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Cândido Tomás: «A maior motivação das dadoras é ajudar»

A infertilidade é um problema que afeta quase 20 por cento dos casais em idade reprodutiva. Por isso, para alguns, a procura de ovócitos de outras mulheres para uma gravidez de sucesso pode ser um dos caminhos a seguir. Motivo para a conversa com o ginecologista, obstetra e especialista em Medicina da Reprodução, Cândido Tomás, que tira todas as dúvidas.

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Pode começar por explicar-nos como é este processo de doação de ovócitos?

O processo de doação de ovócitos é complexo e, por isso implica, a intervenção de vários membros da equipa de fertilidade. Pelo facto de o tratamento ser efetuado a uma jovem saudável, há necessidade de assegurar que ela compreende na íntegra o tratamento e os seus riscos. No início, efetua-se um exame médico completo, que inclui uma ecografia com sonda vaginal e um questionário sobre os antecedentes familiares. A dadora tem de ser saudável e na sua família mais próxima não devem existir doenças com grande carga genética (diabetes, doenças mentais graves, etc.). Após esta consulta, a dadora é consultada por uma psicóloga especializada que avalia a capacidade da dadora para entender todos os elementos do tratamento e das suas motivações. São depois efetuados exames sanguíneos para as infeções de hepatite B e C e VIH e sífilis. É também efetuado um cariotipo (exame aos cromossomas).

 

Com base nestes exames, o médico pode garantir que a dadora está esclarecida e que o tratamento não provoca danos à sua saúde. Sendo jovem e saudável, permite também tranquilizar o casal recetor e aumentar as possibilidades do nascimento de uma criança saudável. Como estes tratamentos têm um grande sucesso, traz à dadora uma satisfação por ter podido ajudar a um casal que de outro modo não teria possibilidade de ter um filho.

 

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Atualmente é também possível dissociar o processo da doação do processo de receção. Nestes casos, a dadora efetua o tratamento e todos os óvulos obtidos ficam no banco de ovócitos. Mais tarde, quando surgir uma recetora adequada, poder-se-á descongelar os ovócitos e fertilizá-los com o esperma do marido. Este tipo de tratamento é mais vantajoso para o casal recetor e elimina os fatores aleatórios que podem surgir durante o tratamento a fresco, como sejam o número de ovócitos, os timings, etc.

 

Como se efetua na prática esse tratamento?

Existem duas formas de realizar um tratamento com recurso a doação de óvulos. O tratamento a fresco, ou seja, nestes casos, a dadora e a recetora realizam o tratamento em simultâneo. Isto é, enquanto a recetora prepara o útero com medicação adequada para receber embriões, a dadora encontra-se a realizar a estimulação dos seus ovários até à colheita dos óvulos para fertilizar com o esperma.

 

Depois, há o tratamento com recurso a óvulos congelados: neste caso os óvulos são adquiridos antecipadamente num banco de óvulos e só num segundo tempo a recetora inicia a preparação do útero para a inseminação dos embriões. Quando o útero estiver bem preparado, realiza-se o descongelamento dos óvulos, a sua fertilização com o esperma, e alguns dias depois faz-se a inseminação de 1 ou 2 embriões dentro do útero.

 

Qualquer um destes tratamentos dura entre 15 a 20 dias. A fertilização dos óvulos para obter embriões é realizada por um método e é semelhante a uma fertilização in vitro.

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