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Cigarro eletrónico esconde perigos

Apesar de o cigarro eletrónico ser apresentado ao público como uma alternativa mais saudável do que o tabaco tradicional, a Organização Mundial de Saúde alerta para os seus perigos.

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A procura de uma solução para quem quer deixar de fumar parece ter encontrado resposta nos cigarros eletrónicos. Também chamado de e-cigarro ou cigarro de evaporação, o cigarro eletrónico é um simulador do cigarro real. Este aparelho surgiu há uma década e, nos últimos anos, as vendas têm vindo a crescer em todo o mundo, nomeadamente na Europa. Um estudo recente revelou que 23 por cento dos fumadores holandeses já optaram pelo cigarro eletrónico.

 

O aparelho tem uma bateria, uma resistência elétrica e um recipiente para o líquido. As sensações físicas e o sabor são semelhantes aos do cigarro tradicional, mas não existe tabaco nem combustão. O que existe de facto no líquido do cigarro eletrónico é ainda uma incerteza para alguns especialistas, até porque estes aparelhos ainda se encontram num vazio legal, uma vez que a regulamentação é inexistente em Portugal e em grande parte do mundo.

 

Isto permite que os fabricantes e vendedores veiculem uma mensagem que associa os cigarros eletrónicos a um estilo de vida saudável. Contudo, a Organização Mundial de Saúde já assumiu uma posição neste assunto, divulgando alguns dos riscos para a saúde encontrados por alguns estudos, a pseudoeficácia destes para a cessação tabágica e a interferência que estes apresentam nas políticas de prevenção e controlo do tabagismo.

 

Patrícia Pinto, psicóloga do Departamento de Educação Para a Saúde da Liga Portuguesa Contra o Cancro, explica: “Por terem nicotina, os cigarros eletrónicos apresentam efeitos adversos para o desenvolvimento fetal e para os adolescentes, assim como contribuem para as doenças cardiovasculares e poderão ser percursores do desenvolvimento de tumores. Algumas falhas técnicas dos cigarros eletrónicos, pouco mediatizadas, estão associadas a overdoses de nicotina por ingestão e contacto dermatológico. A inalação de aerossóis do vapor do cigarro eletrónico, que não é apenas água como publicitado, está associada, a curto prazo, a irritações oculares e respiratórias e, a longo prazo, a efeitos que ainda não podem ser estudados, como o cancro.”

 

A preocupação dos especialistas também se centra no facto do cigarro eletrónico poder estar a re-normalizar o consumo: “A indústria dos cigarros eletrónicos tem apostado numa comunicação do seu produto associada ao bem-estar, à sofisticação e ao luxo. Assim, uma representação social dos cigarros eletrónicos enquanto seguros poderá funcionar para os não fumadores como uma forma de iniciação ao consumo de nicotina que, começando dessa forma, poderão depois querer passar para o cigarro tradicional”, diz a psicóloga.

 

Para além disso, estudos independentes têm revelado que o cigarro eletrónico não está associado a maiores taxas de sucesso na cessação tabágica. Até pelo contrário, parece estar associado a uma diminuição da motivação para parar o consumo.

 

O estado português está a preparar um documento para regular este consumo. As diretivas europeias recomendam que os governos exijam que nas embalagens constem a lista de todos os ingredientes, as emissões previstas e as consequências para a saúde, que a concentração máxima de nicotina seja de 20 mg/ml, que os frascos de recarga devam ter tampas “à prova de criança” e que a publicidade ou a referência a benefícios para a saúde seja proibida. Com o vazio legal preenchido, será mais fácil controlar este consumo.

 

O tabagismo em números

Em Portugal, estudos recentes apontam para que existam 20% por cento de ex-fumadores. Mesmo em relação aos fumadores, a grande maioria, 89 por cento, assume pensar ou ter pensado em deixar de fumar.

 

O tabagismo é responsável pela morte de mais de cinco milhões de pessoas por ano, é o principal causador da morte por doenças cardiovasculares e está associado a mais de 70 por cento das mortes relacionadas com o cancro dos pulmões, traqueia ou brônquios. Está também provado que o tabaco torna as pessoas menos produtivas no seu local de trabalho e menos enérgicas.

 

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