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Células estaminais como opção terapêutica para leucemias e linfomas

Todos os anos são diagnosticados em Portugal 350 novos casos de cancro em crianças e o diagnóstico precoce é fundamental, permitindo salvar muitas vidas. No Dia Internacional da Criança com Cancro, 15 fevereiro, Marika Bini Antunes, médica especialista em Imuno-hemoterapia, explica porque as células estaminais são uma importante arma no combate ao cancro, podendo a sua aplicação em determinadas doenças oncológicas salvar vidas.

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O transplante hematopoiético com recurso a células estaminais pode ser uma opção terapêutica para alguns tipos de leucemias e linfomas. O sangue do cordão umbilical constitui uma das fontes de células estaminais hematopoiéticas, que poderá ser utilizada em contexto autólogo (para o próprio) ou alogénico (para outra pessoa desde que compatível).

 

O sangue de cordão umbilical pode ser colhido e criopreservado aquando do nascimento de um bebé, por bancos públicos e por bancos privados (ou familiares). A criopreservação num banco publico é gratuita: a mãe doa na altura do parto o sangue do cordão umbilical do seu bebé para qualquer indivíduo que um dia possa ter necessidade de ser tratado com um transplante hematopoiético. As mães “dadoras” são submetidas a uma avaliação clínica prévia e um número limitado unidades de sangue de cordão é validado clinicamente e criopreservado.

 

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A criopreservação num banco privado/familiar é um serviço que os pais contratam no sentido de criopreservar o sangue e tecido do cordão do seu bebé, para utilização autóloga ou em contexto familiar, em caso de futura necessidade. Esta segunda opção é fortemente sugerida quando há no núcleo familiar irmãos (do bebé que vai nascer) com patologias suscetíveis de serem tratadas com um transplante hematopoiético. Trata-se neste caso de dádivas dirigidas em que o sangue de cordão do irmão saudável que irá nascer poderá ser usado para tratar o irmão doente.

 

O banco privado/familiar permite a colheita e criopreservação para mães que por razões clínicas (por exemplo existência de patologias autoimunes ou neurodegenerativas) não poderiam doar o cordão no banco público.

 

O transplante alogénico com células estaminais do cordão umbilical é um tratamento bem estabelecido, sobretudo no tratamento de crianças com insuficiências medulares congénitas tais como Anemia de Fanconi ou Aplasia eritróide. Pode ainda ser uma opção terapêutica para crianças com outras neoplasias, como leucemias linfoblásticas agudas em recaídas ou no linfoma de Burkitt.

 

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O sangue do cordão é uma preciosa fonte celular, rapidamente disponível e potencialmente curativa: a primeira utilização de sangue do cordão umbilical para transplante alogénico ocorreu em 1988, em contexto familiar, e permitiu o tratamento com sucesso de um irmão com Anemia de Fanconi, uma síndrome hereditária que causa falência medular e suscetibilidade acrescida para o cancro.

 

Sugerimos aos futuros pais que consideram criopreservar as células estaminais dos seus filhos que procurem informação, esclareçam duvidas com profissionais de saúde bem documentados sobre o tema, visitem os laboratórios de criopreservação e tomem no final uma decisão consciente e informada.

 

Por Marika Bini Antunes

Médica especialista em Imuno-hemoterapia pela Ordem dos Médicos e assistente hospitalar graduada

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