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Estudo: Comer grilos é bom para os intestinos

Pode ser estranho para a cultura europeia, mas na América Central e no Sudoeste Asiático comer grilos é algo normal, especialmente fritos. Os insetos estão a chegar à mesa dos ocidentais, com alguns projetos a tomarem a dianteira na Europa. Agora, para além saborosos, como dizem, podem mesmo beneficiar a saúde humana. Pelo menos os grilos, segundo uma nova pesquisa agora divulgada.

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Segundo um estudo médico do Instituto Nelson da Universidade de Wisconsin-Madison, EUA, comer grilos faz bem ao intestino e altera o microbioma humano. Neste novo estudo, é revelado que comer grilos pode ajudar a apoiar o crescimento de bactérias benéficas do intestino e consequentemente a reduzir inflamações.

 

Mais de dois mil milhões de pessoas em todo o mundo consomem regularmente insetos. Estes são uma boa fonte de proteínas, vitaminas, minerais e gorduras saudáveis. Alguns dos insetos mais consumidos – dependendo do país – são: grilos, lagartas, cigarras, gafanhotos e larvas de besouro.

 

No início pode ser estranho comer insetos, mas os hábitos gastronómicos, tal como a moda, mudam e depois de provados, as pessoas costumam ficar encantadas com este novo tipo de alimento. «Há muito interesse nos insetos comestíveis. Está a ganhar força na Europa e nos EUA como uma fonte de proteína sustentável e ecológica, em comparação com a pecuária tradicional», explica Valerie Stull, uma das autoras deste estudo.

 

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A equipa desta universidade pretende documentar, pela primeira vez, os efeitos na saúde ao comer grilos fritos. Estes, como outros insetos, contêm fibras, como a quitina, que não se encontra na fruta e nos vegetais. Esta fibra serve como fonte de alimento microbiano e alguns tipos de fibra promovem o crescimento de bactérias benéficas, também conhecidas como probióticos. Com este estudo, os investigadores da Universidade de Wisconsin-Madison pretendiam saber se as fibras encontradas nos insetos poderiam influenciar as bactérias encontradas no trato gastrointestinal dos seres humanos.

 

Durante duas semanas, cerca de 20 homens e mulheres saudáveis, entre os 18 e os 48 anos, consumiram, ao pequeno-almoço, cerca de 25 gramas de farinha de grilo em forma de muffins. Nas duas semanas seguintes, houve uma troca de dietas para que todos conseguissem consumir grilo.

 

Os pesquisadores recolheram amostras de sangue, fezes e realizaram questionários antes do início deste estudo e após o segundo período de dieta de duas semanas. Em relação às amostras de sangue, estas foram testadas para uma série de medidas de saúde, como é o caso da glicose no sangue e enzimas associadas à função hepática ou os níveis de proteínas que possam ser associadas a inflamações.

 

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As amostras fecais foram testadas para os subprodutos do metabolismo microbiano no intestino humano, produtos químicos inflamatórios e a composição habitual das comunidades microbianas. Os participantes neste estudo não relataram qualquer tipo de alterações gastrointestinais significativas ou efeitos colaterais do consumo de insetos.

 

Os investigadores observaram um aumento de uma enzima associada à saúde intestinal e uma diminuição de uma proteína inflamatória no sangue. Esta enzima, que é chamada de TNF-alfa, tem sido associada ao combate da depressão e do cancro. Também foi referida uma maior presença da bactéria Bifidobacterium animalis, que está associada a uma melhoria da função gastrointestinal.

 

Criar insetos de propósito para consumo ajuda na proteção do meio ambiente e oferece uma opção mais saudável que a carne em muitos países onde este alimento está na base da alimentação, como explica Jonathan Patz, um dos coautores deste estudo e diretor do Instituto de Saúde Global UW-Madison. «Este estudo é importante porque os insetos representam um novo componente nas dietas ocidentais e os seus efeitos para a saúde humana ainda não foram estudados», diz o professor de ciência dos alimentos e nutrição humana na Universidade Estadual do Colorado, Tiffany Weir.

 

Só que, segundo os investigadores envolvidos neste estudo, são necessárias outras investigações para ser possível entender quais as componentes dos grilos que são mais benéficas para a saúde intestinal.

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