Home»VIDA»ALTERNATIVAS»Cristina Pombo: «Na homeopatia conseguimos tratar a maior parte das doenças sem recorrer a medicamentos químicos»

Cristina Pombo: «Na homeopatia conseguimos tratar a maior parte das doenças sem recorrer a medicamentos químicos»

É licenciada em Ciências Farmacêuticas, mas decidiu deixar tudo para trás quando descobriu o potencial da homeopatia, uma terapia alternativa que já é comparticipada em alguns países, como Inglaterra e Suíça, mas que em Portugal não está devidamente enquadrada. Num mundo que está demasiado exposto a químicos, quer agora dar a conhecer o valor e poder da homeopatia para tratar as pessoas. Acaba de lançar o livro ‘Homeopatia - Uma Medicina Alternativa’, onde esclarece todas as dúvidas sobre esta prática. E nós já esclarecemos algumas.

Pinterest Google+

Porque decidiu escrever este livro?

Trabalho como homeopata há 10 anos, estudo homeopatia há 17 anos e uso homeopatia há 25 anos, durante este tempo sempre que vi publicado algum artigo sobre homeopatia ou alguma reportagem na TV em que alguém mencionou a homeopatia, a grande maioria das vezes foi uma desilusão total. A grande maioria das pessoas, mesmo as consideradas mais esclarecidas, não tem a informação correta do que é que esta medicina alternativa é, o que pode tratar, o que são medicamentos homeopáticos e quais os princípios que regem um tratamento homeopático. Com o tempo, fui desenvolvendo a ideia de explicar tudo isto num livro de fácil leitura e esclarecedor.

 

O que levou uma farmacêutica a deixar a área pela homeopatia?

Como explico na introdução do livro, não foi fácil, claro. Mas foi a conclusão de anos de insatisfação com os trabalhos que tive em diferentes áreas da medicina convencional. A escolha da área de saúde foi feita por vocação e embora tenha sido rica em aprendizagem técnica, foi gradualmente empobrecendo o espírito da minha vocação.

 

Que vantagem lhe traz essa experiência farmacêutica?

Traz algumas vantagens claro. Primeiro que tudo, para alguns doentes mais conservadores e céticos, o facto de ser farmacêutica dá-lhes alguma confiança na primeira abordagem. Por outro lado, o conhecimento que tenho das patologias, dos testes de diagnóstico e dos medicamentos químicos traz alguma vantagem em casos de patologias mais complicadas, como por exemplo na maneira de fazer o “desmame” de medicamentos químicos durante um tratamento crónico.

 

VEJA TAMBÉM: DOENÇAS RESPIRATÓRIAS: AS SOLUÇÕES DA HOMEOPATIA

 

Qual a diferença entre os dois sistemas?

A diferença entre a homeopatia e a medicina convencional é muito grande. Muito resumidamente, pela maneira como se olha para o doente e para as doenças, pela maneira como se tratam os doentes, pelo tipo de medicamentos que se usa.

Na medicina convencional o ser humano divide-se em diferentes aparelhos e sistemas que estão a funcionar mal quando se está doente, assim cada especialista de cada aparelho pede os seus testes para conseguir um diagnóstico, para depois poder prescrever os medicamentos químicos normalmente indicados nesse tipo de diagnóstico ou intervir com a cirurgia recomendada. É um tipo de medicina essencialmente mecanicista.

A homeopatia não divide o ser humano, considera-o num todo, não só de aparelhos e sistemas interligados, mas incluindo também a parte emocional e a parte mental. Portanto, numa consulta em que o doente se queixa de dores de estômago, vamos também investigar os outros sistemas, investigar o histórico a nível de saúde, vamos perceber ainda se há algo a nível emocional ou mental que esteja a influenciar o seu equilíbrio e vamos também investigar que tipo de predisposições genéticas e características hereditárias possam ter influência na sua saúde.

