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Contrariar a nossa personalidade no trabalho é perigoso

Um estudo da Universidade de Cambridge mostra que suprimir a nossa personalidade natural por um longo período de tempo no trabalho pode causar stress, síndrome de burnout e até consequências na saúde física

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O nosso trabalho pode exigir que sejamos mais organizados ou sociáveis do que somos no âmbito pessoal, contrariando a nossa personalidade. Sanna Balsari-Palsule propôs-se analisar na sua tese de doutoramento na Universidade de Cambridge as consequências deste fenómeno quando ele acontece por um longo período de tempo.

O estudo tem por base a premissa de que, apesar de alguns traços de personalidade terem raiz genética e, como tal, serem difíceis de alterar, também somos capazes de contrariar estes traços, o que o psicólogo Brian Little, a colaborar no estudo, chamou de traços livres. No entanto, o investigador explica que estes têm um preço: se usarmos os traços livres por demasiado tempo, podemos sofrer de stress e até consequências na saúde física.

Balsari-Palsule quis estudar este ponto mais a fundo, em particular no local de trabalho, onde muitas vezes somos pressionados a agir de acordo com determinados padrões. A investigadora reuniu 300 funcionários de uma empresa para testes de personalidade e perguntas sobre o trabalho juntou a isto informação recolhida na empresa.

Apesar das conclusões do estudo serem ainda preliminares, Balsari-Palsule concluiu para já que pessoas extrovertidas sofrem no trabalho quando têm de se retrair, passando longas horas sozinhas na secretária, assim como as pessoas tímidas passam um mau bocado ao forçarem a sociabilidade. Como resultado aparece stress e insatisfação no trabalho. Isto acontece particularmente com os funcionários mais jovens.

Além de relacionar a supressão da personalidade à infelicidade no trabalho, o estudo mostrou uma ligação ao estado de saúde, nomeadamente numa diminuição do sistema imunitário. O coração acelerado e músculos tensos, indicadores de stress, são sintomas frequentes nestas pessoas.

O grupo de investigadores estima que estas consequências se apliquem a todos os que têm de contrariar pelo menos um dos grandes cinco traços de personalidade: abertura, consciência, agradabilidade e neuroticismo e a mencionada introversão.

Brian Little diz ainda que é crucial ter tempo restorativo para desfazer os danos causados, permitindo comportar-se de forma fiel à sua personalidade. Por exemplo, a investigação mostrou que as pessoas extrovertidas que conseguiam ter um momento de sociabilidade durante o dia, almoçando com os colegas, por exemplo, mostravam menos sinais de stress durante o resto do dia.

Por Joana de Sousa Costa

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