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Conhece o seu risco cardiovascular?

A doença cardiovascular é a principal causa de morte precoce a nível mundial e afeta tanto homens como mulheres. O cardiologista Davide Moreira dá algumas pistas para identificar se está em risco.

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Risco cardiovascular (RCV). Frequentemente ouvimos falar deste conceito. Mas o que é? Podemos defini-lo como a probabilidade de desenvolver doença cardiovascular (DCV) num período de tempo tendo em conta vários fatores de risco interligados. Entre estes fatores de risco a considerar, destacam-se o tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, obesidade e excesso de peso e o colesterol elevado.

 

Relativamente a este, quase de certeza que já ouviu falar do “mau colesterol” – o colesterol LDL – que é o que se deposita nas paredes das artérias e provoca aterosclerose. Quanto mais elevado for o colesterol LDL no sangue, maior é o risco de DCV. E não nos esqueçamos que esta é a principal causa de morte precoce a nível mundial. Afeta tanto homens como mulheres e, na Europa, de todas as mortes ocorridas antes dos 75 anos, 42% nas mulheres e 38% nos homens, devem-se a mortes por DCV.

 

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Por conseguinte, é fundamental prevenir a DCV. Como definimos esta prevenção? Nas recomendações práticas de prevenção da DCV da Sociedade Europeia de Cardiologia, esta é definida como um conjunto coordenado de ações, a nível da população e a nível individual, com o objetivo de erradicar, eliminar ou minimizar o impacto da DCV e as incapacidades inerentes. Tal como diz o velho ditado, prevenir é melhor do que remediar. E a prevenção da DCV é eficaz.

 

Nas últimas três décadas, mais de metade da redução da mortalidade cardiovascular foi atribuída a alterações dos níveis dos fatores de risco na população, principalmente pela redução dos níveis de colesterol, da pressão arterial e do tabagismo. No entanto, a realidade atual ainda não é a desejada. Cerca de dois terços da população adulta portuguesa têm colesterol elevado, a percentagem de casos de colesterol elevado nos portugueses com 55 ou mais anos é 3 vezes superior à dos jovens adultos com menos de 35 anos e os valores médios de colesterol são bastante próximos entre homens e mulheres.

 

Segundo o estudo EUROASPIRE V, a maioria dos doentes com doença aterosclerótica coronária clinicamente documentada não cumpriu as recomendações de 2016 das Sociedades Europeias quanto ao estilo de vida, pressão arterial, colesterol-LDL e glicose. O estudo foi realizado entre 2016 e 2017 em 27 países, nos quais se incluiu Portugal e fizeram parte da análise mais de 16 mil registos médicos. O estudo mostra que, apesar de se registar um elevado recurso de terapêuticas que combatem a DCV, os estilos de vida não saudáveis tiveram um impacto adverso no controlo dos fatores de risco.

 

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No que concerne a estes, o controlo do colesterol LDL é fundamental dado que está provado que a sua diminuição reduz os eventos cardiovasculares como o enfarte agudo do miocárdio. As sociedades científicas europeias recomendam valores de LDL consoante o RCV de cada indivíduo. Para um RCV muito elevado, o c-LDL deve estar abaixo de 70mg/dl; para um RCV elevado o c-LDL deve estar abaixo de 100mg/dl. Para um RCV moderado, o c-LDL deve estar abaixo de 115mg/dl.

 

E como podemos reduzir o colesterol-LDL e os outros fatores de risco? A resposta está na Sátira X do poeta romano Décimo Júnio Juvenal (nascimento: entre 55-60 DC; morte: depois de 127 DC): mens sana in corpore sano (mente sã em corpo são). A frase em que está incorporada surge numa resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida. Assim, podemos dizer que, atualmente, para uma vida saudável devemos ter uma alimentação equilibrada, praticar exercício físico, não fumar e praticar o autocuidado no que concerne ao número de horas de sono, à diminuição do impacto do stresse emocional, controlo de ansiedade no quotidiano e na necessidade de cultivar as relações interpessoais e o convívio.

 

No entanto, estas medidas por si, muitas vezes, não chegam. Quando os níveis de colesterol não normalizam com dieta equilibrada e atividade física, tem de se recorrer a uma terapêutica farmacológica. Quem melhor o pode aconselhar é o seu médico. Conhece o seu RCV? Fica o desafio.

 

Por Davide Moreira

Cardiologista, assistente hospitalar

Centro Hospitalar Tondela – Viseu

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