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Cuidados redobrados com a saúde da visão das crianças em idade escolar

Por falta de melhor referencial, uma criança pode assumir que a sua atual má visão é visão “normal”. É por isso crucial que os adultos estejam atentos à visão das crianças. O optometrista Raúl de Sousa dá conta das alterações visuais mais frequentes na infância e dos cuidados a ter com este órgão.

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Astigmatismo: É um erro refrativo caraterizado pela variação de potência refrativa ao longo dos diferentes meridianos do olho. Implica que há determinados pormenores da imagem que estarão mais desfocados do que outros. Os efeitos produzidos variam consoante a gravidade. Nos casos que apresentam pequeno grau astigmático, podem não surgir efeitos típicos, havendo apenas astenopia, cansaço visual com esforço prolongado de visão, uma vez que a pessoa tenta obter uma imagem mais nítida com maior tempo de fixação. Entre diversos outros efeitos, são também comuns fotofobia, a dificuldade de encarar a luz, bem como irritação conjuntival acompanhada de picadas.

 

Ambliopia: Também conhecida por «olho preguiçoso», esta condição consiste na diminuição da acuidade visual de um ou dos dois olhos, não melhorável com óculos ou lentes de contacto, devido a problemas no desenvolvimento da visão, e afeta principalmente as crianças. Uma diferença significativa na qualidade de visão entre os dois olhos é um sinal fortemente associado à ambliopia unilateral. A dificuldade em ler um livro ou realizar tarefas visuais simples, mesmo com recurso a óculos ou lentes de contacto, são sinais associados à ambliopia bilateral.

 

Estrabismo: Consiste na incapacidade de fixar os dois olhos com a visão central, simultaneamente, no mesmo objeto. Um sinal típico é um evidente desalinhamento entre os dois olhos, embora haja casos onde o desalinhamento não é evidente. Os olhos devem estar orientados para o mesmo ponto de fixação, em todas as posições e movimentos. Se os olhos não se dirigem exatamente para o mesmo ponto de fixação, o cérebro perceciona duas imagens do mesmo objeto, que não consegue fundir, e a criança acaba por ter visão dupla. Para além de impedir a perceção tridimensional, o estrabismo pode levar a que o olho desviado perca ou não desenvolva função visual.

 

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Os cuidados com a saúde da visão estendem-se a qualquer criança.

Apesar de existir um especial cuidado com a saúde da visão das crianças que apresentam alguma alteração da visão, importa não esquecer que é estritamente necessário que se tomem medidas preventivas para o desenvolvimento de condições visuais ou doenças oculares em idades posteriores. Desta forma, toda a família deve seguir as seguintes recomendações:

 

  • Iluminar a divisão da casa sempre que a criança está a estudar ou a utilizar um dispositivo tecnológico, de modo a reduzir o esforço visual;
  • Garantir que a criança esteja a uma distância adequada da televisão, smartphone, computador, tablet, etc.;
  • Fazer pausas, olhando para longe, para descansar a visão a cada hora;
  • Regularmente comparar a visão entre os dois olhos da criança;
  • Sempre que sair à rua, utilizar óculos de sol com uma correta proteção contra raios ultravioleta;
  • Não utilizar o telemóvel antes de ir dormir ou quando estiver na cama;
  • Dormir o número de horas recomendado, para garantir o descanso da visão;
  • Consultar regularmente um optometrista ou um oftalmologista.

 

Por Raúl de Sousa

Optometrista e presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO)

 

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