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Dados de 115 anos mostram borboletas das montanhas mais resistentes às alterações climáticas

Investigadores espanhóis analisaram dados acumulados destes insetos na Península Ibérica, mostrando que as variações climáticas locais e a variabilidade topográfica podem proteger certas comunidades em pequena escala.

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Uma nova investigação com dados acumulados de 115 anos conclui que as borboletas que habitam nas montanhas resistem mais às alterações climáticas. Pesquisadores do Museu Nacional de Ciências de Naturais de Espanha e da Universidade Autónoma de Madrid analisaram os registos de borboletas da Península Ibérica de 1901 a 2016. Graças a esta longa série temporal, verificaram como a variação climática local e a heterogeneidade topográfica podem proteger estes insetos, mesmo que em pequena escala.

 

«Os insetos são bons indicadores do que está a acontecer na natureza. As borboletas, grupo de insetos com maior registo de distribuição na Península, são muito sensíveis às mudanças ambientais, ou seja, são bons bioindicadores também pelo seu ciclo de vida curto», indica o pesquisador do MNCN, Robert Wilson. «Por outro lado, a área do Mediterrâneo, uma área de especial relevância para a biodiversidade, sofre severamente os efeitos das alterações climáticas, bem como por outros fatores, como o abandono de terras, intensa urbanização em outras áreas, agricultura intensiva ou secas», continua Wilson.

 

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Com esta pesquisa, os investigadores verificaram que as variáveis ​​ambientais, como a temperatura e a precipitação, variam muito. No entanto, a resposta das populações de borboletas a essas mudanças não foi tão acentuada. Por outro lado, diferenças na orografia local e altitude amorteceram a resposta da comunidade ao aumento das temperaturas e secas, sugerindo que a heterogeneidade topográfica poderia proteger regionalmente as borboletas dos impactos das mudanças climáticas.

 

«Esses resultados sugerem que as comunidades que habitam áreas montanhosas podem estar parcialmente protegidas contra os efeitos das mudanças climáticas, pois a variação topográfica, que faz com que muitos microclimas apareçam em locais espacialmente próximos, podem reduzir o índice de aquecimento», indica.

 

«Portanto, os efeitos ecológicos das mudanças climáticas dependem em grande parte da distribuição geográfica de cada espécie em questão. Porém, além das mudanças climáticas, a biodiversidade enfrenta ameaças como mudanças no uso do solo, e este estudo mostrou que as borboletas responderam a um aumento da cobertura da vegetação florestal devido ao abandono», esclarece o investigador.

 

Falta de dados

Esta pesquisa destaca que uma das principais limitações desse tipo de estudo é a quantidade de dados disponíveis em cada região, enfatizando a necessidade de programas de monitorização de longo prazo para entender a resposta dos insetos às mudanças globais.

 

«Na Península Ibérica, começámos a acumular dados de tendência populacional de programas de monitorização de borboletas há relativamente pouco tempo, embora tenha havido programas pioneiros para esses estudos a nível regional. Este tipo de dados deve ser analisado em longas séries anuais para podermos interpretá-los corretamente, de modo a serem muito úteis num futuro próximo», acrescenta Juan Pablo Cancela, do Centro de Ecologia, Evolução e Mudanças Ambientais (CE3C) de Lisboa e colaborador nesta investigação.

 

A diversidade e abundância de insetos são comprometidas globalmente por diferentes ameaças, incluindo mudanças climáticas, degradação ou poluição do habitat, cuja intensidade varia geograficamente e ao longo do tempo.

 

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