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Como a maternidade mudou nos últimos 25 anos

Num quarto de século, a mortalidade materna durante o parto caiu 40%, o uso de métodos contracetivos aumentou 25% e a maternidade na adolescência decresceu. Os dados são do Fundo de População das Nações Unidas. Hoje, nono dia do nono mês do ano, assinala-se o Dia Mundial da Grávida.

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Há menor propensão para a maternidade na adolescência

Em 1994, a taxa de gravidez entre os 15 e os 19 anos era de 65 para cada mil mulheres. Atualmente, esse número é de 44 nascimentos a cada mil mulheres. A Unfpa acredita que essa tem sido uma conquista fundamental para a saúde e os direitos das mulheres e meninas. A gravidez precoce é prejudicial para o bem-estar e os objetivos de vida de uma jovem, pois estas são menos propensas a terminar os estudos ou a encontrar trabalho.

 

Elas são também mais vulneráveis à pobreza e à exclusão, e a sua saúde é mais frágil. Porém, apesar de as taxas de gravidez na adolescência terem caído, elas permanecem altas em muitas partes do mundo, particularmente em áreas onde o acesso a contracetivos é baixo e as taxas de casamento infantil são altas.

 

Lesões traumáticas no parto, como a fístula obstétrica, estão a ser reconhecidas como um grande problema de saúde

Apesar de o cuidado na saúde materna se ter aperfeiçoado, a gravidez e o parto permanecem arriscados para muitas mulheres no mundo. Para cada mulher que morre no parto, uma estimativa de 20 a 30 sofrem lesões, infeções ou ficam com alguma deficiência, revela a organização. Uma das lesões mais graves de parto é a fístula obstétrica, um orifício no canal vaginal que pode se desenvolver durante um trabalho de parto prolongado e obstruído.

 

O seu impacto nas mulheres é catastrófico, uma vez que as mulheres com frequência desenvolvem incontinência urinária, problemas médicos crónicos e isolamento social. Esta condição é quase inteiramente evitável quando as mulheres têm acesso a atendimento médico.

 

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O peso das tarefas domésticas desigual diminuiu, mas pouco

Ao longo dos últimos 25 anos, pesquisas sobre o uso do tempo revelaram um enorme desequilíbrio de género no trabalho doméstico não remunerado, incluindo cuidados com crianças e pessoas idosas. Essas desigualdades persistem mesmo quando as mulheres trabalham as mesmas horas fora de casa. Em média, as mulheres gastam cerca de três vezes mais tempo com cuidados de crianças e outros trabalhos domésticos do que os homens, revela a Organização Internacional do Trabalho, OIT.

 

Nos 23 países onde dados estão disponíveis, a parcela masculina dos cuidados não remunerados cresceu durante as décadas mais recentes, mas não muito. Entre 1997 e 2012, a diferença de géneros no que se refere ao tempo gasto em cuidados não remunerados diminuiu apenas sete minutos por dia. Num relatório de 2018, a OIT destaca que “neste ritmo, vai levar 210 anos para encerrar a disparidade de género no cuidado não remunerado.” Este fardo desproporcional reduz o tempo disponível para mulheres gastarem em trabalho pago e outros objetivos. Para muitas mulheres, ter uma criança significa deixar o mercado de trabalho para conseguir realizar os trabalhos domésticos.

 

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