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Confinamento criativo: como ativar a criatividade

A liberdade a que estamos todos privados tem influência em muitas esferas da nossa vida. A criatividade é, sem qualquer dúvida, uma delas. O bloqueio criativo não é certamente exclusivo de uma minoria, mas é certamente mais preocupante para os profissionais que vivem da criação.

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Muito tenho pensado sobre o que escrever. Faltam-me as ideias e não porque o consumo, as marcas ou o marketing não estejam em constante mudança e, por isso, cheias de matérias novas para publicar. O problema mesmo é que, confinados, fechados, sem possibilidade de observar a vida a rolar, faltam-nos as ideias. Falta-nos a criatividade.

Uma folha de papel em branco tem, em simultâneo, o poder de nos deixar em êxtase (com a perspetiva de a encher de ideias, histórias, sonhos) ou de nos deixar frustrados. O vazio que ocupa os nossos dias (mesmo que em teletrabalho, com duas crianças em aulas online, 24/24 dentro da mesma casa) traduz-se no vazio das ideias e da escrita.

 

Faz falta a ida ao supermercado, almoçar fora, a conversa com as amigas, as viagens diárias de carro ou as idas semanais a Lisboa, faz falta a pausa para o café na copa, fazem falta as conversas sobrepostas da equipa ou a visita de um colega ao nosso canto de trabalho. As ideias surgem onde e quando menos esperamos, mas precisam, sem dúvida, ser estimuladas. Fazem falta estes estímulos.

Lia um destes dias que “a vida inspira” e por isso nos faz falta viver! Cada um terá as suas bolhas de criatividade, os seus momentos que servem de ignição e inspiração. Às vezes não é preciso muito – um bom livro, um jantar de amigos, um copo de vinho ao sol, uma música que nos faz dançar – outras vezes parece que nada serve. O que fazer nessa altura quando o nosso trabalho depende das nossas ideias, da nossa criatividade?

 

Creio que não existem fórmulas mágicas, um botão que ative a criatividade, contudo cada um de nós terá os seus truques para desbloquear estes momentos de bloqueio criativo. Partilho abaixo alguns dos truques que resultam comigo:

 

  1. Ouvir as conversas dos outros. Adoro ouvir as conversas dos meus filhos. A criatividade das crianças é sem limites e são uma bela fonte de inspiração;
  2. Ler de tudo um pouco, sejam livros, artigos, revistas ou jornais. Anotar frases que despertam a curiosidade, refletir sobre o que li ou sobre o que registei;
  3. Escrever sem filtro. A mim ajuda-me escrever primeiro os tópicos, palavras isoladas, mas que me fazem sentido para o tema sobre o qual preciso escrever. Escrever à mão pode ajudar a estruturas as ideias, a organizá-las e a fazer fluir a escrita.
  4. Reler a informação que escrevi ou recolhi sobre o tema. Ao relê-las é possível que surja uma ideia que possa ser trabalhada.
  5. Reduzir a pressão. Todos estamos sujeitos a prazos, mas, querer escrever o texto de uma só vez e perfeito logo à primeira é uma pressão que não justifica, muito pelo contrário, só contribui para nos bloquear ainda mais.
  6. Seguir pessoas inspiradoras. Muitas vezes o trabalho de outros, seja na área da escrita, do marketing ou outra, ajuda-nos a inspirar para o nosso tema. Receber newsletters inspiradoras pode ser o bastante para desbloquear;
  7. “Take a break”. Muitas vezes sair da frente da folha em branco, passar do escritório para o jardim, tomar um café, respirar fundo, fazer um pouco de exercício, pode resultar.

 

O bloqueio criativo não é certamente exclusivo de uma minoria (não sei se por ter decidido escrever sobre este tema se é mesmo um sentimento transversal, por estes dias encontrei muitos artigos, desabafos e reflexões sobre esta temática da falta de criatividade) mas é certamente mais preocupante para os profissionais de marketing que vivem da criação.

 

A colaboração criativa que se gera quando nos sentamos à volta da mesma mesa a discutir ideias é crucial para levar o nosso trabalho a bom porto. A energia que se gera e as informações que se partilham não é a mesma quando estamos reunidos cada um no seu quadrado no monitor! Muitas vezes, de um brainstorming informal, e não programado, saem as melhores ideias.

Steve Jobs, o fundador da Apple, referiu “A criatividade vem de encontros espontâneos, de discussões aleatórias. Encontras alguém, perguntas o que está a fazer, dizes “uau” e surgem logo todo o tipo de ideias!”.

 

Então como podemos permitir que os criativos (os marketeers) trabalhem neste contexto, não convencional, que vivemos desde há um ano? Como podemos promover o trabalho colaborativo e criativo, de forma virtual?

 

  1. Tecnologia – é obvio que a tecnologia e as ferramentas colaborativas são fundamentais para tornar o trabalho remoto eficaz.
  2. Clareza – trabalhar na mesa da cozinha não é o mesmo que trabalhar num escritório, com horários e barreiras bem definidas. Clarificar bem o que se quer, quando se quer e como se quer é imperativo.
  3. Diversão – recriar os encontros informais, socializar e fazer ideias fluir através de uma janela de computador também é possível. Colocar alegria e boa disposição no que fazemos é meio caminho andado.
  4. Respirar e Sorrir – para manter a criatividade temos de nos manter ativos, atentos (a nós e ao que/quem nos rodeia), não nos esquecermos de nós, respirar fundo e sorrir sempre (seja para o papel em branco, seja para o cliente, seja para a equipa).
  5. Encontrar o “Ponto Criativo” – perceber bem qual o momento em que a nossa criatividade (e a da nossa equipa) está mais ativa e promover esses momentos de trabalho.
  6. Feedback – hoje é ainda mais fácil pedir aos colegas que se juntem a nós numa sala vitrtual para lhes mostrar o nosso trabalho e pedir-lhes feedback que nos ajude a seguir em frente.
  7. Experimentar coisas novas – tentar fazer novas coisas pode ser uma excelente forma de despertar a criatividade pois obriga-nos a sair da nossa zona de conforto e procurar novas ferramentas de trabalho.

 

Enquanto responsável de uma equipa de criativos, mentes inquietas, fantásticos contadores de estórias, tive de ir procurando formas de impulsionar a criatividade de grupo, porque é certo que se estivermos felizes e conectados, faremos um trabalho de equipa melhor. Ao longo deste ano foram várias as ações que fizemos para nos ajudar a desbloquear a criatividade e a manter unida uma equipa que passou a ver-se apenas no quadradinho do ecrã.

– Lançar desafios criativos aleatórios (fora daquilo que é o nosso trabalho obrigatório)

– Promover momentos (15 minutos, 2x por semana) de convívio sem filtro

– Marcar um café virtual (onde é certo que haverá sempre alguém com uma surpresa)

– Manter algumas das ‘nossas’ tradições, agora reinventadas.

 

Creio, pelos resultados e moral das “tropas”, que temos conseguido. A criatividade é, sem dúvida, o oxigénio do marketing. É o que nos permite dar um sentido ao que a nossa marca quer dizer. É o que nos permite criar relações com os nossos consumidores. É o que nos permite contar a nossa história e a história da nossa marca.

 

O mais importante é não deixar páginas em branco, coisas por dizer e ideias por partilhar! A liberdade de passarmos as nossas ideias, essa, ainda a temos! “A criatividade continua” porque o marketing não se faz dos fracos e é o que torna o nosso trabalho mágico.

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