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Cancro do rim: uma doença cada vez mais diagnosticada

Um diagnóstico precoce permite uma maior probabilidade de êxito no seu tratamento. A “clássica” quimioterapia já há muito tempo que não faz parte dos tratamentos possíveis, tendo sido substituída pela imunoterapia.

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Não sendo uma forma frequente de doença oncológica – 3% dos casos na mulher e 5% no homem – o cancro do rim tem sido, contudo, cada vez mais diagnosticado. Porquê? Muitas vezes acaba por ser um diagnóstico por acaso, feito quando algum exame – ecografia ou TAC -, pedido por outras queixas, o identifica.

 

E a maior generalização deste tipo de exames de imagem que se tem verificado nestas duas últimas décadas conduz, precisamente, a um maior número de casos identificados. O que, por sua vez, leva a que um diagnóstico mais precoce seja estabelecido, permitindo maior probabilidade de êxito no seu tratamento.

 

Ao diagnóstico da doença – como em todas as doenças oncológicas – segue-se um processo chamado de estadiamento: isto é, tentar perceber se a doença está localizada ao rim ou se eventualmente passou para outros órgãos.

 

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Como se trata o cancro do rim?

Quando a doença está localizada no rim, o tratamento será cirúrgico, removendo o rim, na totalidade ou em parte, de acordo com as condições. E este é um tratamento potencialmente curativo. Se a doença não estiver localizada, tendo já passado para outros órgãos – ou seja, se tiver metástases -, então o tratamento será medicamentoso.

 

Os tumores do rim – metastizados – têm sido palco de intensa investigação e nos últimos 15 anos temos assistido a uma significativa evolução do seu tratamento. A “clássica” quimioterapia já há muito tempo que não faz parte dos tratamentos possíveis, tendo sido substituída pelas chamadas terapêuticas alvo e – de que justamente agora tanto se fala – pela imunoterapia.

 

Colocado desta forma, o tratamento até parece simples e linear. Mas não é bem assim. Um aspeto chave do tratamento desta doença, e de todas as doenças oncológicas, é passo a passo, cada caso a ser discutido nas reuniões multidisciplinares, em que várias especialidades, regularmente, se encontram e em que várias perspetivas, mais ou menos técnicas, se debatem e se somam as experiências de cada um dos médicos especialistas que nelas participam.

Cancro do rim pode ser genético?

Algumas vezes – ainda que uma minoria no conjunto dos casos – um doente com tumor do rim pode ser portador de uma situação de caráter genético/familiar.

 

Há critérios próprios para suspeitar de uma situação destas – e, portanto, há igualmente que não generalizar esta hipótese – e que podem ser discutidos com o seu médico de forma a que, se adequado, se procedam a exames específicos para confirmar, ou excluir, a suspeita

 

Não adie a sua saúde

Finalmente, em tempos ainda de pandemia – é bom não o esquecer – importa reter que as doenças oncológicas não estão paradas. Têm intrinsecamente um caráter evolutivo.

 

Consequentemente, seja na fase de diagnóstico – mesmo se ainda é apenas uma suspeita -, seja na fase de tratamentos cirúrgicos ou quaisquer outros, não deve perder tempo e nem hesitar em procurar assistência médica, nem protelar exames ou tratamentos.

 

Por António Quintela

Oncologista no Hospital CUF Descobertas

 

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