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Conheça as cirurgias para tratar a obesidade

A cirurgia da obesidade elimina o peso a mais, mas o tratamento da obesidade não pode ficar por aí!

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Em Portugal cerca de 57% da população (5,9 milhões de portugueses) é obesa ou está em risco de obesidade (pré-obesidade). Considerada uma pandemia a nível mundial, a obesidade é uma doença que tem de ser tratada. Esta é uma doença crónica multifatorial e também um fator de risco importante para mais de 200 outras doenças, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e cerca de 13 cancros.

 

A maioria dos indivíduos obesos tenta ao longo de muitos anos perder o peso a mais, através de estratégias comportamentais, terapêuticas e dietas, muitas vezes sem o sucesso desejado. Mas, nos casos de obesidade mórbida, o grau mais grave e em que as pessoas têm um peso pelo menos 20% acima do seu peso ideal, a cirurgia bariátrica é a arma mais eficaz.

 

A cirurgia bariátrica é minimamente invasiva em 90% dos casos. Trata-se de um processo cirúrgico que altera o sistema digestivo para permitir que o doente perca peso através da restrição da quantidade de alimentos ingeridos, ou limitando a absorção dos nutrientes, ou, por vezes, ambas.

 

Existem quatro tipos de cirurgia

– A banda gástrica ajustável laparoscópica, em que é colocada uma banda com balão insuflável em torno da parte superior do estômago, que restringe a quantidade de comida que o estômago do doente suporta, para que este se sinta satisfeito mais depressa, mas não reduz a absorção de calorias e nutrientes;

 

– A gastrectomia vertical, ou de manga, em que parte do estômago é removida e passa a conseguir armazenar menos comida;

 

– O bypass gástrico, em que o cirurgião cria uma pequena bolsa na parte superior do estômago, que é a única parte do estômago que recebe comida e tem uma ligação direta ao o intestino delgado, de forma a que o corpo absorva menos nutrientes e calorias;

 

– O desvio biliopancreático/troca duodenal (Scopinaro), em que que, como na gastrectomia vertical, se faz a remoção de uma grande parte do estômago, mantém-se a válvula que deixa passar a comida para o intestino delgado  e fecha-se a parte intermédia do intestino e liga-se a última parte diretamente ao duodeno. Os alimentos evitam a maior parte do intestino delgado, limitando a absorção de calorias e nutrientes. Isto, aliado ao menor tamanho do estômago, leva à perda de peso.

 

Além de tratar a obesidade, a cirurgia bariátrica é também bastante eficaz no combate e controlo das comorbilidades a ela associadas, como a hipertensão arterial, a diabetes ou a apneia obstrutiva do sono, além de contribuir na melhoria da qualidade de vida, por exemplo em termos osteoarticulares, capacidade para o exercício, modificação da imagem corporal e aumento da esperança de vida.

 

No entanto, no tratamento da obesidade existem muitas vezes expectativas irrealistas de resultados de perda de peso e velocidade dos mesmos, assim como um forte desconhecimento do procedimento cirúrgico, mesmo após consulta hospitalar e inscrição para cirurgia. É crucial reconhecer a magnitude do procedimento bem como explorar a multidisciplinaridade necessária no tratamento desta doença crónica, complexa e multifatorial.

 

Esta intervenção impõe uma mudança nos hábitos dos indivíduos, tanto no pré e pós-operatório imediato como a longo prazo. Estas mudanças têm de ser permanentes e, mais do que habituar-se a um novo estilo de vida, o doente terá de aprender a lidar com as limitações que a sua nova condição irá colocar. A família deve assumir um papel proativo no apoio às mudanças impostas para alcançar a meta proposta.

 

Por fim, quando a diminuição do peso corporal e a melhoria das comorbilidades deixam de ser o alvo, novos desafios podem surgir, como a manutenção do peso, a gestão dos regimes terapêuticos e dos défices nutricionais subsequentes aos métodos utilizados.

 

Por João Rebelo Almeida

Centro de Obesidade e Medicina Inovadora (COMI) – Sanfil

 

 

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