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Como ajudar os idosos a manter a saúde física e mental durante o isolamento social

Desde que a pandemia da Covid-19 tomou conta do quotidiano de todos nós, muitas foram as alterações a que os portugueses se sujeitaram. As crianças foram confinadas a casa e é lá que agora brincar e têm aulas. Alguns adultos continuam a sair para exercer os seus trabalhos enquanto outros passaram a teletrabalho. Mas também os idosos sentiram a sua rotina alterar-se e é importante lembrar como ajudá-los a ultrapassar esta fase. Para isso, a mentora do projeto Letras Prá Vida, Dina Soeiro, e a assistente social, Cristiana Leal, explicam como podemos fazer os mais velhos sentirem-se úteis durante o isolamento social.

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Considerados como parte do grupo de risco, os idosos enfrentam esta pandemia com alguns medos e receios, muitos têm até alguma dificuldade em entender o que se passa e como devem agir. O primeiro passo é explicar-lhes de forma simples o que é isto da pandemia de Covid-19.

 

Dina Soeiro explica que «não se deve esconder a realidade, nem impedir que as pessoas falem sobre o assunto. Se sentirmos que o medo está a tomar conta do quotidiano, devemos procurar envolver as pessoas em atividades prazerosas, atividades que gostem de fazer e oferecer-lhes algo de novo, por exemplo, perceber como funcionam as tecnologias, assim como aliviar a exposição à informação, limitando-se à informação séria e não a abordagens sensacionalistas».

 

«É importante orientar os idosos, explicando de forma simples e clara, a fim de potenciar o seu conhecimento e consciencialização acerca das mudanças necessárias para enfrentar esta fase», afirma Cristiana Leal, que alerta ainda para o facto de que esta não é uma tarefa fácil.

 

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A assistente social explica que «muitos idosos apresentam uma certa resistência às indicações que lhes são dadas, sobretudo pela ideia generalizada de que já passaram e sobreviveram a muitas situações de perigo ao longo da vida, assumindo que resistirão à pandemia com essa facilidade. Para contrariar este cenário, devemos direcionar a assistência e reforçar a informação junto destes, privilegiando sempre o diálogo e a cooperação com a rede de suporte do idoso, de forma a aumentar a sua resiliência para enfrentar a situação».

 

Outro dos problemas que atormenta muito os cidadãos mais velhos é o afastamento dos familiares e amigos, que deixaram de os visitar. Dina Soeiro aconselha a que «se explique o porquê deste afastamento e se compense a ausência presencial com telefonemas ou videochamadas frequentes. Esta atitude irá contribuir para que não sintam solidão, nem se sintam abandonados e, por outro lado, para que não fiquem angustiados com a preocupação sobre aqueles que lhes são queridos».

 

«As famílias que se encontram em condição de acolher e cuidar dos membros mais idosos devem assegurar o apoio e o suporte necessário, a fim de minimizar as medidas impostas pelo isolamento e o impacto do próprio vírus no quotidiano do idoso. Como sabemos, as exigências de adaptação a uma nova situação, novas rotinas, novos contactos e interações, aliados ao receio e tensão que a própria pandemia pode provocar, poderá gerar no idoso sentimentos de angústia, insegurança e prostração», explica Cristiana Leal.

 

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Dina Soeiro acrescenta ainda que as famílias que vivem com os membros mais idosos devem «aproveitar a oportunidade de estarem em casa juntos, mantendo as rotinas possíveis, criando oportunidades de partilha, como, por exemplo, cozinhar em conjunto. Desta forma acabam por permitir a aprendizagem intergeracional e a valorização do contributo de todos».

 

Nesta altura, outra das dificuldades é manter as rotinas, de forma a potenciar um estilo de vida saudável evitando problemas que tendem a ocorrer nestas idades. «À semelhança do que acontece no dia-a-dia, deverão manter-se as principais atividades de rotina bem como os horários, até porque para manter a saúde em casa e tornar o tempo mais prazeroso é necessário manter-se ativo, não descurando claro os períodos de descanso», realça a assistente social.

 

Cristiana Leal alerta para alguns pontos para os quais os familiares devem estar especialmente atentos, «como é o caso da dieta e da alimentação, do período de descanso, da higiene pessoal, da toma da medicação, da atividade física e de outras atividades ocupacionais que mantenham o idoso ativo e saudável, aumentando a sensação de bem-estar e o combate à ansiedade e monotonia».

 

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Para os idosos, nem sempre é fácil exprimirem-se sobre a sua saúde mental, por isso é necessário que os mais próximos estejam alerta e possam contornar a situação através da proposta de atividades ocupacionais que possam ser desenvolvidas em casa, de modo a preencher a rotina do idoso. A assistente social explica que «a realização de atividades comuns, isto é, que incluam todos os membros da família poderá significar uma panóplia de oportunidades e descobertas, potenciando essencialmente o fortalecimento dos laços familiares e o combate à solidão».

 

Agora que não é possível deslocarem-se para conviver nos jardins ou nos cafés, que alguns dos centros de bem-estar diários estão apenas a prestar serviço ao domicílio e que até as saídas para a compra de bens essenciais foram reduzidas ou são agora realizadas por familiares de menor risco, torna-se urgente dedicar alguma atenção aos membros mais velhos da família. Conheça algumas ideias para aproveitar ao máximo esta quarentena com eles na galeria no início do artigo.

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