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Comer carne: sim ou não?

O problema não está na carne que consumimos proveniente das vaquinhas da aldeia, mas sim na produção intensiva de vacas, frangos, salmão, abacates... que é feita a grande escala pelo planeta e que depois viaja também a grandes distâncias para todo o mundo. Omnívoros, flexivegetarianos, vegetarianos e veganos deviam preferir produção nacional, sustentável e biológica. Para assim ajudarmos realmente o ambiente.

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Este é um debate que está a preocupar cada vez mais pessoas. Ora é porque os estudos indicam que ingerir demasiada carne faz mal à saúde, ora é pelas polémicas à volta das hormonas e outros aditivos que acrescentam peso a esses malefíicos, ora é pelo despertar de consciências para o bem-estar animal criado para consumo, ora é pelo peso que a produção de carne para alimentar o padrão de consumo da sociedade atual estar a sobrecarregar negativamente o ambiente. Ora, ora, ora… Há muitas razões para colocar estas questões, todas válidas, e ainda bem que a sociedade as está a debater. Temos de o fazer.

 

Mas este é um tema que não pode ser isolado a comer ou não comer carne. Ele tem de ser integrado numa discussão ampla sobre o nosso atual mondus vivendi e o seu impacto no planeta. O problema não está na carne que consumimos proveniente das vaquinhas da aldeia, mas sim na produção intensiva de vacas, frangos, salmão, abacates… que é feita a grande escala pelo planeta e que depois viaja também a grandes distâncias para todo o mundo. Assim, um bife, um salmão, mas também um abacate, uma manga, que nos chega a preço acessível – porque a economia de escala da sua produção assim o permite – tem uma pegada ambiental enorme. Não é a isolarmos um bode expiatório, ou melhor ‘vaca expiatória’, e todos pararmos de comer carne de vaca para comermos todos soja ou outra variante que isto se vai resolver. Mas, atenção, todas as medidas para ajudar o planeta são bem-vindas. Por algum lado se tem de começar. Os ajustes chegam com a aprendizagem e a discussão dos temas. E assim vamos afunilando para um novo posicionamento da sociedade.

 

Eu, particularmente, não gosto muito de carne e quando a como tem de ser bem disfarçada com molhos. Também pratico aquilo a que agora se convencinou chamar de flexivegetarianismo – faço muitas refeições vegetarianas pautadas por carne e peixe aqui e ali. Ou seja, é um nome pomposo para o tipo de alimentação que os nossos avós faziam. A minha preocupação? Que o que como seja o mais isento de aditivos possível, portanto, a minha primeira escolha vai para os alimentos biológicos. E que sejam nacionais, claro. E, no caso da proteina animal,  que também tenham sido criados em condições que respeitem o seu bem-estar. Por isso, pessoalmente, prefiro tudo o que seja criado em pasto, ao ar livre ou mar aberto, apesar de essa informação nem sempre ser disponibilizada. Mas nada de fundamentalismos. Cada um come o que quer.

 

Mas,  em meu entender, omnívoros, flexivegetarianos, vegetarianos e veganos deviam preferir produção nacional, sustentável e biológica. A carne assim é mais cara, sim, mas não precisamos de consumir todos os dias proteina animal. Os legumes e a fruta biológicos são mais caros, mas também estão isentos de químicos e têm outro sabor. Também ser vegetariano ambientalmente preocupado e consumir abacates de produções intensivas da América do Sul não faz muito sentido nesta equação. A globalização tem coisas boas, mas também tem este reverso da medalha.

 

No fundo, temos de pensar na nossa pegada ambiental como um todo e não diabolizando este ou aquele produto. O bom-senso é rei nestes debates. Já agora, se preferirmos nacional também estamos a ajudar a economia do país. Por isso, como consumidores, temos de fazer as nossas escolhas e mandar assim as mensagens certas. Nós supermercados aparecem os produtos que nós privilegiamos e desaparecem aqueles que os consumidores rejeitam.

 

No fundo, cada um de nós tem direito a fazer a sua opção alimentar, sem apontar dedos. Mas seja qual for essa opção, o que não podemos é descurar o impacto que as nossas escolhas têm sobre o planeta que todos habitamos. Somos todos responsáveis e todos temos de cuidar da nossa casa. E vamos conseguir reduzir a nossa pegada ambiental se preferirmos produção local (se for bio, melhor), evitar as produções massivas e reduzir de facto a ingestão de carne para os níveis já orientados pela Organização Mundial de Saúde a apenas algumas refeições por semana.

 

E tão bem que sabe um jantar de feijão alentejano ou uma omeleta com salsa. A culinária portuguesa é riquíssima em criações saborosas com os produtos da terra e até com pouca ou nenhuma proteína animal. No fundo, basta regressarmos um pouquinho ao passado e retirar as boas lições que nos deixaram. Fazer uma alimentação consciente, com conta, peso e medida.

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