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Da arte natural à arte urbana: o outro lado da Serra da Estrela

Conhecida como destino de inverno, a Serra da Estrela está a desvendar cada vez mais novas facetas. Uma natureza endógena única, uma renovação cultural na Covilhã e uma oferta gastronómica e hoteleira acolhedoras são argumentos suficientes para marcar a sua próxima viagem.

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É final de tarde e estamos quase a 2000 metros de altitude. Em plena primavera, o clima está ameno, a serra pintada de amarelo pela  flor típica, a Viola langeana, e o som…  bem, esse ecoa os vários concertos de rãs e sapos que a esta hora tomam conta do alto da Serra da Estrela. Habitam nos vários charcos temporários, as salgadeiras, que aqui se descobrem quando a neve desaparece. E é avassalador este som da natureza a cortar o silêncio típico das alturas.

 

Aqui encontramos uma natureza renovada, muitas vezes única em algumas espécies, que resiste a um duro inverno para florescer com os primeiros raios de sol. Não a descobrimos sozinhos, é na companhia de Nuno Adriano, um guia especializado nos caminhos da serra, que reparamos em flores raras, como a fritilária-nervosa que nos faz lembrar um candeeiro vintage e que em Portugal só existe nesta serra e no Gerês, ou a rã verde quase fluorescente, a rela, que se deixa observar de perto. Descobrimos também escondido num arbusto um delicado ninho com ovos de cor turquesa, da Ferreirinha-comum, e diversas flores minúsculas e coloridas, que assim se apresentam porque têm de se resguardar das intempéries destas alturas e esmerar-se para serem as mais belas e atrair os parcos polinizadores.

 

A par desta delicadeza, as paisagens com as suas enormes colunas graníticas e maciças fazem-nos viajar no tempo até à época glaciar, quando há milhões e milhões de anos elas afloraram à superfície. E, curiosamente, são denominadas hoje em dia como ‘queijeiras’, porque se assemelham à forma empilhada dos típicos queijos da Serra da Estrela. É impressionante como foram moldadas pela erosão. Pura arte natural.

 

Ficamos aqui a conhecer o Cântaro Raso, o Cântaro Magro e o Cântaro Gordo, as elevações que mais se destacam no planalto superior da Serra da Estrela. Daqui é visível o vale glaciar do Zêzere, que no máximo da glaciação atingiu os 13 km e uma espessura máxima de cerca de 300 metros. Veja imagens na galeria acima.

 

De salientar também no alto da serra a obra do Homem. A Senhora da Boa Estrela é uma escultura em relevo, feita na própria rocha a uma altura de sete metros. Foi elaborada por António Duarte, em 1946, sendo considerada a padroeira dos pastores e rebanhos.

 

Fazer turismo de natureza e descobrir todas estas particularidades é assim umas das grandes mais valias da Serra da Estrela e dos seus arredores para atrair novos visitantes ao longo de todo o ano, com uma oferta diversificada consoante a estação do ano. Seja a descobrir a natureza e a longevidade da serra em caminhadas, seja a refrescar-se nas várias lagoas que existem no alto da serra quando o calor aperta ou, claro, a divertir-se na neve em pleno inverno, saltitando por cima de toda esta história antiga e atual.

 

Oferta cultural renovada

Descemos agora à Covilhã. De há dez anos a esta parte, o Festival Wool traz novas cores à cidade, cobrindo de arte urbana inspirada na região as paredes de prémios antigos e devolutos. A edição de 2021 está de volta, de 26 de junho a 4 de julho, com novos artistas a deixarem a sua marca, e a juntarem-se às já cerca de 30 obras existentes nas ruas da cidade. Poderá acompanhar a sua criação ao vivo nessa altura.

 

Bordallo II já passou pela Covilhã, em 2014, deixando a Owl Eyes e a Tamara Alves deixou no mesmo ano a Wild Orphan. Vhils também lá deixou a sua marca em 2011, mas a obra já desapareceu, entretanto.

