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Creio logo existo (Parte 1)

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Ao longo dos artigos que tenho vindo aqui a escrever, tenho falado de como funciona o nosso cérebro e dos mecanismos que usamos para filtrar a informação que chega até nós.
Assim, hoje, gostaria de falar de um dos mais poderosos e também mais facilmente identificável filtro que possuímos: as nossas crenças.
É frequente relacionarmos esta palavra com a religião e de facto muitas crenças estão associadas à religião, mas, num sentido mais geral, uma crença é um dos componentes principais da nossa estrutura mais profunda. As crenças determinam aquilo a que damos valor ou não, regem as nossas escolhas e têm uma relação directa com o nosso sistema de valores.
São mais fáceis de identificar em nós próprios e nos outros que os valores, já que não precisamos de muito tempo para pensar em meia dúzia de crenças que possuímos. Vejamos então alguns exemplos de crenças mais comuns:
– “Não se deve roubar”
– “É feio mentir”
– “Não se deve comer laranja depois de beber leite”

 

Também os ditados populares contribuem e muito para a formação generalizada de crenças e como foram criados pelas pessoas ao longo dos tempos, acontece muitas vezes contradizerem-se, por exemplo:
– “Quem tudo quer, tudo perde” e “Quem não arrisca não petisca”.

 

A vida e a própria História estão cheias de evidências do impacto que as crenças têm e como estas têm sido e são condicionadas por elas.  Uma história que conto com frequência é a do atleta inglês de meia distância, Sir Roger Bannister. Durante séculos, a crença generalizada dizia que era impossível correr a milha (cerca de 1600 metros) abaixo de 4 minutos. Eram vários os especialistas que o afirmavam e claro se eles diziam é porque era impossível… Para reforçar esta crença, nos anos 40, o recorde permaneceu teimosamente em 4:01 o que fez com que muitos atletas se vissem forçados a concordar com os peritos. Talvez fosse mesmo impossível quebrar a dita marca. Só que a 6 de Maio de 1954, Roger Bannister bateu a marca, fixando-a em 3:59.40. Só que o mais interessante da história não é isto, na minha opinião. O mais interessante é que, nesse mesmo ano, vários outros atletas correram a mesma distância em menos de 4 minutos e acabaram mesmo por bater o recorde do próprio Bannister.

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