Home»VIDA»SOCIEDADE»Como transformar ‘lixo’ em ‘ouro’ alimentar

Como transformar ‘lixo’ em ‘ouro’ alimentar

Em todo o mundo, quase mil milhões de pessoas passam fome todos os dias, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). E o problema está no desperdício alimentar. Mas o Instituto das Tecnologias da Alimentação americano explica como corrigir muitos dos problemas.

Pinterest Google+

O problema da fome no mundo não está relacionado com a falta de produção, mas sim com o desperdício alimentar existente. Cerca de um terço dos alimentos produzidos são estragados ou descartados antes de serem consumidos, segundo o Instituto das Tecnologias da Alimentação (IFT), EUA, que apresenta algumas estratégias para contrariar este desperdício.

 

Este valor representa um enorme desperdício de tempo, água, energia e terra. Se fosse possível recuperar até um terço do que está perdido ou desperdiçado seria possível alimentar mil milhões de pessoas. Mas qual será a melhor forma de recuperar e redistribuir esses alimentos perdido ou desperdiçados para consumo humano?

 

VEJA TAMBÉM: A FORMA CORRETA DE ORGANIZAR O FRIGORÍFICO

 

De acordo com a FAO, as frutas, vegetais e raízes têm as maiores taxas de desperdício do que qualquer qualquer alimento – cerca de 45%. Este ‘lixo’ pode, no entanto, representar um verdadeiro tesouro disfarçado. Apenas não se está a tirar proveito das suas muitas possibilidades.  Com o intuito de oferecer algumas soluções aos problemas subjacentes a este desperdício, o IFT compilou agora algumas estratégias inovadoras.

 

Café – Exemplo disso é criação de novos produtos de processamento agrícola. Depois de o grão de café ser exprimido da fruta, a pele e a polpa são deitadas fora. No entanto, através de um processamento paralelo, a deterioração pode ser reduzida. Após a separação do fruto, a polpa pode ser desidratada durante 18-20 horas com ar quente soprado por um ventilador alimentado por energia solar. Posteriormente poderia ser transformada em bolachas ou batatas fritas.

 

VEJA TAMBÉM: AUMENTE O PRAZO DE VALIDADE DOS ALIMENTOS

 

Cenouras – Há um enorme desperdício na produção de cenouras, pois sobra uma enorme quantidade de polpa de cenoura depois de serem raladas ou transformadas em cenouras mais pequenas (as baby). Os resíduos poderiam ser utilizados para fabricar batatas fritas. Aliás, isso pode ser feito com qualquer fruta ou vegetal, tendo em conta que os produtores de maçã (que fazem cidra) enfrentam o mesmo problema.

 

Produtos tocados – Quanto aos produtos murchos, derramados ou manchados, como acontece imenso na produção de alface, por exemplo, o produtor usa um frigorífico com vácuo para manter a alface fria quando esta é colhida. Esse frigorífico poderia converter-se num desidratador durante a noite. A empresa podia aproveitar, então, para fazer puré de alface desidratada.

 

Mas e lidar com a perda de alimentos devido ao mau transporte e armazenamento?   O IFT sugere o uso de um secador  montado num camião com conjunto convergente de correias que permita o processamento de repolho, por exemplo, em discos compactos finos. Mais tarde o repolho pode ser rehidratado.

 

VEJA TAMBÉM: ÁGUA É VIDA E É ESCASSA. VEJA COMO A POUPAR EM CASA

 

Por outro lado, como se pode melhorar a eficiência do processamento? Os produtores de alimentos tradicionalmente usam vapor ou água para branquear batatas ao fazer batatas fritas. O processo de branqueamento a seco com infravermelhos, inventado por Zhongli Pan da Universidade da Califórnia, EUA, consegue uma redução de energia de 40% usando a radiação de infravermelhos para aquecer, descolorar e desidratar alimentos numa única etapa. O processo também reduz o uso de água, diminui a contaminação e simplifica a limpeza. Mantendo mais amido de batata, há mais volume produzido. As batatas fritas têm melhor cor, aroma e sabor. Por último, o produto retém mais nutrientes, fitoquímicos e sabores em comparação com aqueles produzidos por métodos convencionais de branqueamento, diz o IFT.

 

Estas são algumas das soluções para o vasto leque de problemas. Mas existem mais. Estes exemplos provam que, perante a imensidão de desperdício alimentar ocorrente na sociedade atual, existem formas de combate-lo.

Artigo anterior

O sono nas mulheres: «Uma questão séria de saúde pública»

Próximo artigo

Check-list da empregabilidade