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Catarina Lucas: «A tranquilidade dos filhos depende da tranquilidade dos pais»

A entrada pela primeira vez num infantário é um momento marcante na vida das crianças e dos próprios pais. Muitas vezes, é a primeira vez que os mais pequenos saem do seu ‘porto seguro’ e contactam com outras crianças fora da família e do círculo de amigos. Com um novo ciclo letivo à porta, falámos com a psicóloga Catarina Lucas sobre a melhor forma de lidar com esta transição.

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De que forma a entrada pela primeira vez de uma criança num infantário a influencia?

Muitas vezes, a entrada no infantário é um dos primeiros contactos que a criança tem com um meio envolvente que não é o dele, que não é o seu habitual e conhecido “porto seguro”. Este é também o momento em que muitas crianças se afastam dos pais por um período de tempo mais alargado e contactam com outras crianças e adultos que não os seus familiares. É por isso um momento importante e que tanta angustia gera a muitos pais. Contudo, este é um processo necessário e benéfico à criança, devendo, contudo, ser gerido de forma eficaz para que seja um momento com influência positiva e não constrangedora para a criança.

 

A entrada é mais angustiante para os pais ou para os filhos?

Arriscaria dizer que é mais angustiante para os pais, pois já a interpretam de outra forma, tendo por base toda a sua experiência, conhecimentos e capacidade de raciocínio. Começam muitas vezes a antever situações e problemas que poderão nunca surgir e que, obviamente, a criança não tem ainda essa perceção.

 

Tendencialmente, é um momento de maior ansiedade quando as crianças são mais pequenas, surgindo, em muitos casos, dúvida, incerteza e até sensação de abandono. A tranquilidade dos filhos depende da tranquilidade dos pais. Em regra, são os mais velhos que se sentem bastante angustiados porque, inconscientemente, acham que estão a abandonar os filhos. Importa que não encarem as coisas desta maneira. A ida para a creche é um processo natural.

 

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Como deve ser feita esta adaptação? Que estratégias podem ser adotadas?

A adaptação deverá ser um processo gradual, tanto para as crianças como para os pais, que, por vezes, são aqueles que maior dificuldade possuem. Uma das estratégias que muitos pais adotam é, nos primeiros dias, ir buscar a criança mais cedo, deixando-a ficar, por exemplo, apenas no período da manhã, sendo que, com o decorrer dos dias, a criança passará a ficar mais tempo, até estar ambientada e poder ser deixada o dia todo. A criança deve saber em que momento os pais a irão buscar (ex: depois de almoço, depois do lanche…), para assim não se sentirem tão ansiosas com a incerteza do momento em que os pais a vão buscar.

 

Outra estratégia importante é começar também uns dias antes a preparar a rotina do deitar e acordar, de forma semelhante ao que acontecerá quando se iniciar a entrada no infantário. Além disto, os pais devem explicar antecipadamente (caso a idade já o permita) o que irá acontecer, que a criança vai para um sítio onde poderá brincar, ter novas experiências e conhecer outras crianças. Desta forma diminuir-se-á o medo e a ansiedade da criança.

 

O momento da despedida é o mais angustiante. Que deverão os pais fazer?

É importante que os pais não alimentem as birras que possam surgir. Quanto mais tempo demorar a despedida mais angustiante será para ambos. Os pais deverão transmitir segurança, boa disposição, naturalidade. Se demonstram ansiedade ou agitação, isso passará para a criança, que sentirá maior dificuldade em ficar. Afinal, é um processo normal e positivo e é dessa forma que deve ser encarado.

 

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É melhor as crianças ficarem com os avós o mais tempo possível ou entrarem no colégio o mais cedo possível?

Tudo precisa de um meio termo. Havendo possibilidade de deixar as crianças com os avós, esse será sempre um processo gratificante para ambas as partes. Contudo, isto não deve ser prolongado indefinidamente. É verdade que a criança não precisa ir imediatamente para o infantário, mas também pode não ser tão benéfico assim adiar, às vezes anos, a sua entrada. O contacto com outras crianças e a exploração de outros ambientes contribui para o desenvolvimento sócio emocional da criança. No entanto, mesmo após a entrada, os avós deverão continuar a ser uma peça fundamental na vida da criança.

 

Como deverão as educadoras acolher a criança?

As educadoras deverão fazer aquilo que tão bem sabem fazer, transmitir segurança, familiarizar as crianças, demonstrar afeto…sem esquecer as regras, que são importantes desde o primeiro dia. É importante que sejam os pais a entregar a criança à educadora, mas que esta não seja obrigada a retirar-lha, já que iria minar a relação.

 

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