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Creche, avós ou amas: com quem devo deixar o meu filho?

Não é fácil para nenhuma mãe ou pai a separação dos seus filhos, colocando-os nas “mãos de outras pessoas”, mesmo de familiares.

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A quem deixar o seu filho – creche, avós ou amas. Provavelmente, a questão que mais ocupa a mente das famílias atuais e que mais discussões provavelmente originou.

 

Se à primeira vista pode ser uma escolha banal e sem importância, dedicando um pouco de atenção rapidamente se percebe que é uma decisão significativa para o desenvolvimento cognitivo, emocional, físico e social da criança.

 

Não é fácil para nenhuma mãe ou pai a separação dos seus filhos, colocando-os nas “mãos de outras pessoas”, mesmo de familiares, no entanto, com as modificações da estrutura familiar da reorganização de papéis e dinâmicas e da evolução da sociedade tal facto é inevitavelmente uma necessidade.

 

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Perante essa necessidade, que alternativa escolher?

Não existe uma resposta correta com bases científicas sólidas. Existem várias investigações na área com resultados bastante diversos.  Como tal, a resposta correta é aquela que trouxer mais benefícios para a criança tendo em conta as capacidades e disponibilidade do contexto familiar, bem como as características da criança, especialmente, o seu desenvolvimento, personalidade, eventuais limitações ou dificuldades.

 

As variáveis a ter em conta são muitas, mas o mais importante é confiar e conhecer o adulto/equipa que terá a seu cargo a criança, as características do local, as rotinas, as regras e atividades propostas.

 

Tenha em mente que nesta fase inicial da vida das crianças é crucial o desenvolvimento de capacidades motoras, psicossociais e cognitivas, fundamentais para uma adequada adaptação em contexto escolar.

 

O ambiente onde a criança está inserida tem um impacto crucial neste desenvolvimento, no entanto, estas capacidades podem ser desenvolvidas nos três contextos.

Mãe e filha

Na creche, existem atividades de estimulação cognitiva adequadas à faixa etária da criança e também de adaptação face ao contexto escolar que se aproxima. O facto de a criança frequentar a creche desde muito jovem não é necessariamente negativo, podendo mesmo ter um impacto positivo na adaptação a vários contextos e ao desenvolvimento de diversas competências necessárias, nomeadamente sociais, de autonomia e independência. A criança estará em contacto com outras crianças, o que estimula a socialização, e de adultos especializados que podem favorecer o desenvolvimento da mesma. Para além destes fatores, na creche a criança está exposta a rotinas diárias saudáveis que podem favorecer a adaptação ao futuro contexto escolar.

 

Nos avós, o desenvolvimento de competências emocionais é dominante. Quando as crianças ficam nos avós, o sentimento de segurança e conforto é maior do que noutro contexto. Existe confiança e também flexibilidade de horários. De facto, existem avós que são verdadeiros educadores e ajudam a criança no desenvolvimento de capacidades cognitivas e psicossociais.

 

Nas amas, as competências da criança podem ser, também, desenvolvidas. É importante ter em conta a experiência e perfil da ama, a formação, o tipo de rotinas que pratica e as práticas educativas pelas quais se rege. A ama pode ter um papel de cuidador que pelas suas características rege-se por um contacto mais individualizado, responsivo e sensitivo.

 

Para facilitar a escolha tenha em mente que:

  • Estudos demonstram que nos primeiros meses de vida é importante o bebé estar com os adultos significativos de vinculação, nomeadamente a mãe, estabelecendo um contacto físico próximo, essencial para o seu desenvolvimento saudável e padrões de vinculação;
  • A passagem de casa dos pais para qualquer outro local deve ser progressiva, de forma que a criança se adapte à nova realidade e novos intervenientes, sentindo-se segura e confiante. Explique à criança, com uma linguagem adequada ao seu desenvolvimento, para onde vai, o que fará, como será a rotina em geral, realçando as partes divertidas. Não saia do novo local (seja creche, ama ou avós) sem se despedir da criança. Assegure uma despedida tranquila, sem dramas. Evite as despedidas intermináveis, pois fazem-na parecer demasiado séria.
  • O cuidador deve partilhar as crenças dos pais acerca das práticas parentais e tem de ser alguém responsivo e sensitivo às necessidades da criança e que favoreça o desenvolvimento de competências necessárias à faixa etária em questão;
  • Tem de ter em conta a idade e o desenvolvimento da criança, bem como as suas características de personalidade (e.g. uma criança mais introvertida poderá adquirir mais competências de socialização se frequentar a creche);
  • Não existe um tempo perfeito igual para todas as crianças, daí a necessidade de fazer uma avaliação ponderada em família daquilo que pode ser mais saudável para a criança em questão.
  • Tente não manifestar ansiedade ou insegurança. Adote uma atitude otimista, encarando a situação como uma experiência boa e positiva. Por mais que pareça tentador, evite a falta de rotinas constante, por exemplo, uns dias ir, outros não, depois voltar a ir.
  • Esteja disponível e dedicado à transição e procure ter tempo de qualidade em casa com a criança para perceber como está, como se sente e do que precisa.

 

Por fim, descomplique!

 

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