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Catástrofe humanitária no norte de Moçambique ultrapassa «proporções épicas»

Para além dos ataques violentos com relatos de decapitações em Cabo Delgado, a fome está a alastrar-se entre os que fogem, aumentando ainda mais a dimensão da catástrofe humanitária que se vive no norte de Moçambique.

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«Esta é uma catástrofe humanitária além de proporções épicas», diz Antonella D’Aprile, representante do Programa Alimentar Mundial e diretora nacional para Moçambique, referindo-se à situação que se vive na região de Cabo Delgado, onde insurgentes atacam a população desde há três anos a esta parte, havendo relatos de atrocidades perpetradas por crianças-soldados, alegadas decapitações durante ataques por grupos armados não estatais e confrontos.

 

A agência de ajuda alimentar da ONU alertou que a fome está a aumentar em Palma, com alguns deslocados que chegam a Pemba a dizerem que não comiam há semanas. Ao mesmo tempo, o Programa Alimentar Mundial disse que a deterioração da situação de segurança faz com que os voos de evacuação fossem suspensos e deixam as agências da ONU sem conseguirem chegar a Palma com assistência alimentar. «As pessoas que fogem de Palma estão completamente traumatizadas com a violência que testemunharam nos últimos dias e agora, mais do que nunca, precisam da nossa ajuda», diz D’Aprile. «A nossa prioridade é salvar vidas e garantir que a assistência de emergência chega a quem mais precisa».

 

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Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, diz que, embora a verificação de informações seja extremamente difícil, «estamos preocupados com a situação dos civis que fugiram da violência e dos que permanecem em Palma».

 

A cidade costeira supostamente invadida por militantes extremistas a 24 de março, mas há quatro dias os militares de Moçambique relataram que haviam recuperado o controlo da mesma. De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), os ataques em Palma e nos arredores arrancaram muitos dos deslocados que ali estavam abrigados depois de terem fugido do conflito noutras partes da província.

 

Antes disso, quase 670.000 – incluindo cerca de 160.000 mulheres e raparigas adolescentes, bem como 19.000 mulheres grávidas – foram deslocadas internamente nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, a grande maioria delas dependentes de famílias anfitriãs, cujos escassos recursos estão a esgotar-se.

 

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O porta-voz da ONU diz que cerca de 12.800 pessoas, 43 por cento das quais são crianças, chegaram aos distritos de Nangade, Mueda, Montepuez e Pemba desde o início da violência. «Espera-se que muitos mais ainda estejam em movimento em busca de segurança e assistência», disse.

 

Os parceiros humanitários em Moçambique estão a ajudar os deslocados nos pontos de chegada e a intensificar a resposta humanitária em curso em Cabo Delgado. «Até agora, em 2021, mais de 500.000 pessoas na província receberam assistência humanitária».

 

Para além do conflito em Cabo Delgado, nos primeiros meses de 2021 e antes dos ataques de Palma, a comunidade humanitária em Moçambique já estava muito pressionada, tendo respondido a múltiplas emergências climáticas. «São necessários mais recursos imediatamente para atender às necessidades das pessoas que fogem da violência em Palma», sublinhou o porta-voz da ONU.

 

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