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Como reconhecer um ataque de pânico

Consiste num episódio breve em que se sente ansiedade, desconforto e medo intensos, atingindo o pico em minutos. Após este pico, ocorre uma sensação de fadiga intensa.

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Já sentiu subitamente um medo extremo sem perceber o que o desencadeou? Sente que nesse momento algo de drástico vai acontecer? Pensa que vai ter um ataque cardíaco de tão rápido que o seu coração bate? Parece que lhe falta o ar e que não há escapatória possível? Então saiba que pode estar perante um ataque de pânico.

 

Um ataque de pânico consiste num episódio breve no qual sente ansiedade, desconforto e medo intensos e que atinge o pico em minutos. Após este pico ocorre uma sensação de fadiga intensa.

 

Tem um início súbito (não encontra uma razão para tal ter acontecido, de facto, muitas vezes não existe uma específica) e é acompanhado por sintomas psicofisiológicos (por exemplo, batimente cardíaco acelerado), emocionais (por exemplo, medo intenso) e cognitivos (por exemplo, “estou a ficar louco/a, isto nunca vai passar”).

 

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Na maioria dos casos, ao experienciar um ataque de pânico, a deslocação às urgências é uma das ações primordiais, pela intensidade dos sintomas e pelo medo de morrer que é característico. É uma das ações de primeira instância pois a sintomatologia pode ser percecionada como bastante semelhante ao de um ataque cardíaco. É natural que isto aconteça, pois é uma sensação diferente de tudo aquilo que já havia experienciado, então o que mais pode ser senão um problema cardíaco ou de ordem biológica?

 

Acabam por se fazer exames com resultados negativos. A verdade é que a mente e o corpo estão intimamente relacionados, e os sintomas físicos (muitas vezes semelhantes a outras doenças) aparecem associados a quadros psicológicos, como é o caso dos ataques de pânico.

 

Apesar de serem muito assustadores, ocorrem na ausência de um perigo real. Aliás, o corpo nesse momento ativou o sistema de luta ou fuga, e os sintomas experienciados são resultado da ativação do sistema nervoso simpático ao perigo (percecionado) e por isso até podemos dizer que o organismo está a funcionar bastante bem.

 

O ataque de pânico pode acontecer em qualquer altura do dia, independentemente da situação. Pode acontecer deitado/a a ver um filme, a fazer exercício, a passear no parque ou a conversar com um amigo.

E como é que o ataque de pânico se expressa? Como é que o reconhecemos? A partir dos seguintes sintomas:

– Sensação de falta de ar e/ou de asfixia;

– Sudorese;

– Palpitações ou frequência cardíaca acelerada;

– Dor no peito;

– Tremores e/ou espasmos;

– Náuseas e/ou diarreia;

– Calafrios;

– Afrontamentos;

– Desmaios;

– Despersonalização (sensação de distanciamento do próprio corpo e de si);

– Desrealização (sensação de desconexão com a realidade à sua volta);

– Medo de morrer;

– Medo de enlouquecer;

– Perceção de fraco controlo sobre si e o seu redor;

– Sensação de perigo iminente;

– Medo e preocupação persistentes em voltar a experienciar um ataque de pânico.

 

E quando os ataques de pânico não parecem ir embora? Quando os ataques de pânico são recorrentes e causam uma preocupação excessiva acerca de novos ataques de pânico, podemos estar perante uma perturbação de pânico. Costuma dizer-se, por isto, que um ataque de pânico é o medo de voltar a sentir medo.

 

O medo e preocupação em voltar a experienciar um ataque de pânico podem conduzir ao evitamento de situações que podem despoletar ansiedade e consequentemente, originar um novo ataque de pânico (por exemplo, em multidões ou estar sozinho/a). Estes sintomas e comportamentos de evitamento servem para reduzir o medo e angústia a curto prazo, mas tendem a manter a raiz do problema, com impacto significativo no bem-estar e qualidade de vida.

 

Para além do impacto significativo no dia a dia, a perturbação de pânico pode conduzir a sintomas depressivos e atuar como um fator de risco para o uso de álcool e abuso de substâncias.

 

O tratamento de primeira linha é composto por psicofarmacologia e psicoterapia: A psicofarmacologia tem o objetivo de diminuir os sintomas psicofisiológicos que em si, aumentam a preocupação e os próprios ataques de pânico; A psicoterapia é essencial para auxiliar no reconhecimento da perturbação e no desenvolvimento de estratégias para reduzir a sintomatologia emocional e cognitiva de forma a sair do ciclo vicioso associado ao evitamento.

 

Sem tratamento, os ataques de pânico podem afetar vários aspetos do dia a dia, tanto a nível pessoal como a nível profissional: podem conduzir ao desenvolvimento de vários tipos de fobia; ao afastamento da vida social; a problemas na carreira profissional (por exemplo, dificuldades de concentração e produtividade); a quadros psicopatológicos como depressão; a ideação suicida; ao abuso de substâncias e a problemas financeiros.

 

Tendo o conhecimento para reconhecer um ataque de pânico, os seus sintomas e manifestações, mais facilmente este é identificado e trabalhado com ajuda especializada.

Não se esqueça, o primeiro passo é o maior passo.

 

Por Inês Miranda

Psicologa clínica

 

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