 

Os princípios terapêuticos são opostos, na homeopatia tratamos pela semelhança, na medicina convencional tratamos pelo princípio dos contrários, daí os medicamentos terem uma denominação tipo anti-inflamatórios, anti-histamínicos, antibióticos, anti víricos, etc. Também os medicamentos são químicos e ensaiados em animais, os medicamentos homeopáticos têm uma origem natural, são ensaiados em humanos e têm uma indicação personalizada, ou seja doentes diferentes com infecção urinária, por exemplo,  recebem muito provavelmente medicamentos diferentes, porque a ideia não é matar a bactéria em causa, mas sim dar o medicamento necessário para estimular cada organismo a resolver a infecção. Como o medicamento foi indicado pelo todo da doente, não só vai resolver a infecção mas também poderá resolver a depressão, ansiedade, enxaquecas etc., que a doente também se queixou durante a consulta.

 

Os medicamentos homeopáticos são tão potentes como os químicos? Quais as diferenças?

Podem ser sim, daí que as nossas diferentes dosagens se chamem potências. A questão na homeopatia é encontrar o medicamento certo e prescrever na potência certa e com a frequência mais indicada.

Claro que em situações agudas e ou de carácter urgente é mais fácil de ver a sua eficácia e rapidez de ação. Se num caso agudo, mesmo com dores intensas, for escolhido o medicamento certo a ação pode ser tão ou mais rápida que uma injeção. Nos casos crónicos sucede o mesmo, mas tal como este tipo de afecções demora mais tempo a instalar-se, normalmente anos, também demora mais tempo a tratar.

A grande diferença nos casos crónicos é que com medicamentos homeopáticos conseguimos muitas vezes tratar o problema, enquanto que no caso dos medicamentos químicos os doentes têm a indicação de que terão de tomar os medicamentos até ao fim da vida, porque eles na realidade não tratam, apenas suprimem os sintomas. Outra grande diferença é que os medicamentos químicos têm efeitos secundários enquanto os homeopáticos não têm.

 

VEJA TAMBÉM: NATUREZA TERAPÊUTICA: 15 PLANTAS QUE VÃO MELHORAR A SUA VIDA

 

Trata todas as doenças?

Em homeopatia tratamos doentes, não doenças. Portanto, o prognóstico de uma doença crónica depende do nível de saúde que o doente apresenta no global, não da doença que normalmente já traz diagnosticada.

Por exemplo, tenho casos de fibromialgia ou artrite reumatoide tratados, o que não quer dizer que isso seja possível com todos os doentes diagnosticados com essas doenças. O mesmo se pode dizer de casos de depressão ou ansiedade ou problemas de desenvolvimento em crianças.

Mas, por exemplo, no caso de inflamações ou infeções agudas (otites, amigdalites, bronquiolites, infeções urinárias, asma, etc.), especialmente em crianças, a taxa de sucesso é muito grande.

 

Como funcionam? Por exemplo, para tratar uma gripe, como se faz?

O caso de uma gripe trata-se da mesma maneira que outro tipo de infeção aguda qualquer. Toma-se nota dos sintomas físicos e as suas modalidades, por exemplo – caso de gripe numa criança ou adulto – precisamos saber os sintomas que apresenta, febre ou não, se sim, quais as características da febre, se tem sede ou não, se sim, se prefere bebidas frias ou quentes, se transpira ou não, se tem tosse ou dores de garganta ou ouvidos e, se sim, as características das dores, se há agitação ou falta de energia, se tem dores no corpo ou não, se há alteração do estado emocional ou não, etc.

Normalmente um caso de gripe é fácil de tratar e bastam 3 características para medicar, no entanto depende de cada doente, pois em alguns casos pela fraca capacidade do sistema defensivo do doente a gripe acaba por se complicar para infeções do aparelho respiratório. Parece muito complicado, mas para quem está habituado é uma questão de minutos e a maior parte das vezes trato as gripes pelo telefone.

Artigo anterior

Alegre a sua casa com as melhores flores outonais

Próximo artigo

Superalimentos para a pele e cabelo em destaque na In Beauty