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China retalia e impõe sanções a personalidades e instituições europeias por ingerência em assuntos de direitos humanos

Após sanções da União Europeia à China por abusos de direitos humanos contra a minoria uigur na província chinesa de Xinjiang, o governo chinês responde com proibição de entrada na China, Hong Kong e Macau de algumas personalidades e familiares que trabalham em instituições europeias e cessação de negócios com empresas relacionadas.

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O Governo da China retalia contra as sanções que lhe foram impostas nesta segunda-feira pelo Conselho da União Europeia devido abusos de direitos humanos contra a minoria uigur na província chinesa de Xinjiang. A medida assinada pelos 27 Estados-membros da EU no início da semana contra quatro autoridades chinesas e uma organização pública visa dar destaque às detenções em massa de uigures no noroeste da China, onde alegadamente pais e filhos são separados e  alguns deles enviados para campos para ‘reeducação’ cultural.

 

O Reino Unido, que  já não faz parte do bloco comunitário, sancionou os mesmos alvos também nesta segunda-feira. Segundo a Deutsche Welle, esta é a primeira imposição de sanções da UE à China em mais de três décadas, desde o embargo de armas imposto em 1989, após o massacre de Tiananmen.

 

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Posteriormente, num comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, este governo diz que «este movimento, baseado em nada além de mentiras e desinformação, ignora e distorce os factos, interfere grosseiramente nos assuntos internos da China, viola flagrantemente o direito internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais e prejudica gravemente as relações China-UE. A China opõe-se firmemente e condena veementemente isso».

 

Neste sentido, o governo decidiu sancionar dez indivíduos e quatro entidades da UE que «prejudicam gravemente a soberania e os interesses da China e espalham mentiras e desinformação maliciosamente». Entre eles estão elementos do Parlamento Europeu, do Parlamento holandês, do Parlamento belga, da República da Lituânia, do Comité Político e de Segurança do Conselho da União Europeia, do Comité dos Direitos Humanos do Parlamento Europeu, do Instituto Mercator para Estudos da China na Alemanha e da Fundação Aliança de Democracias na Dinamarca.

 

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«Os indivíduos em questão e suas famílias estão proibidos de entrar no continente, em Hong Kong e em Macau. Eles e empresas e instituições associadas a eles também estão impedidos de fazer negócios com a China», informa o governo da China, que diz ainda no comunicado que a UE «deve parar de dar lições de direitos humanos e interferir em assuntos internos», pois caso contrário «a China fará resolutamente novas reações».

 

Posto isto, deputados do parlamento Europeu divulgaram ontem nova declaração onde «condenam firmemente» as violações dos direitos humanos na China: «Reiteramos a nossa séria preocupação com os abusos no país, em particular a perseguição à minoria uigur na província de Xinjiang e a repressão de todas as vozes dissidentes e de oposição. Condenamos firmemente estes atos e as recentes tentativas do Governo chinês de interferir na vida democrática das nossas nações e da União Europeia. Como deputados eleitos do Parlamento Europeu, continuaremos a denunciar ativamente as violações dos direitos humanos e do direito internacional, e a exortar a UE a manter o respeito pelos direitos humanos no centro de todas as suas políticas externas».

 

 

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