Home»ATUALIDADE»NOTÍCIAS»Como a indústria do açúcar pôs as culpas na gordura

Como a indústria do açúcar pôs as culpas na gordura

A falta de transparência das indústrias alimentares pode conduzir a falácias que determinam a saúde da população mundial. Um novo relatório veio agora demonstrar isso mesmo.

Pinterest Google+

Na década de 60, a indústria do açúcar patrocinou um estudo que reduzisse a ligação do açúcar às doenças cardiovasculares e promovesse a gordura saturada como a ‘principal culpada’, de acordo com documentos histíricos agora revelados num relatório publicado no ‘JAMA Internal Medicine’.

 

Os documentos, internos à indústria do açúcar, foram descobertos  recentemente por um investigador da Universidade da Califórnia e sugerem que cinco décadas de pesquisa na área da nutrição e doernças do coração – incluindo muitas das recomendações atuais de dieta – possam ter sido moldadas pela inústria do açúcar, divulga o ´The New York Times’.

 

Um artigo de revisão, em 1967, publicado no ‘The New England Journal of Medicine’ (‘NEJM’), apontou a gordura e o colesterol como os grandes culpados das doenças cardíacas, encobrindo, assim, as evidências que já vinham de 1950 de que o açúcar também está ligado a doenças cardíacas. De acordo com o atual relatório, esse artigo de revisão foi patrocinado pela ‘Fundação de Pesquisa de Açúcar’, que hoje é a Associação de Açúcar, embora o seu papel não tenha sido divulgado na época.

 

Veja a galeria: Snacks que previnem o consumo excessivo às refeições

 

«Eu pensei que tinha visto tudo, mas este estava encoberto», disse Marion Nestle, da Universidade de Nova Iorque e que escreveu um editorial sobre o tema, à ‘Reuters’. «Foi tão flagrante e o ‘suborno’ era tão grande». Nestle afirma, ainda, que o «financiamento da investigação é ético», mas que «subornar investigadores para produzir provas» que não correspondem à realidade, «não é».

 

Veja a galeria: O que deve comer antes de treinar

 

Os investigadores também analisaram vários relatos históricos. Em 1954, o presidente da fundação, Henry Haas, fez um discurso que destacava o potencial da redução da ingestão de gordura americana e que se podiam reaver essas calorias através dos hidratos de carbono, isto é, o seu discurso promovia o aumento do consumo per capita de açúcar em mais de um terço.

 

Em 1962, um relatório de nutrição da ‘American Medical Association’ indicou que as dietas de baixo teor de gordura e ricos em açúcar podiam realmente incentivar ao desenvolvimento de colesterol. Dois anos mais tarde, segundo este novo relatório, o vice-presidente da Fundação de Pesquisa de Açúcar lançou um programa de grande escala para combater as alegadas ‘atitudes negativas’ em relação ao açúcar.

 

Artigo anterior

Saiba qual a importância da vitamina D para a nossa saúde

Próximo artigo

District: novo centro empresarial e de lazer do Porto abre em setembro