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Cristina Pombo: «Na homeopatia conseguimos tratar a maior parte das doenças sem recorrer a medicamentos químicos»

É licenciada em Ciências Farmacêuticas, mas decidiu deixar tudo para trás quando descobriu o potencial da homeopatia, uma terapia alternativa que já é comparticipada em alguns países, como Inglaterra e Suíça, mas que em Portugal não está devidamente enquadrada. Num mundo que está demasiado exposto a químicos, quer agora dar a conhecer o valor e poder da homeopatia para tratar as pessoas. Acaba de lançar o livro ‘Homeopatia - Uma Medicina Alternativa’, onde esclarece todas as dúvidas sobre esta prática. E nós já esclarecemos algumas.

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A homeopatia trata a origem do problema, certo? Pode explicar o conceito de ser humano segundo a homeopatia?

Sim, a homeopatia trata a origem do desequilíbrio que desencadeia o conjunto de sinais e sintomas a que chamamos doença.

Em relação ao conceito de ser humano, vou citar o maior homeopata vivo, o Prof. George Vithoulkas, premiado com o Prémio Nobel Alternativo em 1996, (…). “O ser humano é um todo integrado, atuando a todo o momento em três níveis distintos: o mental, o emocional e o físico, sendo que o nível mental é o mais importante, e o físico o menos importante.”

 

Como o homeopata faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através da anamnese, ou seja, a partir de perguntas especificamente dirigidas à explicação em pormenor dos sintomas do doente a nível físico, emocional e mental.

 

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O que são as leis da homeopatia? Pode resumi-las?

As leis da homeopatia são os princípios pelos quais este tipo de medicina se rege. São fundamentalmente:

– Tratar usando a lei da semelhança, por exemplo, o grão do café é um produto natural que preparado homeopaticamente é indicado para certo tipo de insónias, pois ele próprio causa esse mesmo tipo de sintomas se tomado na forma química vulgar, nos indivíduos mais sensíveis;

– Quando tratamos só devemos usar um medicamento de cada vez, pois só conhecemos os efeitos dos medicamentos tomados isoladamente;

– Devemos usar a mínima dose que provoque o efeito desejado;

– Considerar sempre o paciente como único e tomar sempre em consideração a sua expressão mental, emocional e física.

 

Diz no livro que “somos o que pensamos”. Pode explicar melhor?

No livro digo que somos especialmente o que pensamos, pois de acordo com a definição de ser humano o nível mental é o mais importante. O nível seguinte em importância é o emocional e, portanto, como é fácil de perceber, primeiro pensamos, depois sentimos e a seguir dá-se uma expressão física como comer, chorar, escrever… No fundo estes 3 níveis estão tão fundamentalmente interligados que tudo o que se passe num nível é imediatamente sentido pelos outros.

 

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Pode explicar melhor o conceito de que quando se toma um medicamento homeopático, sendo saudável, se pode manifestar os sintomas da doença?

É esse conceito que permite os ensaios dos medicamentos em humanos saudáveis chamados de “provas”. Estas provas têm regras muito claras e específicas para serem feitas, pois só os seres humanos sensíveis a um determinado medicamento podem fazer a prova do mesmo.

Vai haver sempre uma maioria de humanos saudáveis, em que o medicamento administrado não tem qualquer efeito.

Quando há um efeito com desenvolvimento de um quadro de sintomas, esses sintomas são os que o medicamento trata em indivíduos doentes. Durante as provas os sintomas são reversíveis quando o medicamento deixa de ser administrado.

Em conclusão, se alguém decidir tomar um frasco inteiro de um determinado medicamento homeopático para ver se lhe acontece alguma coisa, o mais provável é não acontecer nada. Só desenvolve sintomas um indivíduo saudável que seja sensível a esse medicamento, e esses sintomas são reversíveis quando ele deixar de o tomar.

 

Os portugueses usam a homeopatia? Qual a sua posição em relação a esta prática?

Há várias questões relacionadas com o uso da homeopatia em Portugal. Primeiro que tudo, não estamos num país em que haja tradição alternativa na saúde. Basta dizer que no Reino Unido já existiam hospitais homeopáticos em Londres no séc. XIX e nos anos 40 a homeopatia passou a ser comparticipada pelo NHS (serviço nacional de saúde inglês).

Na Suíça passou também a ser comparticipada em 2007. Em Portugal só em 2003 passou a ser legal. A legislação está incompleta e, portanto, qualquer pessoa pode dizer que faz homeopatia. Não há formação adequada e, portanto, chama-se homeopatia à naturopatia e à complexo terapia e mesmo nas farmácias os medicamentos complexos que este tipo de terapêutica usa são apelidados de homeopáticos, mesmo indo contra todas as leis da homeopatia. Os medicamentos homeopáticos vendem-se nas farmácias, mas também aí ninguém sabe o que realmente são ou para que servem pois não há formação adequada.

Mesmo assim os doentes procuram uma alternativa em que confiem e essa procura tem estado sempre a aumentar.

 

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A sociedade atual abusa dos medicamentos químicos? Que repercussões pode trazer?

Sem dúvida. E não só se abusa na toma de medicamentos químicos diretamente, como indiretamente em quase tudo o que comemos. Os antibióticos são um caso flagrante, e mesmo depois de constantes avisos, inclusive por parte da OMS, a maior parte dos países, incluindo o nosso, não tem tomado medidas para travar esta situação.

As repercussões a nível da saúde das populações são claras: cada vez vemos mais e de forma mais prematura o desenvolvimento de doenças crónicas degenerativas e autoimunes que condicionam tragicamente a saúde e a qualidade de vida das pessoas.

 

Como a homeopatia pode ajudar?

A homeopatia pode ajudar muito, pois conseguimos tratar a maior parte das doenças sem recorrer a medicamentos químicos. No caso das infeções e especialmente em crianças conseguimos que não seja necessário usar antibióticos pelo menos durante os primeiros anos de vida, o que é determinante para a sua saúde futura.

 

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