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Daniel Merlin: «A pintura é uma aventura, é enfrentar o desconhecido todos os dias»

O artista argentino de 33 anos já se afirmou no mundo da arte como um artista irreverente e talentoso, o que lhe permitiu alcançar o reconhecimento mundial, sustentado pelos vários prémios que tem colecionado ao longo da sua carreira. No âmbito da inauguração de uma exposição em Lisboa, a MOOD foi falar com o pintor sobre o seu percurso, motivações e a sua técnica excêntrica e revolucionária no campo da arte.

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Nascido na Argentina em 1935, o pintor Daniel Merlin é já um grande nome na vizinha Espanha. Chega agora a Lisboa, com a exposição Mito, que estará patente na Galeria Art Loung Lisboa, de 10 de maio ao final de julho.

 

Tendo começado o seu percurso bastante cedo, rapidamente se apercebeu que este era o caminho que queria trilhar. «Quando era muito pequeno, os meus pais levavam-me a museus, onde podia contemplar as obras dos grandes artistas. Aqueles quadros eram, para mim, como magia. Na altura, na minha cabeça, não conseguia perceber como aquela junção de cores e imaginação podiam criar aquelas imagens tão fortes. Quando regressava a casa, passava horas a tentar imitá-las. Foi nessa altura que descobri o mais importante – a existência de um impulso muito poderoso e desconhecido que movia os homens: a inspiração», conta-nos o artista.

 

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«Recordo-me que os primeiros desenhos ‘não infantis’ foram retratos feitos com carvão», conta, dizendo que ainda guarda alguns deles e que quando os revê ainda se «surpreende com a força que têm». Ainda assim, declara não ter «a noção de que tinha talento», apesar de se «aperceber que as pessoas ficavam impressionadas com a paixão e o interesse» que apresentava desde tenra idade pela pintura. Foi graças a esse espanto e admiração que os seus pais o inscreveram numa fundação para jovens talentos, a Fundação para a Evolução de Talento e da Criatividade (FETC), em Buenos Aires, capital da Argentina.

 

A primeira exposição que Daniel Merlin fez tinha apenas 11 anos. «Para mim era como um jogo». No entanto, o jogo deixou de ser uma brincadeira quando «um senhor comprou um dos desenhos expostos. Foi nessa altura que descobri a diferença entre pintar e ser pintor. Soube, logo aí, que era a isto que me dedicaria o resto da minha vida», declara.

 

O pintor que já ganhou diversos prémios, entre os quais se pode destacar o ‘BMW Paiting Award’ em 2014, na 29ª edição de um dos mais importantes concursos para os jovens artistas, que tem o propósito de promover o talento de artistas espanhóis e dar a conhecer o talento dos jovens artistas.

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«Nessa altura estava numa fase de investigação. Queria descobrir o meu caminho na pintura e concentrei muito tempo nisso», explica, comparando que «foi como me preparar para as Olimpíadas». «Quando recebi o prémio simplesmente pensei que os jurados tinham conseguido reparar em todo o trabalho que estava por trás do quadro.» Este prémio significou, para o artista, o reconhecimento e concedeu-lhe uma sensação de alívio, «porque significava que estava no caminho certo». O quadro que lhe valeu este reconhecimento foi a representação de Samuel Beckett, dramaturgo irlandês.

 

O pintor que, até há cerca de quatro anos, utilizava a pintura a óleo como técnica predominante, partiu para uma vertente diferente do estilo mais clássico usado até então, a técnica de colagem sobreposta.

 

Daniel Merlin conta como surgiu a ideia de utilizar esta técnica, dentro das várias opções que existem na denominada pop art. «Estava muito impressionado pelo expressionismo alemão e pelo neorrealismo italiano que via retratado no cinema e comecei a pensar que poderia seguir essa direção também na pintura. Um gesto e uma mancha podiam ser o ponto de partida para as minhas obras, mas não sabia como expressá-lo numa tela», conta. «Destruí muitos desenhos antigos e apercebi-me que as manchas de algumas partes dos meus rascunhos tinham imensa força». Assim surgiu a ideia de «sobrepô-las para formar retratos», que era, para o argentino, a única forma de funcionarem em conjunto e seria isso que lhe concederia «uma força enorme».

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