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Como explicar os incêndios às crianças?

Urge os pais estarem cientes de comportamentos que devem adotar perante a ameaça de um incêndio para que as crianças lidem com a situação da melhor forma possível.

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Nenhum de nós, comum dos mortais, está preparado para lidar com um desastre natural, como um incêndio.  Pode afetar a nossa saúde e bem-estar psicológico e até há bem pouco tempo todos achávamos que era uma realidade muito distante, e que provavelmente nunca nos tocaria a nós.

 

Os acontecimentos nos últimos anos mostraram-nos infelizmente o contrário, pelo que urge os pais estarem cientes de comportamentos que devem adotar na presença da ameaça de um incêndio para que as crianças lidem da melhor forma possível.

 

A primeira dica é a prevenção primária, ou seja, explicar às crianças o que fazer se acontecer um incêndio. Explicar que comportamentos devem adotar e porquê. Recorrendo a livros, desenhos ou até mesmo só ao diálogo sem sobressaltos e de forma clara explicar os perigos, riscos e o que é que cada elemento da família deve fazer.

 

Depois, urge não mentir. É fundamental não mentir, a mentira quebra a relação de confiança existente e prejudica a manutenção do equilíbrio emocional da criança.  Não minta, nem omita, seja verdadeiro/a de forma a que a criança perceba que pode confiar e que no momento em que lhe pedir que adote um ou outro comportamento saiba que efetivamente o tem de fazer sem hesitar. Em situações críticas, esta ação pode fazer a diferença.

Veja também: Como apoiar uma pessoa com problemas de saúde mental?

 

A terceira dica é explicar de uma forma clara e com uma linguagem adequada à faixa etária da criança o que está a acontecer e o que pode vir a acontecer.  O desconhecido gera ansiedade e origina que se construa realidade e se apele à fantasia. É importante ter cuidado como conversa sobre o incêndio na presença das crianças, uma vez que estes podem interpretar mal o que ouvem e ficar desnecessariamente assustadas.

 

Mantenha sempre a calma e a tranquilidade. Apesar de ser muito difícil, afinal é uma situação atípica, mantenha a calma e a tranquilidade, recorde-se que enquanto adulto funciona como modelo e o seu estado vai ser imitado pela criança. É fundamental a criança não sentir o perigo, pode tornar-se traumático e deixar sequela. Não adote postura de super-herói pois não é realista, mas demonstre que sabe o que fazer, pois isso dá segurança à criança.

 

Uma quinta dica: evite instruções duplas, elevar a voz ou até mesmo descontrolar-se emocionalmente.  Estes comportamentos, a acontecerem, criarão outro problema, a criança ficar agitada, inquieta, sendo difícil acalmá-la.  Dê instruções claras, recorrendo a frases simples e diretas. Não tenha expectativas muito elevadas de que a criança vá fazer tudo certo, afinal, trata-se de uma criança e é muito difícil estar preparada para lidar com um incêndio.

 

Procure que a criança se distraia. Pode ser um jogo, ler um livro, ouvir música.  O facto de a criança estar distraída vai permitir-lhe focar a sua energia para avaliar corretamente o risco e criar cenários de intervenção. Ou seja, refletir no que fazer.

Por último, depois do incêndio algumas dicas importantes:

Primeira dica é falar sobre o que aconteceu, ajudar a criança a expressar os seus medos e sentimentos. Esta conversa permite que a criança perceba que é natural sentir “coisas” que não costuma sentir, mas que gradualmente vai voltar às rotinas habituais.

 

É fundamental recordar que nenhum elemento da família é responsável ou culpado pelo que aconteceu. Tal permite à criança lidar com a situação e eliminar qualquer sentimento de culpa.

 

Terceira dica é manter as rotinas, a fim de dar segurança à criança e lhe devolver a estabilidade.

 

Quarta dica: ser paciente. O assunto do incêndio pode surgir muitas vezes ao dia e exatamente da mesma forma. Pode inclusive ser exatamente a mesma pergunta. É fundamental ser paciente e permanecer disponível para responder a todas as perguntas, demonstrando interesse.

 

É aconselhável limitar a exposição aos media protegendo as crianças de imagens por vezes chocantes e testemunhos desnecessários.

 

Sexta dica: assegurar às crianças através de palavras e comportamentos que estão seguras, ajudando assim a diminuir ansiedades.

 

Sétima dica: dar muito suporte, seja através de brincadeiras que ajudem a aliviar a tensão, seja através de um apoio extra na hora do deitar, altura em que as crianças ficam mais ansiosas. Leia mais uma história ou dê uns mimos extra.

 

A imagem, a vivência de uma situação de um incêndio será difícil esquecer, mas está nas suas mãos torná-la uma memória com efeitos construtivos ou destrutivos na personalidade da criança.

 

Pense nisso!

 

 

 

 

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