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Chegou o verão, chegaram as picadas de insetos

Com o tempo quente e o corpo mais exposto, aparecem também as incómodas picadas de insetos. Elisa Pedro, alergologista, explica o que se deve fazer para melhor lidar com este problema.

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No verão proliferam as picadas de insetos. Porque algumas pessoas são mais picadas do que outras?

A reação às picadas de insetos é designada por prurigo estrófulo ou urticária papular. O aparecimento de reação depende da hipersensibilidade individual.

 

O número de pessoas alérgicas a picadas de insetos cresceu? Qual o estado da situação?

A incidência de reação à picada de insetos varia entre 8,4% a 9% da população. A prevalência de alergia ao veneno de himenópteros é de cerca de 20% na população geral, sendo mais elevada nos apicultores (35%). Estes valores parecem manter-se estáveis nos últimos anos.

 

 

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Como se pode traduzir que uma pessoa é alérgica a picadas de insetos? Quais os sintomas?

No verão, há sempre mais insetos, por isso, a alergia à picada de insetos é muito frequente nesta época do ano. As picadas de inseto (mosquitos, melgas, pulgas e percevejos) podem provocar reações alérgicas locais em resposta às proteínas presentes na saliva.

 

Não provocam anafilaxia (reação alérgica generalizada com envolvimento de vários órgãos), mas podem causar inflamação local com incómodo para o doente e podem ser uma porta de entrada para infeções cutâneas.

 

Estas reações locais provocam uma pápula (baba) com eritema à volta (vermelhidão) e com intenso prurido local. Por vezes, surgem pequenas vesículas contendo líquido. O facto de o doente se coçar pode dar origem a infeção cutânea no local da picada.

 

No nosso país, felizmente, não há mosquitos transmissores de doenças graves como a malária, dengue ou febre-amarela.

 

Os himenópteros (abelhas e vespas) injetam veneno na pele, o que pode desencadear vários tipos de reações nos doentes alérgicos, desde reações locais (edema, vermelhidão e prurido no local da picada que resolve em 24 horas), reações locais exuberantes (edema em redor da picada com diâmetro >10 cm e que persiste para além das 24 horas), até reações anafiláticas (reação alérgica generalizada com envolvimento de vários órgãos), que podem ser fatais. As abelhas deixam o aparelho de veneno (ferrão) na pele, que deve ser retirado.

 

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Por vezes, as picadas parecem espalhar-se pelo corpo. Como se explica isso?

A reação inflamatória pode disseminar-se e dar origem a múltiplas lesões noutros locais da pele.

 

Como tratar as alergias a picadas?

Após a picada, devem-se aplicar compressas frias ou gelo no local e/ou creme corticoide para diminuir a reação inflamatória consequente à picada, e, nos casos mais extensos, um anti-histamínico oral para controlar o prurido (comichão) e evitar a coceira que pode levar à infeção da pele. Devem evitar-se os cremes anti-histamínicos, pois podem provocar fotossensibilidade.

 

Quando as lesões infetadas forem extensas e múltiplas, deve-se procurar ajuda médica para tratamento da infeção (por vezes é necessário um antibiótico).

 

Quando as picadas ocorrerem em zonas mais sensíveis da pele, como as pálpebras, e podem dar origem a edema (inchaço) exuberante com dificuldade em abrir os olhos, deve-se procurar ajuda médica para tratamento da inflamação (por vezes é necessário tratamento com corticoides orais).

 

Nos casos de reação sistémica grave (anafilaxia), com picadas de abelha ou vespa (himenópteros), os doentes devem portadores de um estojo de emergência com adrenalina para autoadministração.

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