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Como dar a volta ao cansaço

Fadiga, cansaço, esgotamento… chega-se a meio do ano e as pessoas estão cansadas, porventura mais do que habitualmente. Contam os dias que restam até às férias. Estas, inevitavelmente, são curtas e aquém das expectativas. E o ciclo recomeça. Por que motivo funcionamos deste modo?

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Fadiga e cansaço são de algum modo sinónimos, e descrevem o estado em que se fica após um esforço intenso e prolongado, habitualmente físico, mas muitas vezes mental. A estas duas possibilidades devemos ainda juntar mais duas: a fadiga associada a doença física ou mental e, mais vezes do que se poderia imaginar, a fadiga desencadeada por medicamentos necessários ao tratamento de problemas de saúde.

 

A fadiga é motivo de consulta muito frequente nas consultas do médico de família. Verifica-se que, na maior parte dos casos, a origem do cansaço não está numa doença física: stress psicológico, ansiedade e depressão constituem a origem da maioria das situações de fadiga.

 

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Sabe-se que há fatores sociais que contribuem para o aparecimento de fadiga: ser mulher, nível socioeconómico baixo e escolaridade baixa. Pense-se num exemplo da vida moderna: uma mulher que mora na periferia de uma grande cidade, onde trabalha, mãe de filhos. Esta mulher provavelmente tem “triplo emprego”: o trabalho propriamente dito, cuidar da família e cuidar da casa. A isto somam-se horas gastas em deslocações. Algumas pessoas têm ainda de se desdobrar em mais que um emprego para pagar as contas. Outras têm familiares doentes a cargo.

 

O estranho não é estas pessoas estarem fatigadas: o notável é aguentarem tanto e durante tanto tempo. Quando surgem na consulta, estas pessoas receiam que algo esteja errado com elas e pedem para realizar exames. Estes, na enorme maioria das vezes, nada revelam de anormal. A pessoa não está doente: está, muito simplesmente, esgotada.

 

De que modo poderemos alterar este estado de coisas? Não tenhamos ilusões: é muito difícil alterar o nosso estilo de vida de um dia para o outro. É fácil emitir recomendações como “durma pelo menos oito horas por dia, faça uma alimentação saudável e equilibrada, respeitando os horários das refeições, faça exercício físico, tire tempo de qualidade para estar com a família e com os amigos”. Este padrão é impossível de cumprir por uma enorme quantidade de pessoas, pelo que recomendações deste género acabam por aumentar a frustração de muita gente que não tem outra alternativa que não seja andar a lutar pela vida.

 

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Temos de apontar mais longe e mais fundo. Precisamos de ir modificando a forma como estruturamos a nossa vida pessoal e a nossa organização social. O primeiro passo consiste em trazer a nossa vida diária para tão perto de casa quanto possível: trabalho e escolas dos filhos, em particular. Não nos iludamos: os trajetos diários em transportes públicos ou nas filas de automóveis são garantia de degradação da qualidade de vida pessoal e familiar e, em última análise, da nossa saúde física e mental.

 

O segundo passo é social. Precisamos de transferir os nossos centros de atividade laboral, em particular as atividades terciárias – escritórios, serviços, etc – do centro das cidades para as suas periferias. No dia em que as empresas procurarem instalar-se onde se encontram as pessoas, estaremos a dar um passo importantíssimo para reduzir a sua fadiga – e, com isso, a melhorar a saúde individual, a satisfação coletiva e o desenvolvimento económico do país.

 

Por Armando Brito de Sá

Médico de família

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