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O ginecologista explica: Conselhos práticos sobre higiene genital feminina

A higiene íntima feminina deve ser diferente tendo em conta vários fatores, tais como a idade, a fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra ou se acabou de praticar atividade física.

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Técnica de higiene: a região púbica, a vulva, a região perianal e a raiz das coxas deverão ser limpas com água corrente e com produtos de higiene, fazendo movimentos que evitem trazer o conteúdo junto do ânus para a região vulvar. Incluir os sulcos entre pequenos e grandes lábios e a região do clítoris. Não se recomenda a introdução de água e/ou outros produtos no interior da vagina (lavagens vaginais). Secar cuidadosamente as áreas lavadas com toalhas secas e limpas, que não agridam o epitélio da região. A lavagem genital deverá dar preferência aos banhos com água corrente, para favorecer a remoção mecânica das secreções. Os banhos de assento estarão indicados somente quando houver recomendação médica. Não devem ser utilizados sprays, perfumes, talcos, ou lenços humedecidos. Se a urina provocar lesões na pele, pode utilizar-se um creme barreira sobre a vulva.

 

Frequência de higienização: uma a três vezes ao dia, dependente do clima, atividade física, biótipo e doenças associadas.

 

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Tipo de produto: preferencialmente, produtos apropriados para a higiene anogenital que sejam hipoalergénicos, com adstringência suave e pH ácido, variando entre 4,2 a 5,6. Usar produtos de formulação líquida, pois os produtos sólidos, além de serem mais abrasivos, geralmente apresentam pH muito alto (alcalino). Não utilizar o vulgar sabão «azul e branco».

 

Tempo de higienização: não deve ser superior a dois a três minutos, para evitar a secagem excessiva local.

 

Hidratação: a última etapa da higiene é geralmente a mais negligenciada – a hidratação. Especialmente após a menopausa, em que a pele se encontra mais seca, devem ser recomendadas fórmulas não oleosas, as quais devem ser aplicadas apenas nas regiões de pele. As peles secas deverão ser hidratadas, assim como se faz nas demais áreas do corpo. Os hidratantes deverão ser gel ou cremes vaginais de base aquosa e com pH ácido e compatíveis com a mucosa vaginal. Podem conter glicóis e ácido láctico.

 

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Proteção: o uso do penso higiénico diário não é recomendado. Nas mulheres com excesso de transpiração ou incontinência urinária, é importante manter o ambiente genital seco recorrendo ao uso de pensos higiénicos respiráveis (sem película plástica) ou outro vestuário absorvente adequado. Deve recomendar-se o recurso a roupa interior extra disponível quando necessário e os produtos utilizados na lavagem da roupa interior não devem ter corantes, enzimas ou perfumes;

 

Vestuário: utilizar roupas que favoreçam a ventilação local é recomendável, trocar as roupas íntimas diariamente e evitar roupas demasiado justas ou apertadas. Os fatos de banho molhados e o vestuário após o desporto devem ser trocados o mais precocemente possível.

 

Banho e higiene: não usar gel de banho ou sabonete com perfume para evitar a irritação da pele e não esfregar a pele da vulva com a toalha, mas sim secar.

 

Atividade sexual: nos casos em que existe irritação e secura durante o ato sexual, deve ser usado um lubrificante sem substâncias químicas. Pode ser necessário utilizar preservativo para evitar o contacto do esperma com os genitais, diminuindo o ardor e irritação após a relação sexual. Após o acto sexual, lavar a área genital externa com água e produto de higiene íntima. Não se recomendam lavagens vaginais.

 

Período perimenstrual e menstrual: nesta fase, a higiene deverá ser mais frequente, para aumentar a remoção dos resíduos e melhorar a ventilação genital, com consequente redução da humidade prolongada. Sangue menstrual, maior produção de secreção sebácea, sudorípara e glandular e uso prolongado de pensos higiénicos com película plástica externa são factores agravantes da irritação vulvar. Os pensos higiénicos e desodorizantes não devem ser utilizados. Os tampões podem ser utilizados com segurança, desde que mudados com frequência.

 

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Puerpério recente: a higiene deve ser feita como no período menstrual.

 

Pós-menopausa: recomenda-se lavar, no máximo, duas vezes ao dia, usando produtos com pH próximo ao fisiológico para evitar maior secura e consequente prurido.

 

Infância: deve ser feita a higiene diária com banho diário e após a defecação. Além dos sabonetes líquidos, é fundamental o cuidado em secar, cuidadosamente, a região anogenital.

 

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Pós-atividade física: fazer a higiene dos genitais, logo após o término das atividades, para evitar que o suor e outras secreções irritem a pela da vulva.

 

Vulvovaginites: quando presente esta situação, as mulheres devem procurar tratamentos específicos com o seu médico. A higiene genital pode ser uma necessidade paliativa, mas não deve ser encarada como tratamento. Situações associadas à alcalinidade, tais como vaginose bacteriana, podem beneficiar de higiene com produtos mais ácidos.

 

Depilação: ela pode ser feita na região anogenital, mas deverá respeitar a sensibilidade individual da mulher. A frequência deverá ser a menor possível, contudo, a extensão da área depilada dependerá do gosto de cada mulher. Uma boa opção será aparar o pelo púbico sem rapar.

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