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Cursos de respeito para seres ignorantes

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Antes de começar a peça desta semana pensei mesmo em falar sobre coisas boas. Tinha-me prometido evitar palavras como guerra, crise, violência. Contudo, e porque sou mulher, e porque tudo o que afeta as mulheres me afeta a mim diretamente e a todas as mulheres que fazem parte da minha vida; a minha filha, a minha mãe, a minha irmã, a minha sobrinha, as minhas amigas e… todas as outras, não pude fazê-lo, uma vez mais.

 

O meu universo desvenda-se aqui, e conhecendo bem os efeitos que a Lei da Proximidade tem no ser humano, decidi que jamais poderia passar em branco o drama que centenas de mulheres sentiram na noite de passagem de ano, na cidade alemã de Colónia. Elas estavam longe, mas podiam estar perto, aliás, podia ser qualquer uma de nós mulheres, que estivesse a festejar nessa noite e se visse, de repente, a ser desrespeitada por uma cambada de bestas acéfalas com cérebro de amiba, que acharam normal, na gruta pré-histórica onde vivem, abusar de mulheres só porque, do inferno de onde vêm, isso é normal.

 

Pouco me importa se estes seres, que jamais deveriam ter sido paridos – sequer por uma porca – são caucasianos, negros, asiáticos ou se a sua religião é cristã, muçulmana, judaica ou budista. Pouco me importa se estavam bêbados ou sóbrios, ou se na terra de onde vêm ou onde já vivem é normal apalpar, desrespeitar e estropiar mulheres. A mim só me compete questionar em que raio de mundo vivemos, e se em pleno século 21, numa noite em que aparentemente deveríamos celebrar a alegria de estarmos vivos, pode ser expectável e normal que centenas de mulheres tenham sido alvo de violência sexual.

 

Não tenho respostas, gostava de tê-las. Infelizmente, nos dias subsequentes, li três notícias que me deixaram estarrecida, e me fizeram questionar se por um acaso estava a viver num pesadelo grotesco. Ficam três observações só para reflexão:

 

– A inação da polícia alemã face à situação, desculpando-se com o “ser difícil trabalhar desta maneira”. Hum? Então, a polícia atua contra hooligans num jogo de futebol mas aqui não consegue?

 

– A solução parece residir não na punição, mas na realização de cursos de “respeito às mulheres” para refugiados. Hein? Importa-se de repetir?

 

– Por último, afinal quem é que deve continuar a ser punido, são os abusadores ou as mulheres? É que face às declarações da presidente da Câmara Municipal, Henriette Rekerde “a melhor forma de as mulheres evitarem serem alvo de agressões sexuais é não se aproximarem de homens que não conheçam”. Quem são as vítimas afinal? Ou será que desta vez as mulheres também “estavam a pedi-las”?

 

Por esta semana é tudo! Esperemos uma semana melhor!

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