Home»ATUALIDADE»NOTÍCIAS»Curativo à base de abacaxi que facilita cicatrização desenvolvido no Brasil

Curativo à base de abacaxi que facilita cicatrização desenvolvido no Brasil

Investigadores de duas universidades brasileiras conseguiram criar um novo composto que cicatriza e age como anti-inflamatório em ferimentos, úlceras e queimaduras.

Pinterest Google+

Investigadores da Universidade de Sorocaba e da Universidade de Campinas, Brasil, conseguiram criar um curativo cicatrizante que age também como anti-inflamatório em ferimentos, úlceras e queimaduras. A equipa produziu um composto em forma de gel ou emplastro que tem como base a proteína do abacaxi, chamada bromelina, e celulose bacteriana, revela a BBC Brasil.

 

A bromelina tem a propriedade de quebrar moléculas de outras proteínas, pelo que é usada também para amaciar carne. «Essa mesma característica faz com ela remova as células mortas na ferida, limpando-a e acelerando a sua cicatrização», explica à BBC Janaína Artem Ataide, da Unicamp, autora principal do artigo publicado no jornal ‘Scientific Reports’.

 

VEJA TAMBÉM: NOVAS TENDÊNCIAS: A COMIDA DE VERÃO ESTÁ A MUDAR

 

Já a celulose é o biopolímero mais abundante da natureza, produzido principalmente por plantas. Mas também há alguns microorganismos, como a bactéria Gluconacetobacter xylinus, capazes de sintetizá-la. «Essa bactéria é uma biofábrica», explica a pesquisadora Angela Faustino Jozala, do Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos da Uniso, outra autora do artigo, ao site de notícias. «Ela produz a celulose como se tricotasse polímeros de glicose (açúcar)», pelo que já costuma ser utilizada em diversas aplicações médicas, como enxertos ou curativos de lesões, explica.

 

Os primeiros testes em laboratório foram feitos para verificar se a bromelina criava de facto uma barreira antimicrobiana, pois «ferimentos não cuidados são uma porta aberta para micro-organismos, o que pode levar a infeções graves. Por isso, necessitam de um bom curativo, que ajude na cicatrização e evite contaminação. Além disso, deve ser capaz ainda de propiciar atividade antioxidante, para diminuir o processo inflamatório de células mortas e pus», explica Jozala. A proteína do abacaxi conseguiu preencher esses requisitos.

 

VEJA TAMBÉM: ALIMENTOS ANTI-INFLAMATÓRIOS: AJUDE O SEU CORPO A DEFENDER-SE

 

O novo curativo já passou a pela primeira fase de desenvolvimento de um medicamento, feito em laboratório para verificar se tem o efeito desejado e não é tóxico. Agora, segue-se a fase dois, que será fazer testes em animais.

Artigo anterior

Nove conselhos para umas férias ciberseguras

Próximo artigo

Como dar a volta ao cansaço