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Daniel Ribeiro: “Nem sempre as fotografias mais espetaculares são as que vivem mais tempo em nós”

Daniel Ribeiro é especialista em fotografia de casamento e um dos fotógrafos portugueses mais premiados a nível internacional

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Aos 15 anos, Daniel Ribeiro descobriu o que queria fazer durante o resto da vida. Apaixonou-se pela fotografia e, até hoje, este tem sido um casamento feliz. O mestre fotógrafo de Aveiro já registou mais de 100 casamentos em dez anos de carreira e ainda vibra com a possibilidade de captar as emoções das pessoas neste dia tão importante das suas vidas. Faz parte da ISPWP. O seu nome também está presente nos Fearless Photographer, sendo o português com mais distinções nessa associação. Integrou a seleção portuguesa de fotografia no World Photographic Cup na especialidade de Casamento, tendo a equipa obtido o honroso 3º lugar. Mas, mais do que prémios, procura trabalhar para oferecer aos clientes uma “filosofia de imagem” pessoal e única.

Como é que surgiu esta paixão pela fotografia de casamento?
Surgiu quando eu era jovem, no verão dos meus 15 anos. Arranjei trabalho num laboratório de fotografia e foi amor à primeira vista. Passava os meus dias a revelar rolos, a observar imagens. Conheci vários fotógrafos que acompanhei em reportagem e o interesse cresceu.

Aquela que era uma arte vista como ultrapassada tem sido revitalizada com um olhar diferente…
Sim, acho que a crise ajudou. Muitos jovens formados noutros cursos como arquitetura, design ou engenharia, viram na fotografia uma saída para uma vida melhor. Sendo praticada por gente qualificada e com um sentido estético acima da média tem-se traduzido em trabalhados reconhecidos. Já era tempo da nossa “arte” deixar de ser vista como o patinho feio da fotografia.

O que é que para si, na qualidade de fotógrafo, faz do casamento uma fonte de inspiração?
Sobretudo as pessoas. Afinal, um casamento é disso mesmo que trata. As emoções ao rubro são momentos inspiradores de captar. Somos como que contadores de histórias e 50 anos depois este trabalho terá ainda mais valor ao ser folheado.

Tem ideia de quantos casamentos já fotografou?
Ora: dez anos de fotografia de casamento vezes 12 meses vezes fins-de-semana e mais… São muitos! Deixei de os contar mas seguramente mais de uma centena.

Recorda alguma fotografia particularmente especial?
Algumas fotografias vivem na nossa cabeça por muito tempo. Recordo-me de uma em especial por que me tocou muito. Era de manhã e estávamos na igreja em plena celebração. Então entrou um senhor de aspeto pobre, sujo, descalço e sem incomodar ninguém ajoelhou-se por uns segundos. Foi um momento muito forte, fez-se silêncio antes do padre seguir com a cerimónia. Foi como se ele estivesse a pedir melhor sorte para os noivos. Não sou muito destas coisas mas foi estranhamente emocionante. É que nem sempre as fotografias mais espetaculares são as que vivem mais tempo em nós.

O que diria que os noivos de hoje esperam do trabalho fotográfico?
Acho que acima de tudo querem ficar bonitos. Mas não só! Face à grande oferta diria que os noivos procuram algo mais, um toque artístico e pessoal, uma experiência nova. No fundo é a personalidade do fotógrafo e o seu olhar que faz a diferença. Se os noivos se identificarem com essa filosofia de imagem vão gostar da forma como o seu casamento será registado. O trabalho vem da individualidade de cada profissional, é isso que nos torna exclusivos.

Como funciona o processo criativo para as fotos do casamento? Geralmente as ideias surgem da parte dos noivos ou do fotógrafo?
As ideias surgem à medida que vou conhecendo os noivos. Da conversa nascem as ideias, as histórias, as sugestões e os locais. Tento não premeditar os encontros para ter a certeza que a sessão será uma criação conjunta associada a um momento de diversão.

O seu trabalho tem sido reconhecido a nível mundial. Quer falar-nos dos prémios que recebeu recentemente?
É sempre bom ser reconhecido, ainda mais quando fazemos o que gostamos e da maneira que queremos. Recentemente ficámos entre os melhores da reconhecida associação ISPWP ao lado de monstros da fotografia de casamento. Isto permitiu que já fizesse algumas viagens pois os contactos fora de Portugal, felizmente, são cada vez mais. É dos sites onde mais vou para refrescar os meus olhos porque é muito diversificado e um ótimo exemplo de como a criatividade nesta área não tem limites.

Qual foi o maior desafio profissional que já enfrentou?
Foi em Janeiro deste ano quando fotografei um casamento chinês em Hong Kong com mais de 300 convidados. Foi muito diferente de tudo aquilo que já conheci, muito estimulante. Sem dúvida um dos trabalhos mais marcantes.

Quais são os seus objetivos para o futuro?
Os objetivos passam por organizar alguns workshops quer em Portugal, quer no estrangeiro. O primeiro será em maior e já está lotado mas em breve irei anunciar novas datas. De resto, quero fazer o que sempre fiz, que é fotografar!

No casamento, o que o inspira mais para fotografar?
Sem dúvida as pessoas.

Veja algumas das melhores fotografias de Daniel Ribeiro na galeria “Daniel Ribeiro, o mestre fotógrafo de casamentos

Por Joana de Sousa Costa

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