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Consumo de vinho: É preciso ter lata!

Neste verão de 2021, o rosé continua quente (nas vendas, mas fresco no copo), o espumante continua forte, bem como o hard seltzer e o vinho em lata. Outra tendência em evolução são as bebidas sem álcool.

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Portugal é conhecido pela hospitalidade, o bom tempo, as praias fantásticas, a gastronomia e, os bons vinhos! Um bom vinho quer-se sobretudo bem acompanhado. Pelos amigos, pela família ou mesmo só por uma boa música ou o pôr do sol.

 

Se, num exercício de escrita, nos pedissem para descrever o momento de degustação do ‘néctar dos deuses’, muito certamente a maioria de nós descreveria algo como: “Aquele Reserva Especial aguardava na garrafeira por uma ocasião especial. A garrafa aberta com tempo para estar no ponto no momento de servir. Os copos que se enchem, numa dança subtil e cuidada. Agitam-se e cheiram-se. Os primeiros tragos a acompanhar o luar e a conversa. Nesse momento sabe que a noite só pode correr bem”.

 

Eu não sou poeta, mas imagino sempre este momento com uma garrafa e uma rolha de cortiça, contudo, será que ainda é assim que se saboreia o néctar?

 

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Sabemos que as tendências de consumo têm mudado muito (e rapidamente) nos últimos anos e o mundo vinícola não é exceção.

  • Com a pandemia muitos dos hábitos de compra e consumo mudaram: o consumo passou a ser mais em casa e ao ar livre, do que nos bares e restaurantes, as compras, as provas e mesmo o ato de aprender a degustar passou a ser virtual ao invés de nas caves.
  • Neste verão de 2021 o rosé continua quente (nas vendas, mas fresco no copo), o espumante continua forte, bem como o hard seltzer e o vinho em lata. Outra tendência em evolução são as bebidas sem álcool. Depois de um ano de confinamento, em que o consumo de álcool em casa aumentou, a saúde e bem-estar falaram mais alto dando origem ao movimento “sober curious”, onde se questiona como, quando e porque bebemos.
  • As tendências no mundo vinícola não se ficam por aqui, sendo crucial também para este mercado, evoluir e inovar no que às novas tecnologias diz respeito: melhorando as visitas e provas virtuais, recorrendo a aplicações para compra online, através da utilização de robots sommelier ou pela disponibilização de informação detalhada sobre o vinho (ingredientes, rastreabilidade, história do vinho, etc.) num QR code colocado no rótulo da garrafa.

 

Mas, voltemos à tendência do vinho em lata que, apesar de não ser recente, só teve o seu boom em Portugal em 2020. Será mesmo que o futuro está na lata?

 

Ainda que se estranhe o consumo de vinho enlatado, a verdade é que é uma categoria que tem vindo a crescer sobretudo junto de um consumidor urbano e jovem, entre os 18 e os 35 anos, pelo que importa perceber as razões e a forma mais correta de trabalhar a categoria.

 

O que motiva o consumidor a escolher um vinho em lata?

  1. Esta embalagem mais prática, fácil de transportar, sem risco de se partir e que não necessita acessórios para consumo (nomeadamente o saca-rolhas e o copo) coaduna-se com um estilo de vida mais informal, ativo e aventureiro (por exemplo com atividades ao ar livre, nos festivais, na praia ou em piqueniques), dos jovens adultos que privilegiam o consumo “on the go”;
  2. Poderíamos ser levados a pensar que o vinho enlatado é de menor qualidade, mas as marcas apostaram em incluir na categoria vinhos premium que mantêm caraterísticas e qualidade por mais tempo (o produto está protegido da luz, dos raios UV e da entrada de oxigénio e a lata tem ainda a vantagem de refrescar mais rapidamente);
  3. As marcas têm já um portefólio alargado nesta categoria dando ao consumidor a possibilidade de escolha e adaptação ao momento. Podemos já encontrar Rosés, Brancos, Tintos e Espumantes.
  4. Os millennials são a maior base de consumidores de vinhos enlatados, contudo a Geração X e também a Z estão já a seguir a tendência. Esta categoria mostra-se atrativa para os novos consumidores de vinho, os amantes de cerveja e aqueles que querem um copo sem se comprometerem com a garrafa por inteiro;
  5. O vinho enlatado, sobretudo pelo seu tamanho, permite que num mesmo evento cada um possa escolher beber o que mais gosta ao invés de partilharem a mesma bebida- uns podem beber tinto, outros brancos, ou uma cerveja, ou uma sidra;
  6. As latas são consideradas mais sustentáveis já que o vidro é responsável por 60% da pegada de carbono do vinho. Escolher uma garrafa mais leve ao invés de uma mais pesada ou uma lata que é mais facilmente reciclada que o vidro, ou as embalagens bag-in-box de alumínio e cartão, mostram-se alternativas mais positivas do ponto de vista ambiental;
  7. A porção contida nas latas atualmente à venda, por serem mais pequenas que as garrafas usuais (250 ml contra os 375ml das meias garrafas e os 750 ml de uma garrafa) permitem um consumo mais responsável e não partilhado (há mercados onde já se vende vinho em tubos, equivalente a um copo de vinho, e que atrai sobretudo os millennials).

 

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Considere-se um sacrilégio ou ame-se a tendência, a verdade é que a lata veio para ficar, já que permite:

  • Usufruir de um cocktail ou de uma bebida pronta a consumir sem ser um barman ou sem necessitar levar o saca-rolhas consigo,
  • Um consumo mais cómodo e conveniente,
  • Usufruir de vinhos com um teor alcoólico mais reduzido, permitindo um consumo mais consciente (os blends podem ter entre os 3% e os 7,5% de álcool e os vinhos rondam os 9% de teor alcoólico),
  • Aos iniciantes na arte de baco a possibilidade de experimentar/ degustar bom vinho sem gastar muito dinheiro (a relação preço/quantidade da lata vs. meia-garrafa é melhor) e sem desperdiçar quantidade desnecessária,
  • Acompanhar as várias ocasiões de consumo dos jovens, sem abdicar da qualidade do produto.

 

Importa referir que o vinho em lata se apresenta apenas como uma alternativa de embalagem e não como um substituto ao vinho em garrafa. A cultura e tradição do vinho, do bom vinho português, estão asseguradas já que existe mercado para ambos.

 

Existem vinhos deliciosos por aí, escolham vinhos nacionais, não estarão só a promover a economia como também a reduzir o impacto no meio ambiente do vosso vinho. Seja em garrafa ou em lata 😊.

 

Quanto a mim, “não nego à partida uma ciência que desconheço”, contudo continuo a gostar mais da mística do ‘ploft’ do que do ‘tsk! tss-tss!’. E vocês? Já se renderam à tendência?

Um brinde*!

 

*Seja responsável. Beba com moderação.

 

 

 

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