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Catarina Lucas: «O luto costuma ser um processo individual de superação da dor»

A psicóloga Catarina Lucas fala sobre o processo de luto, que acontece não apenas quando morre alguém próximo, mas sempre que há uma perda na nossa vida

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Pode aprender-se a fazer o luto e usar esta aprendizagem em vários momentos de perda?

Há estratégias que vamos adquirindo e que nos vão possibilitando uma forma mais adaptativa de lidar com a adversidade. Um exemplo é a resiliência, a capacidade de superar obstáculos sem dano psicológico. A resiliência trabalha-se e desenvolve-se, pelo que, se num momento de adversidade a desenvolvermos, existe uma maior probabilidade de em situações futuras enfrentarmos a perda com menor dano emocional.

 

Em que situações é que é necessário um psicólogo orientar o processo de luto?

A intervenção de um psicólogo é benéfica em caso de luto patológico, ou seja, nos casos em que o tempo vai passando e a pessoa não consegue adquirir ferramentas para superar a perda e retomar a sua vida. Não é recomendado procurar um psicólogo passados apenas alguns dias, pois é necessário que haja tempo para a pessoa ultrapassar cada uma destas fases. Quando o tempo passa e o sofrimento se mantém com a mesma intensidade, parecendo que tudo aconteceu “ontem”, o acompanhamento psicológico poderá ser uma ajuda efetiva na recuperação e superação da perda.

 

Chorar é obrigatório?

A forma como cada um de nós expressa os seus sentimentos é variável e, consequentemente, a forma como expressamos a dor difere igualmente de pessoa para pessoa. Portanto, chorar não é obrigatório e este comportamento não é necessariamente indicativo de sofrimento. Devemos apenas ter em atenção os lutos tardios, ou seja, aqueles que ficam adiados no momento, onde o sofrimento fica “bloqueado” e que apenas se manifesta dias ou meses depois.

 

Quais são as consequências de um luto mal feito?

As consequências são a ocorrência de um luto patológico, onde podem existir sintomas de ansiedade e depressão. O sofrimento vai-se mantendo inalterado e a pessoa não vislumbra um retomar à normalidade após a perda. Comprometem-se as relações sociais e todas as áreas de funcionamento da pessoa.

 

Geralmente o luto é um processo solitário ou pode e deve ser feito em conjunto?

Devido às necessidades e timing de cada pessoa, o luto costuma ser um processo individual, de reencontro connosco mesmos, de superação da dor, contudo, isto não significa que tenhamos que o fazer sós. O apoio daqueles que nos são próximos, familiares ou amigos, é fundamental. A dor poderá ser partilhada mas o processo é sem dúvida individual.

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