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Conheça o Kitchen Dates, o primeiro restaurante português sem caixote do lixo

Nos últimos anos, o princípio da sustentabilidade tem estado em cima da mesa, discutido em várias frentes, desde a moda à gastronomia. Assente nos valores da economia circular, do local, do biológico e do 100% vegetal, nasceu o Kitchen Dates, o primeiro restaurante português onde todos os produtos que se servem à mesa são inteiramente consumidos. A propósito do Dia da Gastronomia Sustentável, falámos com Maria, uma das fundadoras do espaço, para perceber como este funciona.

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Outro dos princípios do restaurante é o de recuperar alimentos ancestrais, locais e sazonais. Por exemplo, o pão que se serve é de fermentação lenta e é feito de trigo barbela, moído diretamente no restaurante. «No nosso espaço, para além da relação de proximidade com os produtores que nos enviam tudo sem embalagens de utilização única, estes também seguem os princípios da agricultura biológica».

 

Antes da pandemia da COVID-19 chegar e alterar o normal funcionamento dos restaurantes, o Kitchen Dates funcionava para almoço de quarta a sexta-feira, entre as 12 e as 15 horas. Os clientes podiam escolher de um menu com vários pratos, sobremesas e bebidas ou optar pelo menu completo, que inclui uma sopa, um prato, uma sobremesa e uma bebida e tem um custo de €15. Nos mesmos dias funcionavam também os lanches.

 

«Neste formato não existe a questão da sociabilização que falamos, nem toda explicação que os eventos à porta fechada proporcionam, mas acaba por ser um primeiro contacto que muitas vezes desperta curiosidade para mais visitas», assinala Maria.

 

Já aos fins-de-semana e pontualmente à noite, o Kitchen Dates realizava eventos, onde as pessoas se inscreviam e eram inseridas em grupos que se conhecem à mesa. «Nesses eventos fazemos também uma apresentação de tudo aquilo que fazemos no espaço, explicamos as nossas visitas aos produtores e também todo o percurso que tivemos até ao nascimento do espaço, que acaba por gerar algum debate e que são temas que as pessoas gostam de discutir».

 

Neste momento o espaço continua de portas fechadas, mas é possível encomendar comida. «As entregas são feitas por nós, neste caso pelo Rui. Durante esta altura as refeições vão em caixas combustáveis que as pessoas podem devolver caso não tenham possibilidade de as compostar e continuamos a ter alguns alimentos em frascos. Por exemplo, se uma pessoa receber numa entrega três frascos, na próxima vez, se os devolver, recebe um voucher com o valor de 3€ que pode utilizar no nosso site».

 

Como conseguir uma vida mais sustentável

Os proprietários do Kitchen Dates enumeram também alguns passos que todos podem dar de forma a viver uma vida mais sustentável e sem desperdício. A primeira regra é questionar. «Questionem se precisam mesmo daquele produto, se precisam daquela qualidade, se o produto é mesmo aquilo que procuram, se o alimento que escolhem pode ser utilizado na integra ou se temos mesmo de deitar fora algumas partes daquele alimento. Para nós, o questionar é o ponto principal desta relação com a sustentabilidade».

 

«Depois realçamos também a questão da proximidade. Com o ritmo da nossa vida acabamos por deixar as decisões alimentares ao critério dos supermercados e hipermercados e nem refletimos sobre de onde vem a nossa comida. Devemos tentar pelo menos uma vez por semana ir a um mercado local ou a um produtor, tentar falar e aprender com eles sobre os alimentos, sobre a sazonalidade. Muita gente ainda hoje não tem noção de que o tomate tem uma época», declara Maria.

 

O contacto direto com os produtores não ajuda apenas a fornecer conhecimentos como também contribui para a economia local. «Através deste contacto percebemos de onde vem a nossa comida e o que tem a nossa comida, se tem químicos ou como é que nos chegou e pode ainda ajudar várias famílias economicamente».

 

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Por último Maria Antunes alerta para as quantidades: «Quando compramos diretamente ao produtor, conseguimos pedir as quantidades que necessitamos mas quando compramos num supermercado é mais difícil porque está tudo previamente embalado. Neste caso devemos repensar e optar por comprar os cereais, as leguminosas, os frutos secos no mercado ou em lojas e mercearias que vendam a granel, desta forma é fácil dizer “eu só preciso de 200g” e assim o alimento não fica esquecido numa prateleira, nem passa de validade. Evita-se o desperdício».

 

Em jeito de resumo, se procura uma alimentação mais sustentável o ideal é começar por questionar o que consome, optar por alimentos sazonais e locais e aproveitar ao máximo cada alimento, evitando deitar ao lixo partes que podem ser utilizadas, como cascas e tales, muito úteis para fazer sopas e caldos.

 

 

 

 

 

 

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