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Como destruir uma marca pessoal num livre?

Quando uma marca pessoal faz parte de um grupo maior, seja uma equipa, uma empresa ou uma comunidade, é ainda mais importante o cuidado de não sobrepor os objetivos pessoais aos objetivos desse coletivo.

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A minha cultura futebolística pode não ser a melhor, mas vivemos num país que vive ao ritmo do futebol e, se há um tema futebolístico que tem gerado buzz, e sobre o qual me interessa escrever, então até vou saber quantos passinhos o Ronaldo dá antes de marcar um livre. Pelas minhas contas são 3. Confirmam?

 

Nas últimas semanas o Ronaldo tem sido notícia e não pelas melhores razões.

 

Como não percebo muito de bola – acho que não vou bater mais nesta tecla (ou bola! ⚽) – e quer-me parecer que ainda não é desta que ele vem acabar a carreira no Sporting para eu ir ver um jogo ao estádio, tenho observado as questões do ponto de vista de marca pessoal.

 

VEJA TAMBÉM: REFLEXÕES SOBRE MARKETING

 

Acompanhem-me!

Em agosto saiu um estudo que dizia que 52,7% (1,7% acima dos valores de 2020) dos portugueses inquiridos elegeram o Cristiano Ronaldo como a figura pública ligada ao desporto de que mais gostam (estudo “Figuras Públicas e Digital Influencers”, da Marktest Consulting). O futebolista é ainda a figura pública mais reconhecida e com maior notoriedade espontânea e total.  Nada de admirar, certo? É o Ronaldo, o rico filho da D. Dolores. O maior futebolista de todos os tempos. A pessoa com o maior número de seguidores do Instagram do mundo.

 

É comum o CR7, ou a sua família serem notícia, contudo, nas últimas semanas tem sido óbvio que o paradigma em torno de Ronaldo mudou, ainda que o “Mundo CR7” continue a ser fascinante e facilmente notícia. Temos assistido a uma escalada da polémica em torno do jogador a que não estávamos habituados:

 

– “Polícia britânica aplica advertência a Ronaldo por atirar telemóvel de adepto do Everton ao chão”. Em defesa do jogador, para receber a advertência o jogador teve de assumir a culpa e concordar em ser advertido.

 

– “Ronaldo ignora ex-Liverpool e cumprimenta Roy Keane e Gary Neville”. Já dizia a minha mãe, “temos de cumprimentar todas as pessoas porque senão quem passa por mal-educados somos nós!”. Bem verdade! Ai Ronaldo, Ronaldo, não foi assim que a D. Dolores te ensinou!

 

– “Erik ten Hag reprova comportamento de Ronaldo: «Inaceitável»“. A postura do jogador português e o longo impasse quanto ao seu futuro continuam a valer muitas críticas a Ronaldo; o abandono do campo antes do fim do jogo, todas as incertezas (e silêncios) quanto ao seu futuro têm-lhe trazido dissabores e mau ambiente no balneário.

 

Nas várias notícias que li dizem que não há nenhum clube na Europa que o queira neste momento. É por ser muito caro? É por ser muito vedeta? É por se estar a comportar mal? É por estar a fazer “mau marketing”? O que tem feito o Ronaldo para parar a polémica em torno de si, em torno da sua marca pessoal? Pouco ou nada, parece-me. Tem deixado correr a tinta e tem assistido no banco (onde tem passado a maioria do seu tempo nos últimos jogos também 😶).

 

O que vos parece que tem acontecido à marca Ronaldo nas últimas semanas?

O Ronaldo acabou por nos dar uma lição, em 3 passinhos apenas (como quando marca um livre certeiro) de como arruinar (se calhar arruinar é demasiado forte, mas manchar pode ser adequado) quase em fim de carreira, a nossa marca pessoal:

 

Falta de compromisso com a promessa de valor da marca

Ao longo dos últimos anos a marca CR7 mostrou-nos dedicação, esforço, luta, trabalho árduo e a promessa de ser o melhor jogador do mundo. Neste momento, a promessa de valor tem sido posta em causa e mais do que os resultados para o clube que representa esta marca tem um papel social enorme já que há muitos jovens que se revêm nela e a querem imitar. Isto levanta outras questões relativamente a “Marcas Pessoais”. Qual o papel de um influenciador na imagem que passa para o seu público? Qual a sua responsabilidade?

Alimentar assuntos controversos

Será que já não existe uma decisão tomada? Será que o jogador não poderia ter já esclarecido sobre aquilo que quer para o seu futuro? Na verdade, ele pode! Ele tem um estatuto em que já pode escolher o que quer fazer. É-lhe permitido. E isso ia parar de alimentar a controvérsia porque estes assuntos tendem a criar divisão em vez de aproximar as pessoas. O mesmo pode acontecer com uma marca. Por isso, é tão importante pensar duas vezes sobre os assuntos que se abordam com o público, pois pode alienar os clientes por expressar uma mera opinião.

 

Ignorar a história e os objetivos da marca

A história do Ronaldo é uma história forte e bonita. Construída com muito trabalho. E isso tem sido um dos pilares fundamentais da construção da sua marca pessoal. Mas a história tem de ser consistente. E, na verdade não são os acontecimentos das últimas semanas que nos fazem duvidar da “boa pessoa” que está por detrás da figura pública. Longe disso. Os valores (da marca) estão lá. Mas quer-me parecer que tem faltado alguma consistência e isso pode baralhar o consumidor da marca CR7 ou das marcas por ele representadas. Outro tema interessante já que, pode ser só impressão minha, mas, são cada vez menos, não? Estará a perder o interesse (continuando a ser das mais caras)?

 

Quando uma marca pessoal faz parte de um grupo maior, seja uma equipa, uma empresa ou uma comunidade, é ainda mais importante o cuidado de não sobrepor os objetivos pessoais aos objetivos desse coletivo sob pena não só de danificar as relações pessoais e a imagem individual dessa pessoa, como danificar a imagem de toda uma marca.

 

Nem tudo é performance e resultados! Há propósito e há compromisso que devem, sempre, vir em primeiro lugar. Será que este jogador está a ter em conta a sua equipa ou está a pôr em causa todo um balneário?

 

Estou curiosa para perceber quais serão as próximas movimentações.

Será o fim da era da marca Ronaldo tal como a conhecemos?

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