 

Artistas internacionais também ajudaram a colorir a cidade de arte urbana. Numa visita guiada que pode fazer em qualquer altura do ano, através da equipa do festival, pode descobrir a história por detrás da menina retratada em Hoy es el Futuro (2019), de Sebas Velasco, ou do enorme Monstro de Olhos no Focinho (2012), de Kram, e o que tem esta figura a ver com a região da Covilhã. Se o preferir fazer por sua conta, poderá saber mais sobre cada intervenção através do QRcode existente junto das mesmas.

Para breve está também a abertura do Museu da Covilhã, onde poderá encontrar um pouco da história e da contemporaneidade da cidade. Para já, consulte o guia de museus e património da Câmara Municipal para saber um pouco mais sobre o que visitar e decidir-se pelo Museu dos Lanifícios, pelo Museu do Queijo, pelo Museu Mineiro, entre outros. Uma localidade onde a ovelha é rainha, seja pelos queijos, seja pela herança das 200 fábricas de lanifícios que já aqui existiram, as tradições desta região podem ser revisitadas nestes núcleos.

 

Recomendado é também o New Hand Lab, um espaço que promove a criatividade, a inovação e o empreendedorismo através da concretização de ideias, produtos e iniciativas.

 

Onde ficar e onde comer?

Já viu que tem muito que palmilhar e descobrir, seja na serra ou na cidade. Depois, é preciso reconfortar o estômago e ter uma noite descansada para recuperar as energias. A MOOD ficou alojada no renovado Sport Hotel Gym + Spa, no centro da Covilhã, que, como o próprio nome indica, está vocacionado para quem tem na atividade física uma das suas preferências, seja a fazer caminhadas, escalada, esqui, BTT ou a descobrir o Parque Natural da Serra da Estrela – Estrela Geopark, recentemente confirmado como Geopark Mundial da UNESCO.

 

Além disso, todos os hóspedes podem aceitar o desafio indoor, Walk or Run Up, de subir as escadas do hotel até ao 11º piso, a andar ou a correr, ficando o ranking disponível numa aplicação no lobby do hotel.

 

A unidade do Grupo Natura IMB Hotels, que detém também na região o H2Otel, o Puralã, entre outros, apresenta 103 quartos, ginásio aberto 24 horas para os hóspedes, zona de SPA, hamman, duche com cromoterapia, tratamentos e massagens. De destacar também um buffet de pequeno-almoço até às 11h00 com propostas variadas e opções Sport Choice. Este é também um dos quatro hotéis em Portugal a dispor da certificação Gluten Free da Associação Portuguesa de Celíacos/Biotrab.

 

Mas por mais fit que se pretenda ser, uma experiência nesta região nunca fica completa sem a vertente gastronómica típica. A oferta é alargada e há sabores incontornáveis. Durante a nossa passagem, subimos a serra até às Penhas da Saúde e experimentámos o leque (muito) variado de petiscos da Casa do Clube. O único Wine Bar & Tapas acima dos 1500 m de altitude em Portugal oferece-lhe um pernil de leitão cozinhado durante 5h a baixa temperatura, chouriço de javali, ovos rotos ou os incontornáveis queijo da Serra da Estrela e presunto. Calorias deliciosas que se gastam facilmente numa caminhada pela serra.

 

Na mesma senda da cozinha regional, já na Covilhã, é obrigatório descobrir o restaurante DABeira, inserido no Covilhã Country Club. Este complexo desportivo com courts de ténis, squash e piscina exterior, permite uma viagem gastronómica pelos melhores sabores da região. Desde croquetes de cabrito, pão do neto recheado com queijo da serra e linguiça, um surpreendente escabeche de truta ou as apetitosas bolinhas de alheira com puré de maça fazem parte do cardápio.

 

Mas isto para começar, porque, em termos de pratos principais, a oferta também é vasta. Se continuar com fome depois das entradas, é optar pelo cabrito grelhado, bacalhau com queijo da serra ou mista de carnes. O difícil é mesmo escolher. Por isso, leve fome….  e tempo, porque o ambiente na esplanada ao lado da piscina convida a criar boas memórias na Covilhã. Boa viagem…

 

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