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Dar e receber

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Dito desta forma, dar e receber parece óbvio, não é? É, ou deveria ser, uma dicotomia natural, talvez mesmo a mais natural na relação entre seres humanos.
 
Dar e receber deveria ser tão natural como a noite e o dia, a luz e a escuridão, o frio e o calor. Mas não é!
 
Com frequência observo que são muitas as pessoas que têm bastante dificuldade em receber. Comecei a interessar-me por este “fenómeno” desde que uma vez tive uma experiência num contexto de desenvolvimento pessoal e que era dividida em duas partes. No primeiro dia, era suposto pedirmos 1 euro a alguém que fosse a passar na rua. E não valia pedinchar, deveria haver um motivo minimamente plausível para que a pessoa nos desse de bom grado o dinheiro. No dia seguinte, o objetivo invertia-se e era suposto darmos esse euro a alguém. Tal como no dia anterior, não era suposto dá-lo como gorjeta ou, pior ainda, esmola. Conseguir o dinheiro foi relativamente fácil e bastaram algumas tentativas. Já o oposto foi bem mais difícil, uma vez que tive que lidar com reacções do género “acha que eu sou um pedinte para aceitar o seu dinheiro?” entre outras.
 
Anos mais tarde, li uma entrevista de uma senhora chamada Marianne Williamson, também ligada ao Desenvolvimento Pessoal, que partilhava uma experiência que teve no início da sua carreira. Os inícios costumam ser desafiantes e ela atravessava dificuldades financeiras. Assim, começou a pedir a Deus ou ao Universo (para mim a mesma coisa) que a ajudasse e que lhe trouxesse dinheiro para fazer face aos seus compromissos e também para melhorar a sua vida no geral. Um dia, no final de uma palestra, um senhor foi ter com ela dizendo que tinha adorado e que as suas palavras tinham mudado a sua vida. Nunca tinha tido uma experiência daquelas e, estando bem financeiramente, decidiu agradecer-lhe com um cheque de 1500 dólares ao que ela recusou firmemente, dizendo que estava apenas a fazer o seu trabalho e todas as outras desculpas que as pessoas que se recusam a receber usam. O senhor lá acabou por ir embora, triste e desiludido por não ter podido partilhar um pouco da sua riqueza com alguém que tinha acabado de fazer uma grande diferença na sua vida.

 

Anos mais tarde e muito Desenvolvimento Pessoal depois, a própria Marianne Williamson acabou por reflectir sobre aquele momento e concluiu que a sua atitude não tinha sido a mais adequada.

 

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