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Cuidados paliativos: «A rede não está preparada, nem em quantidade de recursos estruturais, nem de financiamento, nem de competências profissionais»

Manuel Luís Capelas, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, conta-nos como este é um serviço obrigatório, em falta em muitos hospitais e que serve apenas 2% de quem deles necessita. São serviços cada vez mais procurados, mas que não estão preparados para toda esta pressão.

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E em 2017, ao que sabemos, alguns hospitais ainda não têm este serviço ativo. O que está a falhar?

Poder e vontade politica para fazer cumprir o que emana do Ministério da Saúde. Importa referir que não basta ter serviços. É fundamental ter profissionais de saúde devidamente capacitados e com o tempo de alocação aos cuidados paliativos total. Este é um grande problema, pois existem equipas/unidades em que além de não terem os profissionais com capacitação para tal, como emana internacionalmente e dos documentos nacionais, também não têm o tempo de alocação necessário para o funcionamento adequado destes serviços/equipas.

 

Quem são os doentes que chegam aos cuidados paliativos?

Muito pouco e muito perto já do final da sua vida. Na grande maioria dos casos, nas ultimas 2-3 semanas de vida.

 

De que doenças padecem?

Essencialmente de oncológicas.

 

Veja também: Já conhece o Código Europeu Contra o Cancro?

 

O sofrimento destes doentes estende-se às suas famílias. Nos cuidados paliativos também têm de cuidar do seio familiar?

Sim. Como poderá verificar na definição de cuidados paliativos, da Organização Mundial da Saúde, a família também deve ser o alvo dos cuidados paliativos.

 

Na sociedade, os cuidados paliativos estão muito associados ao fim da linha, nomeadamente dos pacientes com cancro terminal. Como se combate este estigma?

Tem que ser combatido com massificação junto da população do que consta os cuidados paliativos.

 

Tendo consciência do seu estado de saúde e finitude próxima, qual o estado mental e o que vos transmitem os doentes que vos chegam em estado terminal?

Depende de caso para caso. O que se sabe é que se forem bem apoiados encaram esta fase com grande serenidade e realidade.

 

O que ainda falta fazer para melhorar estes serviços cada vez mais essenciais?

Mais uma vez, vontade politica séria, forte investimento e reconhecimento destes cuidados como problema de saúde pública e de direitos humanos.

 

 

 

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