem, o segredo é dar passos pequenos. A MUBI – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, tem-se dedicado, desde 2009, a ajudar a criar condições para que qualquer pessoa possa utilizar a bicicleta como veículo de forma fácil, agradável, eficiente, e segura. Como tal, são várias as iniciativas promovidas por este grupo de amantes de bicicletas. Desde o “Bike Buddy”, uma rede de contactos entre ciclistas iniciantes e experientes para a troca de experiências, à “Sexta de Bicicleta”, que promove, todas as sextas, que as pessoas usem a bicicleta em vez dos meios de transporte habituais, como forma de iniciação às duas rodas.

Questionada por uma transeunte sobre se usava a bicicleta por razões ambientais, Míriam pensou e respondeu: “Também, claro! Mas é muito mais que isso.” A lisboeta destaca o bem estar que a bicicleta lhe traz e como este hábito passou a ser quase uma forma de terapia: «Pedalar limpa-nos a cabeça, devolve-nos o sorriso, devolve-nos também a cidade que passamos a conhecer muito melhor, faz-nos estar mais perto de tudo mas, ao mesmo tempo, isolados nas nossas reflexões. Na bicicleta, temos sempre lugar sentado garantido e apenas viajamos em pé se quisermos. Não nos sentamos ao lado de ninguém “mais esquisito”, como às vezes acontece nos transportes, escapamos ao para e arranca e deslizamos de forma harmoniosa pela cidade.» Como se estes argumentos não fossem suficientes, Míriam acrescenta: «Contribui para a nossa robustez física e para a nossa saúde em geral. Fica bem mais fácil subir um lanço de escadas quando estamos habituados a pedalar.»

Exemplos como os de Míriam fazem esquecer os devaneios dos “velhos do Restelo” que teimam na ideia de que Lisboa não é amiga dos ciclistas. Na ideia da project manager, só é preciso olhar a questão de um ponto de vista positivo: «Na verdade, Lisboa é um planalto. Há muitas zonas por onde conseguimos pedalar sem grandes declives: Saldanha, Avenidas Novas, Alvalade, Lumiar, Telheiras, Laranjeiras, Benfica, Sete Rios, São Sebastião… E se há uma subida podemos sempre seguir a pé com a bicicleta pela mão. E, se há subidas, então também há descidas maravilhosas onde não temos de pedalar.»

Conheça as vantagens de pedalar, assinadas pela MUBI, na galeria “Conheça as vantagens de pedalar”.

Por Joana de Sousa Costa

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