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Comer mais como os nossos antepassados iria melhorar a atual saúde humana

Há uma divergência entre o genoma humano que foi evoluindo nos últimos 2,3 milhões de anos e a dieta base dos últimos 50 anos, pouco diversificada e pobre em micronutrientes. Um novo estudo diz que é necessário realinhar a concordância genoma/nutrição para o ser humano prosperar.

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Os problemas de má nutrição da atualidade podem ser atribuídos a dietas de baixa qualidade e pouca diversidade, um fenómeno recente na história evolutiva do ser humano, de acordo com um novo estudo publicado pela Universidade de Washington, EUA. Inverter isto e comer mais como os nossos antepassados iria impactar na melhoria da saúde da humanidade da atualidade.

 

«As dietas anteriores eram altamente diversificadas e repletas de nutrientes, em contraste com os sistemas alimentares modernos em que dietas monótonas de cereais básicos e alimentos ultraprocessados desempenham um papel proeminente», refere Lora Iannotti, professora associada e autora principal do artigo ‘Genoma – Divergência de nutrição: compreensão evolutiva do espectro de desnutrição», publicado na revista ‘Nutrition Reviews’.

 

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O artigo descreve a divergência entre genoma e nutrição como um quadro construtivo sobre a teoria da discordância de Melvin Konner e S. Boyd Eaton, afirmando que há um desalinhamento entre as dietas modernas e o genoma formado pelo tempo. Tal é evidenciado pelos fatores de risco de subnutrição e de excesso de nutrição que se verificam na atualidade.

 

«Embora existam evidências de que os humanos têm capacidade de se adaptar ao contexto alimentar, as dietas de muitas populações em todo o mundo não estão alinhadas com os requisitos determinados pelo genoma», escreve a autora. «Pesquisas recentes sugerem que tanto a subnutrição como a sobnutrição divergem das dietas que permitiram que os seres humanos evoluíssem, particularmente no que diz respeito à quantidade de consumo de certos alimentos e produtos alimentares, como cereais e alimentos ultraprocessados».

 

O trabalho foca-se na necessidade de uma maior qualidade alimentar, que aponta para a necessidade de proporções alteradas de macronutrientes (menores percentagens de hidratos de carbono, em particular) e maiores concentrações de uma variedade de micronutrientes. «Esta revisão mostra que os alimentos ultraprocessados, em particular produtos feitos de substâncias extraídas de alimentos integrais, particularmente óleos, farinhas e açúcar, não faziam parte das dietas evolutivas e podem ser o principal motor de desnutrição dos ambientes alimentares atuais», explica Iannotti.

 

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Os seres humanos adaptaram-se ao longo de um período de 2,3 milhões de anos a uma dieta de alta qualidade e diversidade, havendo atualmente uma divergência genoma/nutrição. Esta pesquisa sobre as dietas dos humanos ao longo do tempo mostra que estes prosperaram com uma ampla gama de alimentos. As dietas anteriores eram altamente diversas e repletas de nutrientes, em contraste com os sistemas alimentares modernos monótonos, com cereais básicos e alimentos ultraprocessados.

 

Mecanismos para mudanças nos sistemas alimentares, tais como políticas agrícolas, agroecologia e política social, são meios para realinhar as dietas modernas com os padrões nutricionais com os quais os seres humanos estão mais alinhados e adaptados para prosperar. «Há uma necessidade de melhor alinhar sistemas alimentares com padrões alimentares que existiram no nosso passado evolutivo», conclui a autora.
 

 

 

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