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Cientistas investigam porque é que os elefantes não têm cancro

Uma equipa de cientistas americanos descobriu uma característica genética que explica a raridade de casos de cancro nos elefantes e que pode ser a chave para novos avanços na prevenção da doença

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Há muito tempo que os cientistas estão alerta para o facto da taxa de casos de cancro nos elefantes ser muito baixa mas, até agora, as razões nunca foram estudadas. Desta feita, um grupo de investigadores do Instituto de Cancro Huntsman, na Universidade do Utah, nos Estados Unidos, trabalhou durante anos na procura de uma explicação e, ao que parece, encontraram-na.

 

De acordo com o artigo publicado no “Jornal da Associação Americana de Medicina”, resultado da colaboração entre os cientistas e várias instituições, entre as quais o Jardim Zoológico do Utah e o Centro de Conservação dos Elefantes Ringling Bros., os elefantes têm 40 cópias modificadas de um gene que é um supressor de tumores, sendo que os humanos apenas possuem duas cópias do mesmo gene. Ou seja, os elefantes têm uma maior capacidade de eliminar células danificadas que podem vir a tornar-se cancerosas. Ao analisar a atividade destas células, os cientistas descobriram que elas são duas vezes mais ativas do que as dos humanos e isto poderá ser a chave da resistência dos elefantes ao cancro.
«A natureza já descobriu como prevenir o cancro. É o nosso papel perceber como diferentes animais lidam com o problema e adotar essas estratégias para prevenir a doença nas pessoas», explicou Joshua Schiffman, autor principal do estudo e oncologista pediátrico.

 

De acordo com o investigador, o facto da taxa de cancro ser baixa nos elefantes era uma grande incógnita porque estes animais possuem 100 vezes mais células do que os humanos, o que significa que eles teriam 100 vezes mais chances de uma das células desenvolver cancro. E, no entanto, esta estatística não se verificava. Aliás, os elefantes têm apenas cinco por cento de probabilidades de morrer de cancro, em comparação com uma percentagem entre 11 a 25 por cento nos humanos.

 

Os investigadores sujeitaram a amostra de sangue de um elefante a um tratamento que danifica o ADN e causa cancro. Em resposta, as células danificadas auto-destruíram-se. «Se a célula danificada é morta já não pode desenvolver cancro. Esta pode ser uma abordagem preventiva ao cancro mais eficaz do que tentar parar a multiplicação de uma célula danificada», explica o médico.

 

Apesar da equipa afirmar que são necessários mais estudos para reafirmar a teoria de que estas células poderão ser as responsáveis pela baixa taxa de cancro nos elefantes, Schiffman planeia usar o que aprendeu com esta investigação para o desenvolvimento de novas terapias de luta contra a doença.

 

«A pesquisa traz benefícios para os elefantes e para os humanos. Porque se os elefantes guardam uma parte da chave para a luta desta doença, então por todo o mundo as pessoas vão cuidar mais destes animais», afirmou um representante do zoo do Utah.

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