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Catarina Lucas: «O luto costuma ser um processo individual de superação da dor»

A psicóloga Catarina Lucas fala sobre o processo de luto, que acontece não apenas quando morre alguém próximo, mas sempre que há uma perda na nossa vida

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O luto é comummente associado ao processo de ultrapassar a morte de um ente-querido, mas, na verdade, também precisamos de fazer um luto quando perdemos um emprego ou o nosso estado de saúde se altera. Falamos com a psicóloga Catarina Lucas sobre a forma saudável de viver este processo.

 

Quando falamos em luto, pensamos no processo de ultrapassar a morte de alguém, mas luto é um conceito mais abrangente. Pode falar-me disto?

O luto refere-se ao processo que precisamos fazer para ultrapassar uma perda. Esta perda pode dizer respeito à morte de uma pessoa próxima, a uma situação de desemprego, a uma separação, à perda de um estado de saúde, entre outras. Portanto, sempre que existe uma perda (seja ela qual for) precisamos de fazer o nosso luto, embora este possa ser mais ou menos doloroso, mais ou menos demorado, em função do tipo de perda.

 

Quais são as etapas fundamentais do luto?

Por norma,o processo de luto tem cinco fases, a negação, a revolta, a negociação, a depressão e, por fim, a aceitação. Tomemos como exemplo o diagnóstico de uma doença crónica ou a morte de alguém. Numa primeira fase (negação) ignoramos e negamos a existência do problema (“Isto não é real”, “Amanhã irei acordar e tudo estará bem”). Na fase da revolta, há uma projeção da raiva naqueles que estão próximos, fazemos a pergunta “porquê a mim?” e sentimo-nos injustiçados. Passando à fase da negociação, começamos a negociar connosco próprios, dizendo que seremos melhores pessoas, que tomaremos mais cuidados com a nossa saúde, chegando a negociar com Deus para que nos devolva aquilo que perdemos. Quando nos apercebemos que o problema é mesmo real e que a negociação não resultará, passamos à fase da depressão, onde nos voltamos para nós mesmos e para a nossa dor. Instalam-se sentimentos de tristeza e apatia. É um “cair em nós” e naquilo que aconteceu. Com o tempo, chegaremos à fase da aceitação, onde aprendemos a viver com a nossa perda e onde conseguimos voltar a olhar para o futuro apesar daquilo que ocorreu. É um aceitar que, a partir deste momento, a nossa vida será diferente, mas que com algumas estratégias internas poderemos continuar.

 

Diria que para todos os tipos de luto o processo é idêntico?

Este processo varia de pessoa para pessoa, pois cada um de nós é diferente e possui mecanismos internos diferentes. O tempo que demoramos a ultrapassar cada fase é variável. Por norma, todos passamos por estas fases, contudo, poderão existir pessoas que “saltam” uma das fases ou que as invertem. Apenas passamos à fase seguinte quando cada uma delas está resolvida e, quando não conseguimos ultrapassar uma das fases, falamos em luto patológico. É frequente ocorrerem lutos patológicos em que a pessoa não passou a fase da negação, a fase da revolta ou a fase da depressão.

 

 

O que define a capacidade de fazer um luto positivo e rápido?

Falamos de um luto bem resolvido quando é atingida a fase da aceitação, quando conseguimos retomar a nossa vida com alguma normalidade. A questão temporal é mais difícil de se estabelecer, por não existirem “timings” definidos para se fazer o luto e cada um precisa de um tempo e espaço diferente.

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