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Cefaleia em salvas: a dor de cabeça suicida

Dia 21 de março, assinala-se o Dia Mundial da Cefaleia em Salvas, a cefaleia primária mais conhecida como ‘dor de cabeça suicida’. Apesar de ser de curta duração, entre 15 minutos e 3 horas, é muito intensa e excruciante, sendo mesmo uma das dores mais violentas que um ser humano pode sentir.

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Todos nós conhecemos alguém que sofre de dor de cabeça e não há quase ninguém que nunca tenha sofrido pelo menos uma vez na vida de uma dor deste género. Mas quando consideramos a cefaleia em salvas, ela é uma cefaleia primária que difere de todas as outras e não pode de modo nenhum ser considerada uma dor de cabeça banal.

 

Esta patologia tem características particulares que a tornam única. Falamos de uma dor intensa que se localiza apenas de um lado da cabeça, por norma na zona do olho ou à volta dele e que pode ser acompanhada de lacrimejar, de olho vermelho, pálpebra descaída ou mesmo narina entupida do lado onde se sente a dor. Apesar de ser de curta duração, entre 15 minutos e 3 horas, é muito intensa e excruciante, sendo mesmo uma das dores mais violentas que um ser humano pode sentir. É frequente que os doentes se sintam agitados, numa tentativa de aliviar o sofrimento e existem mesmos casos que já tentaram o suicídio por não conseguirem lidar com uma dor tão excruciante, o que nos dá ideia do que estes doentes podem sentir.

 

Outra das particularidades que podemos atribuir à cefaleia em salvas é o facto de surgir por surtos com períodos em que as dores ocorrem de modo repetido todos os dias, conhecido como período de salvas e que dura entre 1 e 2 meses, alternando com período prolongados de meses ou anos sem crises, os períodos de remissão. Para além disto têm um padrão cíclico único, sendo que por norma aparecem a horas certas, à mesma hora de dia para dia e surgem em certas alturas do ano com preferência pelos meses de outono.

 

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A cefaleia em salvas, contrariamente a outros tipos de dor de cabeça, é mais frequente nos homens do que nas mulheres, algo que ainda não se conseguiu explicar porque acontece; no entanto, nos últimos anos esta diferença tem vindo a diminuir. Em termos de prevalência, ela é rara e estima-se que atinja em Portugal a cerca de 13 mil pessoas.

 

Atualmente ainda não existe uma cura conhecida e também não é possível evitar que um doente tenha um surto. Temos sim alguns tratamentos no mercado que permitem obter melhorias significativas, quer com terapêutica aguda para fazer desaparecer a dor quer com fármacos   preventivos. Para além de ser corretamente medicado, é ainda importante que o doente tenha hábitos regulares de sono e que em período de surto evitem o consumo de bebidas alcoólicas, pois pode desencadear cefaleia imediatamente. Também o exercício físico ou viagens de avião podem ser precipitantes das crises.

 

É importante alertar os doentes com estes sintomas para que procurem um diagnóstico atempado, pois isso poderá contribuir para encurtar o sofrimento e para melhorar a sua da qualidade de vida.

 

Desafiamos ainda todos os interessados a assistir ao Facebook live Cefaleias em Salva: em diálogo, no dia 21 de março pelas 19h no Facebook da MiGRA Portugal, onde iremos abordar esta patologia e onde poderão ouvir testemunhos de doentes sobre como é viver com cefaleia em salvas.

 

Por Elsa Parreira

Serviço de Neurologia – Hospital Prof Doutor Fernando Fonseca

Sociedade Portuguesa de Cefaleias

 

 

 

 

 

 

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