Home»ATUALIDADE»ESPECIALISTAS»Consumo: Salvem-nos do ridículo

Consumo: Salvem-nos do ridículo

Nos últimos anos a sustentabilidade tomou conta das estratégias das empresas e da gestão de marcas. Ser uma marca mais sustentável é imperativo.

Pinterest Google+

Já tanto se falou sobre as alterações que esta pandemia trouxe ao nosso dia-a-dia e das oportunidades que essas alterações trouxeram para o consumidor, as empresas, os negócios, as marcas e, até, o meio ambiente.

 

Nos últimos anos a sustentabilidade tomou conta das estratégias das empresas e da gestão de marcas. Ser uma marca mais sustentável é imperativo. Importa fornecer produtos que contribuam para a redução da pegada ecológica, que sejam garante de um futuro melhor para todos e por isso temos assistido a um grande investimento no desenvolvimento de novos produtos que cumpram estes requisitos. A procura de alternativas ao plástico tem sido intensa e é assumida por todos (uns mais fundamentalistas que outros) como uma necessidade premente.

 

Por todo o Mundo assistimos a iniciativas de incentivo à redução do plástico, como o “Plastic Free July” ou as taxas na venda de sacos plásticos no comércio, contudo, a pandemia que tomou conta de 2020 veio trazer um retrocesso nestes esforços:

  • Em certos países passou a ser proibido levar sacos próprios para os supermercados,
  • Aumentou drasticamente o uso de luvas de plástico,
  • A utilização de serviços de “comida para levar” fez disparar a venda de embalagens descartáveis, e
  • As máscaras que somos obrigados a usar estão misturadas com microplásticos.

 

É verdade que a saúde é a nossa principal prioridade, mas convenhamos que deve ser possível encontrar um equilíbrio no meio deste ano tão desequilibrado, por exemplo:

  • Escolhendo máscaras de pano reutilizáveis (que cumpram, obviamente, as recomendações da DGS),
  • Optando por levar embalagens de casa para recolha da comida no take-away ou
  • Substituindo os sacos de plástico para fruta ou legumes por sacolas de pano (lindas e fofas).

 

Assumo aqui publicamente que há comportamentos mais sustentáveis que já adotei, em casa e na gestão de um departamento que por si só é, normalmente, gerador de resíduos ambientalmente pouco sustentáveis (merchandising, material de comunicação, entre outros) mas, há um que ainda não consegui pôr em prática e que é deixar de usar os sacos plásticos para a fruta e os legumes.

 

As alternativas reutilizáveis são ainda caras e a quantidade necessária é sempre incerta. Não serve de desculpa, bem sei. Mea-culpa por este comportamento “irresponsável” (ainda que aproveite sempre os ditos saquinhos para outros fins) mas ainda não me tinha feito de verdade o ‘clique’ para a mudança. Não tinha, até ontem.

 

Acabaram os legumes, já tinha pouca fruta, estava na hora de ir às compras (num hipermercado que a hora já não era de ir à mercearia). Máscara posta e mãos desinfetadas à entrada (e frias que o tempo já não está para calores). Dou por mim, em frente à couve-flor a tentar abrir um saco daqueles fininhos (estão cada vez mais finos ou é de mim?), e ali estive vários segundos até conseguir, passei às cenouras e encontrei o mesmo desafio.  Já em frente ao feijão verde está outra cliente a praguejar contra o dito saco e sobre a dificuldade em abri-lo, comentando: ”Ainda por cima agora não podemos “lamber o dedo” para ajudar. Ao que chegamos!”.

 

Antes da COVID-19 (AdC) não tinha esse hábito, o de “lamber o dedo”, mas tinha a oportunidade de soprar um pouco e, não tinha as mãos secas como um bacalhau de tanto desinfetante. E, ali, naquela nova necessidade, fez-se o ‘clique’ (fica uma dica de prenda de Natal, sacos reutilizáveis para as compras de frutas e legumes) e a vontade de agarrar um conjuntinho de sacos reutilizáveis que estão agora disponíveis nesta secção. Ontem não foi o dia para essa aquisição, mas, na volta para casa desta rotina de tantos nós, só pensava, por favor salvem-nos do ridículo!

 

Já ajudei outros clientes nas compras, até já posso ter comentado o aumento dos preços de um qualquer bem, mas nunca pensei ver-me na situação (ridícula), de estar a lutar para abrir um saco de plástico e isso ser motivo de conversa com uma vizinha anónima de compras.

 

De facto, é bem verdade que quando somos forçados a pensar sobre os nossos comportamentos, saindo do automatismo em que vivemos diariamente, temos a oportunidade de rever como nos comportamos e mudar hábitos adquiridos. Esperemos que não tenhamos de ser sujeitos ao ridículo muito mais vezes para reduzirmos o nosso impacto no meio ambiente.

 

Reduzir. Reciclar. Reutilizar. Palavras de ordem para o nosso quotidiano, enquanto cidadãos e profissionais responsáveis, às quais junto, não-Ridicularizar (o cliente).

Eu só queria legumes para a sopa!

Artigo anterior

Minho distingue os mais jovens talentos da cozinha minhota

Próximo artigo

Lanchar: a tábua de salvação para dias ativos